21 de setembro de 2007

Levantou-se e seguiu-O

«Levantou-se e seguiu-O.» A concisão da frase põe claramente em evidência a prontidão de Mateus a responder à chamada. Para ele isso significava tudo abandonar, sobretudo o que lhe garantia uma fonte segura de recursos, que era no entanto desonrosa e muitas vezes injusta. Mateus compreendeu pela evidência que a intimidade com Jesus o impedia de seguir uma atividade desaprovada por Deus. Facilmente se tira daqui uma lição para o presente: também hoje é inadmissível o apego a coisas incompatíveis com a caminhada de seguir a Jesus, como é o caso das riquezas desonestas.

Certa vez, Ele disse sem rodeios: «Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que possuis, dá-o aos pobres e terás um tesouro nos céus. Depois vem e segue-Me» (Mt,19,21). Foi o que fez Mateus: «Levantou-se e seguiu-O». Neste «levantou-se» conseguimos ler um nítido repúdio pela situação de pecado e simultaneamente a adesão consciente a uma nova existência, reta, na comunhão com Jesus.

Papa Bento XVI
Audiência geral de 30/08/06

12 de setembro de 2007

Humildade: felizes os pobres

Como quase todos os homens são naturalmente conduzidos ao orgulho, o Senhor começa as Bem-aventuranças por afastar o mal original da auto-suficiência, aconselhando-nos a imitar o verdadeiro Pobre voluntário que é verdadeiramente feliz – de maneira a parecermo-nos com Ele por via de uma pobreza voluntária, segundo as nossas capacidades, para participarmos na Sua bem-aventurança, na Sua felicidade. “Tende entre vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus: Ele, que era de condição divina, não reivindicou o direito de ser equiparado a Deus. Mas despojou-Se a Si mesmo, tomando a condição de servo” (Fil 2, 5-7).

Haverá coisa mais miserável para Deus do que tomar a condição de servo? Haverá coisa mais ínfima para o Rei do universo do que partilhar a nossa natureza humana? O Rei dos reis e Senhor dos senhores, o Juiz do universo, paga impostos a César (1 Tim 6, 17; Heb 12, 23; Mc 12, 17). O Senhor da criação abraça este mundo, vem por uma gruta por não ter lugar na estalagem, refugia-se num estábulo, na companhia de animais irracionais. Aquele que é puro e imaculado toma sobre Si as manchas da natureza humana e, depois de ter partilhado toda a nossa miséria, vai a ponto de fazer a experiência da morte. Considera a desmesura da Sua pobreza voluntária! A Vida toma o gosto da morte, o Juiz é levado a tribunal, o Senhor da vida de todos submete-Se a um magistrado, o Rei das potências celestes não se subtrai às mãos dos carrascos. É por estes exemplos, diz o apóstolo Paulo, que podemos medir a Sua humildade (Fil 2, 5-7).

São Gregório de Nissa (c. 335-395), monge e bispo
Homilias sobre as Bem-aventuranças, 1

11 de setembro de 2007

A CNBB é contra o aborto

A CNBB é contra o aborto. De acordo com uma liderança pró-aborto, as pastorais da CNBB não praticam militância contra o aborto.

A CNBB é contra o aborto. Em São Paulo, a CNBB e a organização feminista pró-aborto chamada “Católicas pelo Direito de Decidir” ocupam o mesmo edifício, cujos proprietários são religiosos católicos da ordem carmelita.

A CNBB é contra o aborto. No último dia 7 a CNBB, por meio da pastoral do migrante, foi parceira de movimento pró-aborto durante o “Grito dos Excluídos”.

Wagner Moura

2 de setembro de 2007

Teria eu o direito de ter vergonha da minha fé católica?

“Teria eu o direito de ter vergonha ou de pedir desculpas pela minha fé católica? Será que um país como o nosso, tão bonito, com gente tão alegre, será que eu não tenho o direito de ter orgulho de ter a minha fé católica?”

Carlos Alberto Direito
Ministro do Supremo Tribunal Federal

1 de setembro de 2007

Devolvamos ao Senhor

"Que tens tu que não tenhas recebido?", diz-nos S. Paulo (1 Co, 4,7). Não sejamos, pois, avaros dos nossos bens como se eles nos pertencessem... Confiaram-nos a sua responsabilidade; temos o uso de uma riqueza comum, não a posse eterna de um bem que nos seja próprio. Se reconheceres que esse bem só é teu cá em baixo por um tempo limitado, poderás adquirir no céu uma possessão que não terá fim. Lembra-te daqueles servos que, no Evangelho, tinham recebido talentos do seu patrão e do que o patrão, ao regressar, entregou a cada um deles; compreenderás então que depositar o seu dinheiro no banco do Senhor para o fazer dar frutos é muito mais proveitoso do que conservá-lo com uma fidelidade estéril sem que renda nada para o credor e com grande prejuizo para o servo inútil, cujo castigo será tanto mais pesado...

Apresentemos, pois, ao Senhor os bens que dEle recebemos. Com efeito, não possuimos nada que não seja um dom do Senhor e só existimos porque Ele o quer. Que poderíamos considerar como nosso, se nada nos pertence, devido a uma dívida enorme e privilegiada? Porque Deus criou-nos, mas também nos resgatou. Rendamos-Lhe graças por isso: resgatados por grande preço, o preço do sangue do Senhor, nós não somos coisas sem valor... Devolvamos ao Senhor o que Ele nos deu. Devolvamos Àquele que recebe na pessoa de cada pobre. Devolvamos com alegria, para receber dEle com júbilo, tal como nos prometeu.

S. Paulino de Nola (355-431), bispo
Carta 34, 2-4

30 de agosto de 2007

Não sejas mais justo do que o justo

Se quiseres avançar corretamente, com discrição e dando frutos no caminho da verdadeira religião, deves ser austero e rígido contigo mesmo, mas parecer sempre alegre e aberto para com os outros, esforçando-te no teu coração por caminhar nos cumes da retidão, sabendo inclinar-te com bondade para com os mais fracos. Numa palavra, perante o juízo da tua consciência, deves moderar os rigores da justiça, de tal forma que não sejas duro para com os pecadores, mas acessível ao perdão e indulgente...

Considera o teu pecado como perigoso e mortal; o dos outros, considera-o como fragilidade da condição humana. A falta que, em ti, consideras digna de severa correção, pensa que, nos outros, não merece mais do que uma pequena admoestação. Não sejas mais justo do que o justo: receia cometer o pecado, mas não hesites em perdoar ao pecador. A verdadeira justiça não é a que precipita as almas dos irmãos no laço do desespero… É muito perigoso o fogo que, ao queimar o mato, ameaça abrasar a própria casa com o ardor das suas chamas. Não, aquele que se compraz a escalpelizar os defeitos dos outros não evitará o pecado porque, ainda que seja movido pelo zelo da justiça, tarde ou cedo acabará por o denegrir.

Evidentemente, se a nossa vida não nos parecesse tão brilhante, a dos outros não nos pareceria tão feia. E se, como se deveria, fôssemos para nós mesmos juízes severos, as faltas dos outros não encontrariam em nós censores tão rigorosos.

S. Pedro Damião (1007-1072), eremita, depois bispo, doutor da Igreja
Opúsculo 51

29 de agosto de 2007

A santidade é a verdadeira beleza

A maior beleza que posso encontrar em uma pessoa é a santidade. [...]

A plena realização do homem consiste na santidade, em uma vida vivida no encontro com Deus, que deste modo se torna luminosa também para os demais, também para o mundo. [...]

O homem ficou degradado pelo pecado. Procuremos voltar à grandeza originária: somente se Deus está presente, o homem alcança sua verdadeira grandeza. O homem, portanto, reconhece dentro de si o reflexo da luz divina: purificando seu coração, volta a ser, como era no início, uma imagem límpida de Deus, Beleza exemplar. [...]

O homem tem, portanto, como fim, a contemplação de Deus. Só nela poderá encontrar sua plenitude. Para antecipar, em certo sentido, este objetivo já nesta vida, tem de avançar incessantemente para uma vida espiritual, uma vida de diálogo com Deus.

Papa Bento XVI

Para chegar a esta conclusão, o Papa meditou no elogio do homem escrito por São Gregório:

«O céu não foi feito à imagem de Deus, nem a lua, nem o sol, nem a beleza das estrelas, nem nada do que aparece na criação. Só tu [alma humana], foste feita à imagem da natureza que supera toda inteligência, semelhante à beleza incorruptível, impressão da verdadeira divindade, espaço de vida bem-aventurada, imagem da verdadeira luz. Se com um estilo de vida diligente e atento lavas as fealdades que foram depositadas em teu coração, resplandecerá em ti a beleza divina... Contemplando-te a ti mesmo, verás em ti o desejo de teu coração e serás feliz.»

Almas recurvadas

Desgraçadamente, o homem distanciou-se livre e conscientemente das coisas do céu, preferindo-lhes os bens da terra. Antepondo seus próprios interesses aos de Deus, e recurvando-se sobre si mesma, sua alma transformou-se de “anima recta” em “anima curva”.

É verdade que mesmo neste estado a alma retém sua semelhança com Deus, graças à sua grandeza; mas desassemelha-se de Deus em consequência daquela “curvatura”. Pela mesma razão ela se desassemelha de si mesma. Pois uma vez perdida a semelhança com o modelo original, a imagem deixa, pelo mesmo fato, de assemelhar-se a si mesma. Todavia, a alma conserva a consciência de sua grandeza: sabe-se ao menos parcialmente semelhante a Deus, e, por conseguinte à sua própria natureza, pois sua capacidade para o divino permanece. Ao mesmo tempo, porém, ela se dá conta de haver sido infiel à sua própria natureza. Este estado anormal dá origem a um penoso sentimento de desequilíbrio interior em que a alma, com saber-se de certo modo semelhante a si, sente-se, contudo, dessemelhante de si mesma.

São Bernardo de Claraval

Fonte: Blog Fidei Depositum

Uma luz diferente

Aconselhado pelas minhas leituras a debruçar-me sobre mim mesmo, entrei no fundo do meu coração, conduzido por ti. Pude fazê-lo porque te fizeste o meu suporte. Entrei em mim e vi, não sei com que olhos, mais alta do que o meu pensamento, uma luz imutável. Não era a luz habitual que os olhos do corpo apreendem, nem sequer uma luz do mesmo tipo mas mais poderosa, mais brilhante, que enchesse tudo com a sua imensidade. Não, não era isso, mas uma luz diferente, muito diferente de tudo isso.

Também não estava acima do meu pensamento como o azeite que fica por cima da água, nem como o céu que se estende por cima da terra. Estava acima porque foi ela que me criou, e eu por baixo porque sou a sua obra. Para a conhecer, é preciso conhecer a verdade; e aquele que a conhece, conhece a eternidade; é a caridade que a conhece. Ó eterna verdade, verdadeira caridade, querida eternidade! Tu és o meu Deus e eu suspiro por ti dia e noite.

Quando comecei a conhecer-te, elevaste-me para ti para me mostrares que eu tinha ainda muitas coisas a compreender e como era ainda incapaz de o fazer. Fizeste-me ver a fraqueza do meu olhar, lançando sobre mim o teu esplendor, e eu estremeci de amor e de espanto. Descobri que estava longe de ti, na região da dissemelhança, e a tua voz vinha a mim como que das alturas : "Eu sou o pão dos grandes; cresce e comer-me-ás. E não serás tu que me transformarás em ti, como acontece com o alimento do teu corpo ; mas tu é que serás transformado em mim".

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África) e doutor da Igreja
Confissões, VII, 10

20 de agosto de 2007

A Igreja não pode jamais ser apolítica

[...] Similarmente, quando querem protestar contra a ocupação comunista dos púlpitos, dizem que a Igreja deveria ficar fora da política, em vez de exigir, como deveriam, que ela cumpra a missão política que lhe cabe, que sempre lhe coube e que ao longo dos séculos ela sempre cumpriu, que é a de educar e mobilizar os fiéis para a defesa permanente e incondicional dos princípios e valores que justificam a sua própria existência como instituição, princípios e valores esses que são o que há de mais oposto e hostil a toda mentalidade revolucionária, seja ela socialista, nazista, fascista, anarquista, o diabo. Como depositária da mais imutável e supra-histórica das mensagens, a Igreja não pode jamais ser apolítica, no mínimo porque foi ela mesma que, inspirada nessa mensagem, criou as bases de todas as noções essenciais da política no Ocidente, a começar pelas de liberdade civil e direitos humanos. Principalmente não poderia sê-lo numa época em que a tendência dominante se inspira na ambição revolucionária de historicizar o Evangelho, trazendo o Juízo Final para dentro do acontecer temporal e usurpando para um partido político o papel de juiz da humanidade, que incumbe exclusivamente a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Olavo de Carvalho
http://www.olavodecarvalho.org/semana/070820dc.html

8 de agosto de 2007

A riqueza pode comprometer a salvação

A riqueza não só não assegura a salvação como, inclusive, pode comprometê-la seriamente. A riqueza não deve ser considerada um bem absoluto. É sábio não se apegar aos bens deste mundo, porque tudo passa e tudo pode acabar bruscamente.

Os fiéis são convidados a saberem administrar os bens evitando todo tipo de cobiça, para, assim, poderem compartilhá-los com seus irmãos, especialmente os mais necessitados. O verdadeiro tesouro deve ser buscado onde Cristo está.

Papa Bento XVI

6 de agosto de 2007

Por todos

É um elemento básico da mensagem bíblica que o Senhor morreu por todos. [...] O desejo abrangente de Deus de salvar as pessoas não envolve a salvação propriamente dita de todas as pessoas. Ele nos concede o poder de recusar. Deus nos ama; nós precisamos apenas ter a humildade de nos permitir sermos amados.

Joseph Ratzinger
God Is Near Us: The Eucharist, the Heart of Life

Ambivalência

Onde o verdadeiro e o falso são intercambiáveis, também têm de sê-lo o certo e o errado, o lícito e o ilícito.

Olavo de Carvalho

19 de julho de 2007

Pelas almas dos mortos do vôo JJ3054

Pie Iesu Domine, dona eis requiem.

Dona eis requiem sempiternam.

17 de julho de 2007

Nenhum poder coercitivo do Estado

Nenhum poder coercitivo do Estado, nenhum ideal puramente terreno, por grande e nobre que seja em si, poderá substituir por muito tempo os estímulos tão profundos e decisivos que provêm da fé em Deus e em Jesus Cristo.

Papa Pio XI
Encíclica «Mit Brenneder Sorge», de 1937

16 de julho de 2007

Após a Santíssima Trindade, é Ela a quem devemos amar

Não devemos duvidar do fato de que a bem-aventurada Mãe e Virgem Maria, possuidora de um coração vigoroso e determinação sempre constante, desejava dar seu Filho para a salvação do gênero humano, de tal forma que a Mãe viveu, em tudo, conforme o Pai. E, em relação a esta verdade, o que mais devemos louvar e prezar é que Ela tenha aceitado que seu Filho único fosse sacrificado para a salvação dos homens. E, no entanto, Ela se condoía tanto com as dores do Filho que, de bom grado, e se possível, teria tomado sobre si os tormentos sofridos por Ele. Maria foi verdadeiramente forte e terna, doce e rigorosa ao mesmo tempo, rígida consigo mesma, pródiga para conosco! É, pois, a Ela que devemos amar e venerar acima de todas as coisas, em segundo lugar, após levarmos nosso amor à suprema Trindade e a seu Santíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, cujo mistério divino não pode ser expressado por língua alguma.

São Boaventura

15 de julho de 2007

O coração da vida cristã

O amor é o ‘coração’ da vida cristã: de fato, só o amor, suscitado entre nós pelo Espírito Santo, nos torna testemunhas de Cristo.

Papa Bento XVI

12 de julho de 2007

Bento XVI e a Liturgia

Bento XVI defende que "a simplicidade dos gestos e a sobriedade dos sinais, situados na ordem e nos momentos previstos, comunicam e cativam mais do que o artificialismo de adições inoportunas".

A decisão de facilitar a celebração no Rito de São Pio V já era algo que o Papa defendia enquanto Cardeal. A 5 de Setembro 2003, numa entrevista concedida ao Canal Católico EWTN, Joseph Ratzinger deixava claro que a "antiga Liturgia não se proibiu nunca".

O então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé mostrava-se agastado com a questão dos "abusos" a que se assistia na Liturgia. Nessa mesma entrevista não escondia a sua paixão pelo latim, indicando que a presença desta língua "ajudaria a dar uma dimensão universal" às celebrações.

Octávio Carmo
Agência Ecclesia

11 de julho de 2007

O que devo fazer para ser um bom católico

"Um jovem aproximou-se de Jesus e lhe perguntou: Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna?"
(Mateus, 19,16)

Do discurso do Papa Bento XVI aos jovens no Brasil:

A pergunta do Evangelho não contempla apenas o futuro. Não trata apenas de uma questão sobre o que acontecerá após a morte. Há, ao contrário, um compromisso com o presente, aqui e agora, que deve garantir autenticidade e conseqüentemente o futuro. Numa palavra, a pergunta questiona o sentido da vida. Pode por isso ser formulada assim: que devo fazer para que minha vida tenha sentido? Ou seja: como devo viver para colher plenamente os frutos da vida? Ou ainda: que devo fazer para que minha vida não transcorra inutilmente?

Jesus é o único capaz de nos dar uma resposta, porque é o único que nos pode garantir vida eterna. Por isso também é o único que consegue mostrar o sentido da vida presente e dar-lhe um conteúdo de plenitude.

Íntegra:
http://www.universocatolico.com.br/content/view/14256/98/

Em silêncio há de ser ouvida

"Una palabra habló el Padre, que fue su Hijo, y ésta habla siempre en eterno silencio, y en silencio ha de ser oída del alma."

(“Uma só palavra falou o Pai, que foi seu Filho, e a diz sempre em eterno silêncio e em silêncio há de ser ouvida pela alma.”)

San Juan de la Cruz
Dichos de luz y amor 104; cfr. Subida II, 22,3-6

A presença da Virgem Maria está implícita neste pensamento do santo. Maria Santíssima é o silêncio contemplativo que acolheu a Palavra.

Ordo Carmelitarum Discalceatorum
http://www.ocd.pcn.net/mad_es2.htm

10 de julho de 2007

Julgarei entre uma ovelha e outra

Eu um sermão sobre pastores, Santo Agostinho comentou:

"Ele mantém guarda sobre nós quando estamos acordados e quando dormimos. Se um rebanho terreno está a salvo na guarda vigilante de um pastor humano, o quanto mais seguros estamos nós, que temos Deus como nosso pastor, não apenas porque Ele deseja nos ensinar e ajudar, mas porque Ele é nosso criador. Quanto a vós, meu rebanho, assim diz o Senhor Deus: Julgarei entre uma ovelha e outra, entre carneiros e bodes (Ezequiel, 34,17). Por que há bodes no meio do rebanho do Senhor? Bodes que serão mandados para a esquerda, e ovelhas que serão chamadas para o lado direito de Deus, se encontram nos mesmos campos e junto aos mesmos córregos; e Ele cuida juntos daqueles que mais tarde serão separados. A paciência humilde das ovelhas é uma emulação da paciência de Deus. Ele irá separar o rebanho depois, mandando alguns para a direita e alguns para a esquerda."

(Sermões, 47)

Confiança no coração dos jovens

Virgem Santíssima que, sem hesitar,
ofereceste a ti mesma ao Onipotente,
para a realização do seu projeto de salvação,
infunde confiança no coração dos jovens
para que haja sempre pastores zelosos
que guiem o povo cristão pelo caminho da vida,
e almas consagradas que saibam testemunhar
na castidade, na pobreza e na obediência,
a presença libertadora de teu Filho Ressuscitado.

João Paulo II
Mensagem para o 38º Dia de oração pelas vocações,
6 maio 2001

9 de julho de 2007

Uma pessoa, uma consciência

O leigo que é simultaneamente fiel e cidadão deve sempre se guiar em ambas as ordens por uma única consciência cristã.

Apostolicam Actuositatem
Concílio Vaticano II

A casa de Deus

Que terrível é este lugar! Aqui é a casa de Deus, aqui é a porta do céu.

Jacó
Livro de Gênesis 28,10-22

8 de julho de 2007

Batismo no Espírito Santo

É uma prática que tem origem nos protestantes anabatistas, que consideram inválido o batismo de outras igrejas cristãs, e rebatizam quem nelas ingressa. No pentecostalismo americano, surgiu o tal do "batismo no Espírito", que seria a versão herética do sacramento da confirmação.

Nessas seitas, quem não é "batizado no Espírito" ainda não é considerado membro ativo. Foi exatamente dessas igrejas que o pentecostalismo entrou na igreja católica, levando consigo essas práticas.

Na RCC, quem não é "batizado no Espírito" não é considerado "graduado", ainda não tem os seus "dons". Se alguém participa vários anos da RCC e nunca foi "batizado no Espírito" é porque tem o coração fechado a Deus.

Apesar de diversos pronunciamentos de bispos e até do Papa sobre o tema, proibindo essa terminologia, o uso continua corrente. O problema que vejo no entanto não é de terminologia, mas de copiar um ritual de rebatismo importado do protestantismo.

E isso não é um aspecto secundário, mas está na base de tudo que é a RCC. Toda a idéia do movimento é fazer com que cada católico do mundo seja "batizado no Espírito". Toda a teologia do movimento está centrada nos efeitos que o "batismo no Espírito" tem na vida da pessoa.

Os padres, bispos, teólogos, que participam do movimento falam o tempo todo que "não é um novo batismo", é um "reavivamento do Espírito Santo dentro da pessoa" (no sentido de que a pessoa se torna mais consciente da presença e ação do E.S.), mas é tudo uma tentativa de dar uma roupagem católica a uma prática em essência anti-católica (originada em quem nega o batismo católico).

Por isso creio que é impossível conciliar essa prática com a doutrina católica.

Carlos H. Correia

6 de julho de 2007

O Estado é laico, mas a sociedade não é

Não queremos voltar a um Estado religioso nem a um Estado que mande na Igreja. Mas que se entenda bem a laicidade do Estado. Ela não pode ser pretexto para que sejam suprimidas as liberdades religiosas, a liberdade de consciência, a liberdade de expressão. Que, a pretexto de laicidade do Estado, quem de alguma forma professa fé religiosa, seja ela qual for, seja considerado um cidadão de segunda categoria e por isso tenha de ficar quieto e não se manifeste. A Constituição brasileira diz que o Estado não tem uma religião. Portanto, ele não privilegia uma religião, mas respeita as propostas e as idéias religiosas dos cidadãos. O Estado é laico, mas a sociedade não é. A grande maioria dos brasileiros professa uma fé religiosa. Não se deve confundir Estado com sociedade. Me parece que no Brasil se pretende que o Estado substitua a sociedade. Essa discussão tem de ser mais bem colocada.

Dom Odilo Scherer
arcebispo de São Paulo

Laico:

adjetivo e substantivo masculino
1 que ou aquele que não pertence ao clero nem a uma ordem religiosa; leigo
Ex.: um membro l. da congregação; um l. no meio do clero
2 que ou aquele que é hostil à influência, ao controle da Igreja e do clero sobre a vida intelectual e moral, sobre as instituições e os serviços públicos
Ex.: é próprio de um espírito l. reverenciar o conhecimento científico; os l. se opõem ao ensino religioso nas escolas públicas

adjetivo
3 que é independente em face do clero e da Igreja, e, em sentido mais amplo, de toda confissão religiosa
Ex.: educação l.
4 relativo ao mundo profano ou à vida civil
Ex.: moral l.; virtude l.

Dicionário Houaiss

Quem é pecador?

Quem é pecador, senão aquele que recusa ver-se como tal? Não será afundar-se no seu pecado e, a bem dizer, identificar-se com ele, o deixar de se reconhecer pecador? E quem é injusto, senão aquele que se acha justo?

S. Pedro Crisólogo (c. 406-450), bispo de Ravena, doutor da Igreja
Sermão 30

Deus veio ao homem

Deus veio ao homem para que o homem chegue até Deus.

S. Pedro Crisólogo (c. 406-450), bispo de Ravena, doutor da Igreja
Sermão 30

5 de julho de 2007

Somente o Infinito pode encher o coração

A verdade é que as coisas finitas podem dar centelhas de alegria, mas somente o Infinito pode encher o coração. Disse-o outro grande convertido, Santo Agostinho: "Criastes-nos para Vós, ó Senhor, e o nosso coração está inquieto, enquanto não descansa em Vós" (Confissões, 1, 1).

Discurso de Bento XVI aos jovens em Assis

4 de julho de 2007

O Vaticano é o testemunho do martírio de Pedro

O Vaticano não é um conjunto de monumentos, por mais preciosos que sejam, nem uma sede de instituições, por mais prestigiosas e influentes que sejam.

É antes de tudo o lugar histórico e espiritual do martírio e do túmulo de Pedro: onde testemunhou com seu sangue essa fé sobre a qual se segue baseando a nossa, unindo-se através do tempo como uma corrente ininterrupta de testemunhos de fé.

Padre Federico Lombardi
porta-voz da Santa Sé

Deus-objeto

Cria-se uma religião de resultados, que solucione todas as crises, cure todas as doenças, resolva todos os problemas. Uma religião-terapia e não uma religião-aliança. Em vez de relacionar-se com Deus, como um amigo íntimo, um companheiro fiel, um pai extremoso, faz-se dele objeto de uso.

Dom Eusébio Scheid

Inclinados para o mal

Quando o homem olha para dentro do próprio coração, descobre-se inclinado também para o mal, e imerso em muitos males, que não podem provir de seu Criador, que é bom. Muitas vezes, recusando reconhecer Deus como seu princípio, perturbou também a devida orientação para o fim último e, ao mesmo tempo, toda a sua ordenação quer para si mesmo, quer para os demais homens e para toda a criação.

Concílio Vaticano II
Constituição sobre a Igreja no mundo actual « Gaudium et spes », § 13

Lex orandi, lex credendi

O sacerdote, que celebra fielmente a Missa segundo as normas litúrgicas, e a comunidade, que às mesmas adere, demonstram de modo silencioso mas expressivo o seu amor à Igreja.

Carta Encíclica ECCLESIA DE EUCHARISTIA
do Sumo Pontífice João Paulo II

Latim: a língua da Igreja, nossa mãe

A linguagem da Mãe (a Igreja) se torna nossa; aprendemos a falar nela e com ela, de modo que as suas palavras se tornam, pouco a pouco, sobre os nossos lábios, as nossas palavras.
Cardeal Joseph Ratzinger (Papa Bento XVI)

Que o antigo uso da Língua Latina seja mantido, e onde houver caído quase em abandono, seja absolutamente restabelecido. – Ninguém por afã de novidade escreva contra o uso da Língua Latina nos sagrados ritos da Liturgia.
(Papa João XXIII, Encíclica Veterum Sapientia)

Se me mandarem falar latim, vou fazer: “Au, au, au!”
(Padre Marcelo Rossi)

O aborto é inseguro para os bebês

"Usar a linguagem como um recurso para influir no moral de uma população é uma técnica que sempre foi empregada com muito sucesso nas guerras ; a propaganda é um instrumento de comprovada eficiência que o nazismo e o comunismo usa com maestria. A esquerda sabe que com uma população de baixos padrões morais é mais fácil fazer prosperar os ideais revolucionários ,por isto não quer centrar o debate sobre o direito de um inocente viver mas sim na segurança das técnicas para provocar a sua morte!"

C. Márcio Ferreira

"Muitos pró-vida estão preocupados por causa do assunto do aborto inseguro, esquecendo-se que não somos contra o aborto porque é inseguro para a mãe, mas sim porque mata o bebê."

Colin Mason

3 de julho de 2007

Aquele a quem Deus chama por seu nome

Temos uma idéia muito redutiva e jurídica de pessoa que gera muita confusão no debate sobre o aborto. É como se uma criança adquirisse a dignidade de pessoa a partir do momento em que esta lhe é reconhecida pelas autoridades humanas. Para a Bíblia, pessoa é aquele que é conhecido por Deus, aquele a quem Deus chama por seu nome; e Deus, nos é assegurado, conhece-nos desde o seio materno, seus olhos nos viam quando éramos ainda embriões no seio de nossa mãe. A ciência nos diz que no embrião existe, em desenvolvimento, todo o homem, projetado em cada mínimo detalhe; a fé acrescenta que não se trata só de um projeto inconsciente da natureza, mas de um projeto de amor do Criador.

Padre Raniero Cantalamessa, ofmcap. -- pregador da Casa Pontifícia

2 de julho de 2007

Pecados que clamam ao céu

A tradição catequética lembra também que existem "pecados que bradam ao céu".

Bradam ao céu:

  • o sangue de Abel,
  • o pecado dos sodomitas;
  • o clamor do povo oprimido no Egito;
  • a queixa do estrangeiro, da viúva e do órfão;
  • a injustiça contra o assalariado.
Catecismo da Igreja Católica §1867

Diálogo com os que negam a Deus

O diálogo com os que negam a Deus é contrário ao espírito do Evangelho.

Todos os padres que defendem a possibilidade de um diálogo com os marxistas perderam a cabeça, perderam a fé.

Embora afirmem o contrário, eu lhes asseguro de Deus não pensa assim.

São padre Pio
Olívio Cesca, PADRE PIO - O santo do terceiro milênio, Ed. Myrian.

Bem-aventurada pobreza

Bem-aventurada pobreza, que prodigaliza riquezas eternas aos que a amam e a abraçam! Santa pobreza – a quantos a possuem e a desejam, promete Deus seguramente o Reino dos céus, a glória eterna e a vida feliz. Querida pobreza, que o Senhor Jesus Cristo Se dignou preferir a tudo o resto, Ele que reinava e reina sobre o céu e a terra, Ele que “falou e as coisas existiram” (Sl 32, 9).

Santa Clara (1193-1252), monja franciscana
I Carta a Inês de Praga, § 15-23

27 de junho de 2007

Seremos reconhecidos pelos nossos frutos

"Ninguém peca se professar a fé; ninguém odeia se professar a caridade."

Esforçai-vos por vos reunirdes com mais freqüência e por dardes ações de graças e louvores a Deus. Pois, quando vos reunis com freqüência, o poder de Satanás é abatido e as suas obras de ruína destruídas pela unanimidade da vossa fé. Nada ultrapassa a paz, que triunfa de todos os assaltos que nos fazem as potências celestiais e terrestres.

Nada disso vos está oculto, se dais a Jesus Cristo uma fé e um amor perfeitos, que são o começo e o fim da vida: o começo é a fé e o fim a caridade. Deus é as duas reunidas. Todas as outras virtudes que conduzem à perfeição decorrem destas duas primeiras. Ninguém peca se professar a fé; ninguém odeia se professar a caridade. “As árvores conhecem-se pelos seus frutos”; assim também, será pelas suas obras que se reconhecerão aqueles que fazem profissão de ser de Cristo. Porque a obra que hoje se nos pede não é uma simples profissão de fé, mas a prática da fé até ao fim.

Mais vale calar-se e ser do que falar sem ser. É bom ensinar, se aquele que ensina age. Temos um único mestre, aquele que “disse e todas as coisas foram feitas” (Sl 32, 9); até as obras que fez no silêncio são dignas de seu Pai. Aquele que compreende verdadeiramente a palavra de Jesus também pode compreender o seu silêncio; e então será perfeito: agirá pela sua palavra e dar-se-á a conhecer pelo seu silêncio. Nada está oculto ao Senhor; até os nossos segredos lhe são conhecidos. Façamos, pois, tudo com o pensamento de que Ele permanece em nós; seremos assim templos seus, e Ele será em nós o nosso Deus.

Santo Inácio de Antioquia (?-c. 110), bispo e mártir
Carta aos Efésios, 13-15

O patrimônio da Igreja

A grande maioria do patrimônio da Igreja Católica está nos imóveis como igrejas (templos), templos esses espalhados nas cidades pequenas e grandes em todo mundo, nos seminários para formação de padres, nas casas religiosas, nas obras de assistência aos pobres, milhares e milhares pelo mundo afora. A igreja da sua paróquia é do padre? Ele pode vendê-la quando bem entender? Claro que não! A igreja é do povo da paróquia, o conjunto das igrejas (templos) de uma diocese e outros imóveis como salões e casas paroquiais, é administrado pela própria diocese, mas não que o bispo possa dispor desses bens imóveis ao seu bel prazer ou usá-los em proveito próprio. Jamais.

Obras como a Fazenda da Esperança, hoje em evidência devido à visita do Papa, com muitas terras e boas construções – onde se recuperam milhares de jovens anualmente, constituem uma riqueza, mas frei Hans, seu fundador, não pode dispor dela e fazer o que bem quer. Estes bens existem para a recuperação de filhos de Deus que perderam sua dignidade.

E o Vaticano, com seu ouro, suas jóias? Esta conversa é mesmo de quem não conhece a Igreja. O Vaticano tem muitas peças sacras, pinturas e histórias gravadas nas paredes de suas capelas, tapetes e obras literárias. É patrimônio da humanidade. Ali estão, porque ao longo dos séculos pessoas de todas as partes do mundo foram presenteando os pontífices. Sua venda não mataria a fome de nem de 0,001% dos necessitados num curto espaço de tempo. O Estado do Vaticano é o menor país do mundo circundado pela cidade de Roma, do tamanho de uma quadra. O Papa não pode vender aquele pequeno pedaço de terra, ele é dos cristãos.

Pe. Crispim Guimarães
FONTE: http://www.progresso.com.br:80/not_view.php?not_id=30165

Alma não é fantasminha

Descartes foi o sujeito que inventou a idéia de que a alma é um fantasminha que mora em uma máquina (o corpo). O que estes cientistas estão descobrindo é exatamente o que São Tomás já afirmava setecentos anos atrás: que o ser humano não é um fantasminha que mora em uma máquina, sim uma coisa só, uma união substancial (substância é o termo para o que algo é. À pergunta "o que é isso" respondemos com sua substância: "meu carro", "o João", etc.) de corpo e alma. A alma, ensina-nos o Doutor Angélico, é o princípio de coerência do corpo ("forma", em termos metafísicos; nada a ver com formato, sim a ver com o que é ainda expresso em expressões como "transFORMAção"- uma coisa que vira outra, "reFORMA" - uma coisa que volta a ter sua coerência interna, etc.). Assim, tudo o que é função da alma o é também do corpo. As funções vegetativas (crescimento, sustentação da vida), sensitivas (sentidos) e intelectivas são feitas pelo corpo inFORMAdo pela alma, ou seja, são ação de corpo e alma, não só do corpo nem só da alma.

Carlos Ramalhete
http://groups.yahoo.com/group/tradicao-catolica/message/38445

9 de junho de 2007

Não matarás o fruto do ventre por aborto

Desde os seus inícios, o critianismo afirmou a ilicitude moral de todo aborto provocado. A Didaché, texto do século I, atribuído aos Apóstolos, considerado o primeiro catecismo da religião cristã, ensinava: «Não matarás o fruto do ventre por aborto, e não farás perecer a criança já nascida» (Didaché 2,2). Barnabé, o companheiro de Paulo Apóstolo, na Epístola que lhe é atribuída (não incluída nos livros canônicos da Bíblia), também afirma a absoluta ilicitude moral do aborto, o que consta também da conhecida Epístola a Diogneto, um documento cristão do século II. Neste mesmo século, o apologista cristão Atenágoras frisava que os cristãos têm na conta de homicidas as mulheres que utilizam medicamentos para abortar, e condenava os assassinos de crianças, incluindo igualmente no número destas as que vivem no seio materno, «onde elas já são objeto da solicitude da Providência divina».

Essa condenação moral do aborto ganhou forma jurídico-canônica quando os concílios do século III decretaram que quem praticasse o aborto ficaria excomungado. Depois disso, todos os concílios da Igreja católica mantiveram a pena de excomunhão.

Rodrigo R. Pedroso

Nomes e números

Que quer dizer esta expressão: nome de Deus?... No livro do Apocalipse, o adversário de Deus, a Besta, não tem um nome mas um número: 666 (Ap 13,18). A Besta é número e transforma os seres em números. O que isso significa sabemo-lo bem, nós que fizemos a experiência dos campos de concentração; o seu horror vem justamente do fato de apagarem os rostos... Quanto a Deus, Ele tem nomes e chama por um nome. É pessoa e procura a pessoa. Tem um rosto e procura o nosso rosto. Tem um coração e procura o nosso coração. Para Ele, nós não somos funções na grande máquina do mundo, mas são precisamente aqueles que não têm nenhuma função que são os seus. O nome é a possibilidade de ser chamado, é a comunhão.

É por isso que Jesus é o verdadeiro Moisés, o cumprimento da revelação do nome. Não vem trazer-nos, como nome, uma nova palavra; faz mais: é Ele mesmo a face de Deus. É Ele mesmo o nome de Deus; é a própria possibilidade que Deus tem de ser chamado "tu", de ser chamado como pessoa, como coração. O seu nome próprio "Jesus" leva à plenitude o nome misterioso da sarça ardente (Ex 3,14); agora percebe-se claramente que Deus não tinha acabado de falar, que apenas tinha interrompido provisoriamente o seu discurso. Porque o nome de Jesus contém a palavra "Yahvé" na sua forma hebraica e acrescenta-lhe outra coisa: "Deus salva". Yahvé, isto é, "Eu sou aquele que sou" quer agora dizer, compreendido a partir do nome de Jesus: "Eu sou aquele que vos salva". O seu ser é salvação.

Cardeal Joseph Ratzinger [Papa Bento XVI]

6 de junho de 2007

A Igreja condenou a escravidão

Em 1537, o Papa Paulo III publicou a Bula Veritas Ipsa (também chamada Sublimis Deus), condenando a escravidão dos 'índios e as mais gentes'.

Dizia o documento, aqui transcrito em português da época que "com authoridade Apostolica, pello teor das presentes, determinamos, & declaramos, que os ditos Indios, & todas as mais gentes que daqui em diante vierem á noticia dos Christãos, ainda que estejão fóra da Fé de Christo, não estão privados, nem devem sello, de sua liberdade, nem do dominio de seus bens, & que não devem ser reduzidos a servidão".

O totalitarismo nasce da negação da verdade

O totalitarismo nasce da negação da verdade em sentido objetivo: se não existe uma verdade em sentido transcendente, na obediência à qual o Homem adquire a sua plena identidade, então não há qualquer princípio seguro que garanta relações justas entre os homens…se não se reconhece a verdade transcendente, triunfa a força do poder…a raiz do totalitarismo moderno, portanto, deve ser reconhecida na negação da transcendente dignidade da pessoa humana.

João Paulo II (O Esplendor da Verdade)

O homem total

“Espero a Ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há-de vir” (Credo)

O cristianismo não promete apenas a salvação da alma, num qualquer além onde desaparecem todos os valores e todas as coisas preciosas deste mundo, como se ele fosse um cenário que tivesse sido construído para desaparecer em seguida. O cristianismo promete a eternidade daquilo que se realizou neste mundo.

Deus conhece e ama este homem total que somos atualmente. É, pois, imortal aquilo que cresce e se desenvolve na nossa vida atual. É no nosso corpo que sofremos e amamos, que esperamos, que experimentamos alegria e tristeza, que progredimos no tempo. Tudo quanto assim cresce na nossa vida atual, tudo isso é imperecível. É imperecível aquilo que nos tornamos no nosso corpo, o que cresceu e amadureceu no coração da nossa vida, em ligação com as coisas deste mundo. É “o homem total”, tal como se encontra situado neste mundo, tal como viveu e sofreu, que será um dia levado para a eternidade de Deus e que terá parte, no próprio Deus, na eternidade. É isso que deve encher-nos de uma alegria profunda.

Cardeal Joseph Ratzinger [Papa Bento XVI]

4 de junho de 2007

Tertuliano e a simplicidade

Desde o ponto de vista humano, pode-se falar sem dúvida do drama de Tertuliano. Com o passar do tempo, ele se tornou cada vez mais exigente com os cristãos. Pretendia deles em toda circunstância, e sobretudo nas perseguições, um comportamento heróico. Rígido em suas posições, não poupava duras críticas e acabou inevitavelmente isolando-se. De fato, hoje em dia ainda ficam abertas muitas questões, não só sobre o pensamento teológico e filosófico de Tertuliano, mas também sobre sua atitude ante as instituições políticas da sociedade pagã.

Esta grande personalidade moral e intelectual, este homem que ofereceu uma contribuição tão grande ao pensamento cristão, me faz refletir muito. Vê-se no final que lhe falta a simplicidade, a humildade para integrar-se na Igreja, para aceitar suas fraquezas, para ser tolerante com os outros e consigo mesmo.

Papa Bento XVI

Pensamentos de Frei Damião

Sofrimento: "Sofrimento não é indiferença de Deus. Esta vida é apenas uma preparação para a outra; esta, sim, é importante. Daí, precisamos sofrer nessa existência para termos merecimento na outra."

Confissão: "Confessai vossos pecados. Não adianta me pedirem remédio, que eu não sou médico. Se não tiverdes os pecados graves, confessai os pecados leves. Se ainda não os tiverdes, confessai então os pecados já confessados. O que não pode haver é confissão sem pecados."

Milagre: "O povo inventa milagres. É o sentimento religioso popular. Os sertanejos dizem que sou responsável pelos resultados que nossas orações conjuntas trazem. Mas o milagre só vem com merecimento e fé."

Vida: "Vivemos hoje como se eterna devesse ser nossa morada sobre a terra. Que outra coisa faz a maior parte de nós? Grande parte da vida, empregamos em fazer o mal. Outra grande parte, em nada fazer. E toda ela, em fazer aquilo que não deveria ser feito, em pecados, prazeres sinistros, desonestidades, conversas supérfluas, danças, jogos, divertimentos. Corremos atrás dos bens efêmeros da vida até merecermos a condenação eterna."

Políticos: "Os políticos prometem muito e nem sempre cumprem. Mas, de que vale essas promessas que são para coisas materiais? Devemos pensar nas coisas da alma."

Brasil: "O país é ótimo. Muito tranquilo, não tem greve nem comunismo."

Governo: "O governo não pode fazer tudo, quando tem uma seca aqui no sertão."

Objetivos de suas missões para os sertanejos: "Livrá-los do Demônio, que queria afastá-los da Igreja, fazê-los abraçar outro credo. Muitos que viviam amancebados, ajustaram casamento. Homens casados que pecavam com outras mulheres, voltaram para casa a fim de cumprir o matrimônio perfeito, fugindo das tentações da carne. Prego pelo Nordeste inteiro e sempre tratei o povo bem. Quero bem ao povo, com carinho, aconselhando para o bem."

Chegada do homem à lua: "É muito importante porque pode ser um meio para se descobrir outros planetas." Namoro: "Só na frente dos pais, com uma pessoa solteira. E deve ser breve, com casamento à vista."

Calças compridas para as mulheres: "Para vós (mulheres que usam calças compridas) está reservado um lugar bem fundo no inferno."

Minissaia: "Eu condeno sempre a minissaia. Minissaia não presta, não. É causa de muitos pecados. Muitos homens já perderam a cabeça por causa desse exagero das mulheres."

Os jovens: "Fazem o que não deveria ser feito, em pecados, prazeres sinistros, desonestidades, conversas inúteis, visitas supérfluas, jogos, danças, divertimentos. Correm atrás dos bens efêmeros dessa vida até merecerem a condenação eterna. Para eles, está mais vivo o fogo do inferno."

Casamento: "Viver com uma mulher sem ser casado com ela na Igreja, está errado. O casamento na Justiça não é o bastante. Deus não confirma essa união, ela não existe. Estão ouvindo? Tem que casar na Igreja."

Pílula: "A pílula não é boa, Deus não gosta. Para evitardes filhos, podeis, apenas, não usar dos vossos direitos matrimoniais. E podeis fazer isso, se quiserdes, pela vida inteira, de comum acordo com os vossos maridos."

Divórcio: "O matrimônio só é quebrado por morte da esposa ou do esposo. Quem deixa o casamento para casar com outro no civil, estará no inferno de cabeça para baixo."

Dança: "A dança é um elemento da perdição. Quando um homem e uma mulher se ajuntam para dançar, não pode sair nada de bom disso tudo. Então, sobrevêm os maus pensamentos, os desejos pecaminosos, o pecado."

Beijo: "Um beijo dado no rosto da namorada, como um beijo dado numa parenta, não tem nada demais, estão ouvindo? Agora, um beijo na boca, um beijo de língua, isso não. É pecado."

Adultério: "O adultério é um pecado tão nefasto, que os povos sempre o puniram com os mais tremendos castigos; os hebreus do Velho Testamento apedrejavam os adúlteros; os egípcios decepavam o nariz da mulher adúltera; os árabes decapitavam os culpados; os filhos adulterinos tinham os olhos arrancados; entre os antigos germanos, o castigo do adultério da mulher era reservado também ao marido: ele era preso e a mulher expulsa de casa depois de ter os cabelos cortados e despojada de suas vestes; em seguida, a mulher era levada a chicotadas pela aldeia. E como se pune o adultério depois da morte? Com o inferno! Homem que mantém relações com uma coruja fora de casa, aos infernos!"

Demônio: "O demônio existe, estão ouvindo? Ele existe. Em Mirandiba (cidade do interior pernambucano), entrei numa casa abandonada e ele me jogou sete pedras."

Inferno: "No inferno só há sofrimento. Lá, o calor é bilhões de vezes pior que no Nordeste. As labaredas sobem e queimam sem parar os corpos dos adúlteros, das prostitutas, dos afeminados, dos criminosos. Lá, é o lugar onde vive o demônio."

Apascenta as minhas ovelhas

O Senhor pergunta a Pedro se ele o ama, coisa que já sabia; e pergunta-o, não uma vez mas duas e mesmo três. E, de cada vez, Pedro responde que o ama; e, de cada vez, Jesus lhe confia o cuidado de apascentar as suas ovelhas. À sua tripla renúncia responde aqui uma tripla afirmação de amor. É preciso que a sua língua sirva o seu amor, tal como serviu o seu medo; é preciso que a sua palavra dê testemunho de uma forma tão clara diante da vida como a que fez diante da morte. É preciso que ele dê uma prova de amor ocupando-se do rebanho do Senhor, tal como deu prova de temor renegando o Pastor.

Torna-se evidente que aqueles que se ocupam das ovelhas de Cristo, com a intenção de fazer delas ovelhas suas mais do que de Cristo, têm para com elas um afeto maior do que o que experimentam para com Cristo. É o desejo da glória, do poder e do proveito que os conduz e não o amoroso desejo de obedecer, de socorrer e de agradar a Deus. Esta palavra três vezes repetida por Cristo condena aqueles que fazem gemer o apóstolo Paulo quando os vê buscar os seus interesses mais que os de Jesus Cristo (Fl 2,21). Com efeito, que significam estas palavras: "Amas-me? Apascenta as minhas ovelhas"? É como se dissesse: Se me amas, não te ocupes de ti mesmo mas das minhas ovelhas; olha-as não como tuas mas como minhas; nelas, procura a minha glória e não a tua, o meu poder e não o teu, os meus interesses e não os teus... Não nos preocupemos, pois, conosco mesmos; amemos o Senhor e, ocupando-nos das suas ovelhas, procuremos o interesse do Senhor sem nos inquietarmos com o nosso.

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África) e doutor da
Igreja
Sermões sobre S. João, 122, 2-4 ; 123, 5

1 de junho de 2007

A forma de ler o mundo do relativismo

"Há uma onda que varre o Brasil [...] que nos diz que texto não vale nada, e sim o contexto. Trata-se de uma urdidura intelectual bem mais ampla do que se supõe: é a forma de ler o mundo do relativismo, daqueles cuja moral e cujo norte ético estão em constante mudança e sempre servem à ocasião."

Reinaldo Azevedo

31 de maio de 2007

Técnica de revolução constitucional

“O poder e os recursos do Estado moderno tornam as revoluções civis virtualmente impossíveis... Tudo o que é possível é [...] o golpe ou revolução mediante arranjo, desde cima, sob o patrocínio dos poderes constitucionais.

“Para atingir os fins revolucionários sem colocar as massas em ação, golpes que sigam a tática de inocular nas leis o impulso revolucionário, de manipular a legalidade até que ela tenha passado de um estágio de revolução mascarada para emergir como uma nova legalidade, são empreendidos a pretexto de prevenir um período de anarquia, de manter o controle dos acontecimentos, de impedir que o país seja entregue à mercê de incalculáveis elementos ‘demoníacos'. Depois que a legalidade revolucionária foi instituída sem sangue, o curso dos acontecimentos fica à mercê, precisamente, desses elementos incalculáveis e demoníacos. Este método desfere um golpe muito mais paralisante na justiça e no senso de justiça do que uma revolução aberta... A revolução-mediante-arranjo termina na exaustão geral. Pois em sua artificial combinação de forças ela inclui elementos irreconciliáveis... cada um pretendendo secretamente sobrepujar o outro na primeira oportunidade.”

(Hermann Rauschning, The Revolution of Nihilism. Warning to the West , New York, Alliance Book, 1939, pp. 10-12.)

29 de maio de 2007

Estado laico

Não me lembro de movimentos pelo "estado laico" quando os padres e freiras ajudavam , animadamente, a erguer o PT, quase trinta anos atrás.

Alon Feuerwerker

21 de maio de 2007

Protesto contra ofensa religiosa

Magnífico Reitor na Universidade Federal da Paraíba, senhor Rômulo Soares Polari, Chefe do Departamento de Comunicação e Turismo da Universidade, professor Lúcio Vilar, Coordenador do Curso de Turismo da Universidade, professor Olavo Mendes, Professor Henrique Magalhães, Demais alunos e funcionários da Universidade Federal da Paraíba,

Foi recentemente divulgada, pelos meios de imprensa, uma notícia segundo a qual um outdoor, que continha uma caricatura do Papa Bento XVI junto com a frase "a Igreja é uma praga" e estava colocado dentro de um Campus da Universidade Federal da Paraíba, foi destruído por um grupo de funcionários da Universidade após uma enorme polêmica.

A reportagem pode ser acessada em:

http://minhanoticia.ig.com.br/materias/432001-432500/432205/432205_1.html

Rapidamente, o Departamento de Comunicação e Turismo (DecomTur) da referida Universidade emitiu uma nota a respeito do ocorrido. Esta nota pode ser encontrada em:

http://www.paraiba.com.br/noticia.shtml?45650

Na citada nota, a destruição do Outdoor é classificada como "vandalismo" e "inaceitável". E é citada a Constituição Federal, que garante " livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação".

Contudo, não é citado que o Código Penal tipifica como crime "vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso" (Código Penal, artigo 208, caput). Acaso é o direito à livre expressão absoluto, desvinculado do (e superior ao) direito dos cidadãos de não terem as suas crenças ofendidas? Porventura quer-se pretender que uma ofensa violenta e desnecessária como a expressa pelo outdoor em questão tenha respaldo constitucional inviolável?

É citado que o Estado é laico. É verdade. Mas não é explicado que "Estado Laico" não significa "Estado Anti-Religioso". E que é próprio do Estado Laico não discriminar nenhuma crença religiosa. Como, pois, querem utilizar a laicidade do Estado para justificar uma agressão gratuita feita ao povo católico? Isso, sim, é inaceitável.

É dito que a atitude (de destruição do outdoor) "abre sério, preocupante e perigoso precedente". Todavia, não é citado que a própria confecção do outdoor (e sua apologia veiculada na já citada nota do DecomTur) abre(m) um precedente muito mais preocupante, a saber: a vontade de consolidar a ofensa gratuita à religião professada pela maioria da população brasileira como um direito inalienável. Uma verdadeira apologia ao crime, completa inversão de valores.

É de causar espécie que a Universidade não se tenha pronunciado contra a colocação do outdoor, mas tenha demonstrado tanta prontidão em condenar a sua destruição. Por que os dois pesos e duas medidas?

Registro, assim, o meu mais completo repúdio a essa atitude da Universidade Federal da Paraíba que, desse jeito, só faz perder o seu prestígio. É desolador que uma Universidade aja com tamanho desrespeito e tão pouca consideração pelos sentimentos religiosos de seus alunos e funcionários. É vergonhoso ver uma instituição pública fomentando o ódio anti-religioso. Isso, sim, é que deveria ser objeto da preocupação dos senhores.

Recife, 21 de maio de 2007

Atenciosamente,
Jorge Ferraz
R.G. 6.316.776 - SDS/PE

20 de maio de 2007

Queremos viver e não morrer

Hoje quero convosco refletir sobre o texto de São Mateus (19, 16-22). Fala de um jovem. Ele veio correndo ao encontro de Jesus. Merece destaque a sua ânsia. Neste jovem vejo a todos vós, jovens do Brasil e da América Latina. Viestes correndo de diversas regiões deste Continente para nosso encontro. Quereis ouvir, pela voz do Papa, as palavras do próprio Jesus.

Tendes uma pergunta crucial, referida no Evangelho, a Lhe fazer. É a mesma do jovem que veio correndo ao encontro com Jesus: o que fazer para alcançar a vida eterna? Gostaria de aprofundar convosco esta pergunta. Trata-se da vida. A vida que, em vós, é exuberante e bela. O que fazer dela? Como vivê-la plenamente?

Logo entendemos, na formulação da própria pergunta, que não basta o aqui e agora, ou seja, nós não conseguimos delimitar nossa vida ao espaço e ao tempo, por mais que pretendamos estender seus horizontes. A vida os transcende.

Em outras palavras, queremos viver e não morrer. Sentimos que algo nos revela que a vida é eterna e que é necessário empenhar-se para que isto aconteça. Em outras palavras, ela está em nossas mãos e depende, de algum modo, da nossa decisão.

A pergunta do Evangelho não contempla apenas o futuro. Não trata apenas de uma questão sobre o que acontecerá após a morte. Há, ao contrário, um compromisso com o presente, aqui e agora, que deve garantir autenticidade e conseqüentemente o futuro. Numa palavra, a pergunta questiona o sentido da vida. Pode por isso ser formulada assim: que devo fazer para que minha vida tenha sentido? Ou seja: como devo viver para colher plenamente os frutos da vida? Ou ainda: que devo fazer para que minha vida não transcorra inutilmente?

Jesus é o único capaz de nos dar uma resposta, porque é o único que nos pode garantir vida eterna. Por isso também é o único que consegue mostrar o sentido da vida presente e dar-lhe um conteúdo de plenitude. (...)

Diante dos olhos, meus queridos jovens, tendes uma vida que desejamos seja longa; mas é uma só, é única: não a deixeis passar em vão, não a desperdiceis.

Papa Bento XVI

Salvai-me pela vossa compaixão

“A vós, porém, ó meu Senhor, eu me confio,
e afirmo que só Vós sois o meu Deus!
Eu entrego em vossas mãos o meu destino;
libertai-me do inimigo e do opressor!
Mostrai serena a vossa face ao vosso servo,
e salvai-me pela vossa compaixão!”

Quem é o inimigo e o opressor? A falta de emprego, o abandono do marido, a droga, a bebida, a pobreza, a carência afetiva, a morte premeditada, a solidão, a falta de apoio, a depressão, a doença. Devemos lembrar, entretanto, que estes não são maiores que a compaixão de Deus, por mais que pareça o contrário.

Por que ainda ter medo do sofrimento? O poeta canta, fazendo referência ao momento da crucificação de Cristo:

“Quem não há de perder todo o medo,
vendo o céu ser aberto ao ladrão!”

Se Deus teve compaixão do ladrão, que inclusive admitiu todas as coisas más e erradas que cometeu, por que não há de ter compaixão de nosso sofrimento. Cabe-nos dizer junto com o ladrão:

- “Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu reino.”

E junto com o salmista:

- “A vós eu me confio, entrego em vossas mãos o meu destino.”

Sandra Maria

Que o 'não' seja o novo 'amém'

Buenos Aires, 16 mai (RV) - O arcebispo emérito de Resistencia, Argentina, Dom Carmelo Juan Giaquinta, alertou que existem pessoas que fazem de tudo para que os católicos reneguem sua fé, com o argumento de que precisam pedir perdão pelos erros do passado.

"O que alguns desejam não é que peçamos perdão por nossos erros, mas sim que reneguemos nossa fé e viver em conformidade com ela" _ sublinhou o arcebispo.

A propósito da mentalidade atual, Dom Giaquinta disse: "O que muitos buscam é que, como eles, aplaudamos o divórcio e o proponhamos como ideal de liberdade; que bendigamos o aborto e a morte dos anciãos inúteis; que brindemos, porque o matrimônio, hoje, já não é mais só entre um homem e uma mulher; e que nós, sacerdotes, não respeitemos nossas promessas."

O arcebispo destacou ainda, que quem critica a Igreja "quer que o "amém" signifique "não", e que "não" seja o novo "amém".

O Bem não nasce do Mal

O Bem não nasce do Mal; o Mal jamais será instrumento útil para se chegar ao Bem.

Reinaldo Azevedo

Conservar os imensos tesouros espirituais

O Santo Padre, que foi durante alguns anos membro desta Comissão [Pontifícia Comissão
Ecclesia Dei], quer que ela se converta em um organismo da Santa Sé com a finalidade própria e distinta de conservar e manter o valor da liturgia latina tradicional. Mas se deve afirmar com toda claridade que não se trata de um voltar para atrás, de uma volta aos tempos anteriores à reforma de 1970. Trata-se pelo contrário de uma oferta generosa do Vigário de Cristo que, como expressão de sua vontade pastoral, quer pôr a disposição da Igreja todos os tesouros da liturgia latina que durante séculos nutriu a vida espiritual de tantas gerações de fiéis católicos. O Santo Padre quer conservar os imensos tesouros espirituais, culturais e estéticos ligados à liturgia antiga. A recuperação desta riqueza se une à não menos preciosa da liturgia atual da Igreja.

Por estas razões o Santo Padre tem a intenção de estender a toda a Igreja latina a possibilidade de celebrar a Santa Missa e os Sacramentos segundo os livros litúrgicos promulgados pelo Beato João XXIII em 1962. Por esta liturgia, que nunca foi abolida, e que , como dissemos, é considerada um tesouro, existe hoje um novo e renovado interesse e, também por esta razão o Santo Padre pensa que chegou o tempo de facilitar, como o quis a primeira Comissão Cardinalícia em 1986, o acesso a esta liturgia fazendo dela uma forma extraordinária do único rito Romano.

(...)

O projeto do Santo Padre foi já parcialmente provado em Campos onde a coabitação pacífica das duas formas do único rito romano na Igreja é uma bela realidade.

Intervenção do cardeal Darío Castrillón Hoyos em Aparecida
Presidente da Comissão Pontifícia «Ecclesia Dei»

16 de maio de 2007

Defesa de ideais

"Qualquer forma de intimidação deve ser respondida com total força, dentro da legitimidade. O diálogo de Chamberlain com o Nazismo levou às primeiras grandes agressões deste câncer que mudou a face da história no século XX. Nossa atitude deve se pautar pela mais forte defesa de ideais não importante a que nível, com força total, dentro da lei."

Professores da USP: Elcio Abdalla, Raul Abramo, Sylvio Ferraz Mello, Renata Zukanovich Funchal, Mahir Saleh Hussein, Antonio F. R. de Toledo Piza, Antonio Martins Figueiredo Neto, Mário José de Oliveira, João Carlos Alves Barata.

Não há acordo sobre o bem social

"Esquecemos que, enquanto concordamos sobre o abuso das coisas, devemos discordar bastante sobre o seu uso."

"Todos podemos ver a loucura nacional; mas o que é sanidade nacional?"

"O que está errado é que não perguntamos o que está certo."

G. K. Chesterton (1874-1936), escritor inglês

Falácias sociológicas

O fato de todo homem ser um bípede não faz de cinquenta homens um centípede.

G. K. Chesterton (1874-1936), escritor inglês

Relembrando o que é a Missa

"(...) a própria Igreja se vê na contingência de relembrar a sacerdotes e leigos que a Missa é o Sacrifício de Cristo renovado e que o sacerdócio comum dos fiéis não se confunde nem substitui o sacerdócio hierárquico."

Alexandre Oliveira

O sopro divino é a vida dos espíritos

O Espírito Santo, o Paráclito, o Defensor, é Aquele que, como um sopro, o Pai e o Filho enviam à alma dos justos. É por Ele que somos santificados e merecemos ser santos. O sopro humano é a vida dos corpos; o sopro divino é a vida dos espíritos. O sopro humano torna-nos sensíveis; o sopro divino torna-nos santos. Este Espírito é Santo, porque, sem ele, nenhum espírito – nem angélico nem humano – pode ser santo.

Santo Antônio (c. 1195-1231), franciscano, doutor da Igreja
Sermões para os domingos e as festas dos santos

Um ovo de serpente

Por muito tempo, criamos um ovo de serpente na Rússia, esse colosso com armas nucleares do Oriente. No último final de semana, as tropas de choque em Moscou e São Petersburgo espancaram manifestantes pró-democracia para assegurar “a lei e a ordem nas ruas”. E então descobrimos, de forma trágica, que a democracia russa, que apoiamos todos esses anos, não é uma democracia no final das contas. A televisão russa, controlada pelo Estado, ignorou os manifestantes, exceto para dizer que foram provavelmente financiados de fora do país. De fato, Michael Gorbachev disse que a CIA envia rotineiramente “dinheiro para forças de oposição” em certos países. E adicionou: “Isso provavelmente explica por que tais organizações estão brotando como cogumelos na [Rússia]”. Na realidade, é claro, os Estados Unidos doaram bilhões para privatizar e democratizar o país. Praticamente demos bilhões para a própria KGB através de várias organizações de fachada. Conseqüentemente, os russos aproveitaram esses bilhões e, agora, estão se rearmando.

Jeffrey Nyquist

Pressões intensas

“A própria ênfase... na aquisição de sucesso material, que marca tanto nossa sociedade, também gera pressões intensas para que ele ocorra o mais breve possível. Vencer uma eleição, aumentar a renda, vender mais que os concorrentes – motivações assim levam muitos a participar de formas de impostura às quais, de outra forma, poderiam resistir.”

Sissela Bok

15 de maio de 2007

Ditadura do relativismo

Se a liberdade é absoluta e a verdade relativa – portanto, todas as idéias são igualmente aceitas –, por que os defensores da liberdade relativa e da verdade absoluta são perseguidos? Então a liberdade não é tão absoluta, nem a verdade tão relativa!

Rafael Vitola Brodbeck

O papel da mulher na Igreja

«Maria é a rainha dos apóstolos sem pretender para si os poderes apostólicos. Qualquer reflexão sobre o feminino, sobre o papel da mulher na Igreja e na sociedade deve partir de uma mariologia mais aprofundada.»

Sandra Ferreira Ribero

Apologia ao crime e escândalo

Dom Antonio Juan Baseotto C. SS. R., ordinário militar para a Argentina, em 2005 advertiu o ministro da Saúde argentino de que poderia incorrer em «apologia do delito de homicídio» por propiciar essa prática mediante a entrega de «fármacos conhecidos como abortivos».

O prelado também lhe assinalou que, ao vê-lo distribuir publicamente preservativos entre os jovens, veio-lhe à memória a frase evangélica na qual «nosso Senhor afirma que ‘os que escandalizam os pequenos merecem ser amarrados a uma pedra de moinho no pescoço e lançados ao mar’».

Fonte: ZENIT

Ele dá o saber e o querer

O Espírito Santo é o sustento que nos reconforta no caminho da pátria, é o vinho que nos alegra na tribulação, o óleo que adoça as amarguras da vida. Faltava este triplo socorro aos apóstolos que deviam ir pregar no mundo inteiro. Por isso Jesus lhes enviou o Espírito Santo. Ficaram cheios dele – cheios, para que os espíritos impuros não pudessem ter qualquer acesso a eles: quando um copo está bem cheio, não se pode por nada nele.

O Espírito Santo “vos ensinará” (Jo 16,13), para que vós saibais; ele vos sugerirá, para que vós queirais. Ele dá o saber e o querer; juntemos o nosso “poder”, na medida das nossas forças, e seremos templos do Santo Espírito (1Co 6,19).

Santo Antônio (cerca 1195-1231), franciscano, doutor da Igreja
Sermões para os domingos e as festas dos santos

Sob a proteção de Deus

Esse "Estado laico", no qual eles tanto falam, invoca a proteção de Deus no preâmbulo de sua Constituição. O preâmbulo não é juridicamente irrelevante. Ele serve de chave de interpretação para todos os artigos que lhe seguem. Ou seja: tudo o que a nossa Carta Magna prescreve supõe a obediência a Deus, cujo nome foi mencionado no início.

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

Preâmbulo da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988: "Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL."

Uma nação inimiga de Deus

Legalizar ou não o aborto não é a mesma coisa. A diferença é enorme.

Uma coisa é você viver em uma nação cheia de criminosos que infringem a lei. Outra coisa é você viver numa nação criminosa, onde o crime já se tornou lei.

Uma coisa é você não conseguir combater o aborto com as forças policiais. Outra coisa bem diferente é você declarar que a matança dos inocentes não deve ser combatida porque é um direito do cidadão matar seus filhos.

Uma coisa é a justiça estar apenas no papel, mas não na prática. Outra coisa muitíssimo pior é a justiça não estar nem sequer no papel, mas ser trocada por uma lei injusta.

Uma coisa é haver indivíduos, por numerosos que sejam, que não honram as leis justas da pátria. Outra coisa muito mais grave é uma pátria nem ao menos ter leis justas para serem honradas.

Uma coisa é o crime de muitos brasileiros contra a vida. Outra coisa é o crime da própria nação brasileira contra o direito sagrado e inviolável à vida.

Recordando as palavras de Dom Manoel Pestana, Bispo emérito de Anápolis, uma nação que legaliza o aborto não merece subsistir.

A partir do dia em que o aborto se tornar lei, não haverá apenas uma mudança quantitativa nos assassinatos intra-uterinos. Haverá uma mudança qualitativa essencial: o Brasil se terá tornado formalmente uma nação inimiga de Deus.

Que nenhum de nós concorra, por atos ou omissões, para que tal desgraça aconteça.

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

14 de maio de 2007

A religião latinoamericana vem aí

“Conversei com o papa sobre a necessidade da integração religiosa na América Latina, porque a Igreja Católica na América Latina também tem um peso muito importante. Nós estamos, já há algum tempo, falando em integração da América Latina, integração cultural, integração social, integração energética, integração de ferrovia, tudo. É importante que haja uma integração religiosa.” (Luís Inácio da Silva, vulgo "Lula")

"Hein? Parece que Lula quer refundar a Igreja Católica, criando a sua versão subcontinental. Não sei se, com efeito, falou isso ao papa. Caso tenha falado, imagino o que pensou Bento 16... O adjetivo “católica” quer dizer, rigorosamente, “universal”. O papa veio ao Brasil, para desespero da mídia anticatólica, justamente para reafirmar a unidade da sua igreja. Ela é Una e Uma onde quer que esteja e aonde quer que chegue. Não existe uma teologia da libertação, uma teologia indígena, uma teologia negra, uma teologia latino-americana. Existe a teologia da religião revelada — ESTA NÃO É UMA OPINIÃO MINHA; ISSO É PARTE DO CREDO CATÓLICO. A Igreja Católica latino-americana não precisa se integrar porque está integrada em Cristo e no corpo místico da própria igreja." (Reinaldo Azevedo)

O ópio dos intelectuais

“A religião é o ópio do povo.” (Karl Marx)

“O marxismo é o ópio dos intelectuais.” (Raymond Aron)

Laxismo

substantivo masculino

1 tendência ou atitude que consiste em relaxar ou limitar as interdições estipuladas pela moral cristã

Obs.: p.opos. a rigorismo

2 Derivação: por extensão de sentido.
sistema moral inspirado nessa tendência ou atitude

3 Derivação: por extensão de sentido.
ausência de restrições morais, tolerância excessiva, permissividade

Pronunciamentos do Papa no Brasil

O website do Vaticano possui a íntegra dos pronunciamentos do Papa por ocasião de sua Viagem Apostólica ao Brasil por ocasião da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe (9-14 de maio de 2007).

Endereço:

http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/travels/2007/index_brasile_po.htm

Uso do latim na liturgia

Alguns textos do Magistério sobre o uso do latim na liturgia:

"A Língua Latina é a língua própria da Igreja Romana" (Papa São Pio X, Encíclica Inter Pastoralis Officii).

"O uso da Língua Latina é um claro e nobre indício de unidade e um eficaz antídoto contra todas as corruptelas da pura doutrina." (Papa Pio XII, Encíclica Mediator Dei, nº 53)

"Que o antigo uso da Língua Latina seja mantido, e onde houver caído quase em abandono, seja absolutamente restabelecido. – Ninguém por afã de novidade escreva contra o uso da Língua Latina nos sagrados ritos da Liturgia." (Papa João XXIII, Encíclica Veterum Sapientia).

"Deve conservar-se o uso do latim nos ritos latinos, salvo o direito particular." (Concílio Ecumênico Vaticano II, Constituição Sacrosanctum Concilium, nº 36, § 1)

"Providencie-se que os fiéis possam juntamente rezar ou cantar em Língua Latina as partes do Ordinário que lhes competem." (Concílio Ecumênico Vaticano II, Constituição Sacrosanctum Concilium, nº 54)

"Faça-se a celebração eucarística em língua latina ou outra língua, contanto que os textos litúrgicos tenham sido legitimamente aprovados." (Código de Direito Canônico, Cân. 928)

"Missa se celebre quer em língua latina ou quer noutra língua, contanto que se usem textos litúrgicos que têm sido aprovados, de acordo com as normas do direito. Excetuadas as Celebrações da Missa que, de acordo com as horas e os momentos, a autoridade eclesiástica estabelece que se façam na língua do povo, sempre e em qualquer lugar é lícito aos sacerdotes celebrar o santo Sacrifício em latim." (Instrução Redemptionis Sacramentum, nº 112)

"O que acabo de afirmar não deve, porém, ofuscar o valor destas grandes liturgias; penso neste momento, em particular, às celebrações que têm lugar durante encontros internacionais, cada vez mais frequentes hoje, e que devem justamente ser valorizadas. A fim de exprimir melhor a unidade e a universalidade da Igreja, quero recomendar o que foi sugerido pelo Sínodo dos Bispos, em sintonia com as directrizes do Concílio Vaticano II: exceptuando as leituras, a homilia e a oração dos fiéis, é bom que tais celebrações sejam em língua latina; sejam igualmente recitadas em latim as orações mais conhecidas da tradição da Igreja e, eventualmente, entoadas algumas partes em canto gregoriano. A nível geral, peço que os futuros sacerdotes sejam preparados, desde o tempo do seminário, para compreender e celebrar a Santa Missa em latim, bem como para usar textos latinos e entoar o canto gregoriano; nem se transcure a possibilidade de formar os próprios fiéis para saberem, em latim, as orações mais comuns e cantarem, em gregoriano, determinadas partes da liturgia" (Papa Bento XVI, Exortação Apostólica Pós-Sinodal Sacramentum Caritatis, nº 62).

"Se alguém disser que o rito da Igreja Romana (...) só se deve celebrar a Missa em língua corrente [vernácula](...), seja excomungado" (Concílio de Trento, Cânones sobre o Santíssimo Sacrifício da Missa, cânon 9).

As palavras do Papa João Paulo II em sua belíssima Encíclia Ecclesia de Eucharistia, § 9: "Como não admirar as exposições doutrinais dos decretos sobre a Santíssima Eucaristia e sobre o Santo Sacrifício da Missa promulgados pelo Concílio de Trento? Aquelas páginas guiaram a teologia e a catequese nos séculos sucessivos, permanecendo ainda como ponto de referência dogmático para a incessante renovação e crescimento do povo de Deus na sua fé e amor à Eucaristia".

A mais profética das aparições modernas

Ao celebrar-se o nonagésimo aniversário das Aparições de Nossa Senhora de Fátima, Bento XVI pôs nas mãos da Virgem Maria os povos e nações, em particular aqueles que sofrem situações particularmente difíceis.

De 13 de maio a 13 de outubro de 1917, três pastorzinhos, Lúcia dos Santos, de dez anos, e seus dois primos Francisco Marto, de nove anos, e Jacinta, de sete, foram testemunhas das aparições e mensagens de Maria.

«Com seu veemente chamado à conversão e à penitência é, sem dúvida, a mais profética das aparições modernas», disse o Papa neste domingo após presidir a missa de inauguração da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe.

«Peçamos à Mãe da Igreja, a ela que conhece os sofrimentos e as esperanças da humanidade, que proteja nossos lares e nossas comunidades.»

«De modo especial, confiamos-lhe aqueles povos e nações que têm particular necessidade, e o fazemos com a certeza de que não deixará de atender as súplicas que com filial devoção lhe dirigimos.»

Fé em Deus Amor

A autêntica riqueza da América Latina consiste na «fé em Deus Amor», assegurou Bento XVI neste domingo, na missa de inauguração da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe.

«Este é o rico tesouro do continente Latino-Americano; este é seu patrimônio mais valioso: a fé em Deus Amor, que revelou seu rosto em Jesus Cristo.»

«A Igreja se sente discípula e missionária desse Amor: missionária somente enquanto discípula, ou seja, capaz de deixar-se atrair sempre, com renovado ardor, por Deus que nos amou e nos ama primeiro.»

«Vós credes no Deus Amor: esta é vossa força que vence o mundo, a alegria que nada nem ninguém vos poderá arrebatar, a paz que Cristo conquistou para vós com sua Cruz! Esta é a fé que fez da América Latina o 'continente da esperança'.»

«Não é uma ideologia política, nem um movimento social, como tampouco um sistema econômico; é a fé em Deus Amor, encarnado, morto e ressuscitado em Jesus Cristo, o autêntico fundamento dessa esperança que produziu frutos tão magníficos desde a primeira evangelização até hoje.»

«Eu vos confirmo e, com palavras desta V Conferência, digo-vos: 'sede discípulos fiéis, para ser missionários valentes e eficazes'.»

Fundaram Igrejas em cada cidade

Cristo Jesus nosso Senhor, durante a sua estadia na terra, declarou ele próprio o que era, o que tinha sido, de que vontade do Pai era servidor, qual o dever que ele prescrevia ao homem. Ele tanto dizia isso abertamente à multidão, como à parte, dirigindo-se aos seus discípulos, dos quais escolhera doze principais, para viverem a seu lado, e que ele destinava para ensinar às nações. Depois da queda de um deles, ordenou aos outros onze, no momento de partir para a casa do Pai, depois da ressurreição, que fossem ensinar às nações e as batizassem em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28,19).

Assim, pois, os apóstolos – esta palavra significa "enviados" – incluíram um décimo segundo, tirado à sorte, Matias, para substituir Judas, apoiando-se na profecia do salmo de David. Receberam a força do Espírito Santo que lhes tinha sido prometido para realizarem milagres e falar outras línguas. Atestaram a fé em Jesus Cristo, primeiro através da Judéia, onde fundaram Igrejas. Depois partiram através do mundo e promulgaram pelas nações o mesmo ensino da fé.

Depois fundaram Igrejas em cada cidade, às quais, em seguida, outras Igrejas pediram emprestadas a estaca da fé e as sementes da doutrina… O que prova a sua unidade, é que elas comunicam na paz, que os seus membros se chamam irmãos, e que elas praticam reciprocamente a hospitalidade. Esta construção não tem outro fundamento a não ser a tradição única de um mesmo mistério. O que os apóstolos pregaram, foi o que Cristo lhes tinha revelado, e isso apenas deve ser garantido por essas mesmas Igrejas, que os próprios apóstolos fundaram, pregando-lhes de viva voz, como se disse, e em seguida por cartas.

Tertuliano (155? - 220?), teólogo
A prescrição contra os heréticos

11 de maio de 2007

O católico tem um conjunto de princípios

Ninguém nasce católico. A pessoa se torna católica pelo batismo. Tem, ao longo da vida, a chance de reafirmar ou não a sua fé. Pode deixar o rebanho da Igreja. Para permanecer nele, há alguns preceitos fundamentais a seguir. Ora, se o catolicismo está, como querem, em declínio; se seus fundamentos morais são considerados incompatíveis com a vida moderna; se alguém pretende fazer proselitismo do que, para a Igreja, é abominável, que a deixe então — ou que seja deixado por ela. Quando o papa acena com a excomunhão para os que fazem a defesa do aborto, lembra que o católico tem um conjunto de princípios.

Reinaldo Azevedo

10 de maio de 2007

Valores radicalmente cristãos que jamais serão cancelados

"Estou muito feliz por poder passar alguns dias com os brasileiros. Sei que a alma deste povo, bem como de toda a América Latina, conserva valores radicalmente cristãos que jamais serão cancelados. E estou certo que em Aparecida, durante a Conferência Geral do Episcopado, será reforçada tal identidade, ao promover o respeito pela vida, desde a sua concepção até o seu natural declínio, como exigência própria da natureza humana; fará também da promoção da pessoa humana o eixo da solidariedade, especialmente com os pobres e desamparados.

A Igreja quer apenas indicar os valores morais de cada situação e formar os cidadãos para que possam decidir consciente e livremente; neste sentido, não deixará de insistir no empenho que deverá ser dado para assegurar o fortalecimento da família - como célula mãe da sociedade; da juventude - cuja formação constitui um fator decisivo para o futuro de uma Nação - e, finalmente, mas não por último, defendendo e promovendo os valores subjacentes em todos os segmentos da sociedade, especialmente dos povos indígenas."

Papa Bento XVI, em visita ao Brasil

Um homem cheio de morais

Um homem cheio de "morais" é aquele que tem uma moral "enquanto indivíduo", outra moral "enquanto chefe de governo"; mais uma moral "enquanto militante de partido".

Reinaldo Azevedo

A Igreja é santa

Os cristãos confessam que a Igreja de Cristo é una, santa, católica e apostólica.

A Igreja é santa: o Deus Santíssimo é seu autor; Cristo, seu esposo, se entregou por ela para santificá-la; o Espírito de santidade a vivifica.

Embora congregue pecadores, ela é "imaculada (feita) de maculados" ("ex maculatis immaculata").

Fonte: Catecismo da Igreja Católica, 823 a 829.

Egoísmo e medo

O papa Bento 16 alertou na quarta-feira que políticos católicos podem ser excomungados caso apóiem o aborto.

O papa foi questionado se apoiava os líderes eclesiásticos mexicanos que ameaçaram excomungar parlamentares esquerdistas que no mês passado aprovaram a legalização do aborto na Cidade do México.

"Sim, esta excomunhão não seria arbitrária, mas sim permitida pela lei canônica, que diz que matar uma criança inocente é incompatível com receber a comunhão, que é receber o corpo de Cristo", disse ele.

"Eles [líderes da Igreja mexicana] não fizeram nada de novo, surpreendente ou arbitrário. Eles simplesmente anunciaram publicamente o que está contido na lei da Igreja, que expressa nossa apreciação pela vida e que a individualidade humana, a personalidade humana estão presentes desde o primeiro momento."

Pela lei eclesiástica, quem propositalmente fizer ou apoiar algo que a Igreja considera um pecado grave, como o aborto, impõe a si mesmo uma "excomunhão automática".

O papa disse que os parlamentares que votam a favor do aborto têm "dúvidas sobre o valor da vida e a beleza da vida, e mesmo uma dúvida sobre o futuro".

"O egoísmo e o medo estão na raiz da legislação [pró-aborto]", disse ele. "Nós, da Igreja, temos uma grande luta para defender a vida. A vida é um presente, não uma ameaça."

9 de maio de 2007

Afastamento de fiéis

Notícia de "O Globo Online":

"A Igreja Católica não vai arredar pé de condenar o sexo antes do casamento, mesmo que a contrapartida da defesa das doutrinas seja o afastamento de fiéis."

Esses esquerdistas... Realmente não têm vergonha de escrever incoerências.

Não existe "fiel afastado". E quem se afasta não é fiel.

Poderia, no máximo, dizer-se "perda de fiéis" ou "conversão de fiéis sem convicção em infiéis convictos".

Quando Jesus mandou os apóstolos pregar o Evangelho, ele disse: "quem crer será salvo, mas quem não crer será condenado".

Que o fato de a Igreja continuar este mandato cause repulsa aos que estão à esquerda de Deus, é compreensível.

O que não é compreensível é alguém aceitar que o oposto pudesse ser verdadeiro, ou seja, que a Igreja pregasse o "liberou geral" para manter aqueles que são fiéis... do liberalismo.

Aí sim, iria afastar os fiéis. Fiéis a Deus.

8 de maio de 2007

A paz

Poderíamos gozar de grande paz se não não nos importássemos com o que dizem e fazem os outros e que não nos diz respeito.

Imitação de Cristo

30 de abril de 2007

Nenhum obstáculo poderá impedir

«Que a certeza de que Cristo não nos abandona e de que nenhum obstáculo poderá impedir a realização de seu desígnio de salvação seja para vós um motivo de constante consolo, em particular no dia de dificuldade, e de inquebrantável esperança. A bondade do Senhor está sempre convosco e é forte.»

Papa Bento XVI a novos sacerdotes
29 de abril de 2007

Fonte: ZENIT

26 de abril de 2007

Sem ditaduras religiosas católicas

"Não há uma só ditadura religiosa católica no mundo. Onde quer que o catolicismo seja majoritário ou conviva com outras denominações cristãs, existe liberdade de credo."

Reinaldo Azevedo

Medo

“O povo foi domado aos poucos,
E tudo foi lacrado.
Ensinado a gritar quando deveria estar silente,
Quieto ficou quando deveria esbravejar”.

(Poema “Medo” de Yevtushenko)

23 de abril de 2007

O fundamento em que nos apoiamos é a fé

O fundamento em que nos apoiamos é a fé. Sem fé, inútil esperar conseguir qualquer conforto espiritual... Que suporte poderia dar a Sagrada Escritura a alguém que não acreditasse que ela é a Palavra de Deus e que essa Palavra é verdadeira? Encontra-se nela bem pouco proveito se não se acredita que é a Palavra de Deus ou se, mesmo admitindo-o, se pensa que ela pode conter erros! Segundo a fé é mais ou menos forte, assim as palavras da Sagrada Escritura farão mais ou menos bem.

Esta virtude da fé, nenhum homem a pode adquirir por si mesmo, nem a pode dar a outro... A fé é um dom gratuito de Deus e, tal como diz S. Tiago: "Todo o bem, toda a perfeição vem-nos do alto, do Pai das luzes" (Tg 1,17). É por isso que nós, que por muitas razões sentimos que a nossa fé é fraca, Lhe pedimos que a fortaleça.

S. Tomás More (1478-1535), estadista inglês, mártir
Diálogo do Reconforto nas Tribulações

19 de abril de 2007

Quem é da terra à terra pertence

Este ensinamento que Jesus fez a Nicodemos nos mostra a divindade de Cristo, o Seu relacionamento com o Pai e o Espírito Santo, e a participação que têm na vida eterna de Deus aqueles que acreditam em Jesus Cristo. Fora da fé não há luz nem qualquer esperança de salvação.

"Aquele que vem do Alto está acima de tudo. Quem é da terra à terra pertence e fala da terra. Aquele que vem do Céu está acima de tudo e dá testemunho daquilo que viu e ouviu, mas ninguém aceita o seu testemunho. Quem aceita o seu testemunho reconhece que Deus é verdadeiro; pois aquele que Deus enviou transmite as palavras de Deus, porque dá o Espírito sem medida. O Pai ama o Filho e tudo põe na sua mão. Quem crê no Filho tem a vida eterna; quem se nega a crer no Filho não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus."

(Evangelho segundo S. João 3,31-36.)
São João Crisóstomo comentou:
"Aqueles que temem a Deus não correm perigo algum, mas somente aqueles que não o temem."



12 de abril de 2007

Entrai na esperança

“Ele próprio Se colocou no meio deles e disse-lhes: ‘A paz esteja convosco’”

Temos, mais do que nunca, necessidade de ouvir estas palavras de Cristo ressuscitado: “Nada receeis!” (Mt 28, 10). É uma necessidade para o homem dos nossos dias […], que não cessa de ter medo no seu foro íntimo, e tem razões para isso […]. Como é uma necessidade para todos os povos e para as nações do mundo inteiro. É preciso que, na consciência de cada ser humano, se reforce a certeza de que existe Alguém que tem nas mãos o destino deste mundo que passa, Alguém que detém as chaves da morte e do inferno (Ap, 1, 18), Alguém que é o Alfa e o Ómega da história do homem (Ap 22, 13), quer da individual, quer da colectiva; e, sobretudo, a certeza de que este Alguém é Amor, o Amor encarnado, o Amor crucificado e ressuscitado, o Amor incessantemente presente no meio dos homens! Ele é o Amor eucarístico. Ele é uma fonte inesgotável de comunhão. Ele é o único em quem podemos acreditar sem a menor reserva quando nos pede: “Nada receeis!”

João Paulo II, Papa entre 1978 e 2005

11 de abril de 2007

Habita entre nós

O próprio Salvador, que a Palavra da Escritura coloca diante dos nossos olhos na sua humanidade, mostrando-no-Lo em todos os caminhos que percorreu nesta terra, habita entre nós escondido sob as aparências do pão eucarístico, vem todos os dias até nós como Pão da Vida. Nestes dois aspectos, torna-Se próximo de nós e sob estes dois aspectos deseja que O procuremos e O encontremos. Um chama o outro. Quando vemos o Salvador diante de nós com os olhos da fé, tal como a Escritura no-Lo retrata, aumenta o nosso desejo de O acolher em nós no Pão da Vida. Por sua vez, o pão eucarístico aviva o nosso desejo de conhecer o Senhor sempre com maior profundidade, a partir da Palavra da Escritura, e dá forças ao nosso espírito, com vista a uma melhor compreensão.

Santa Teresa Benedita da Cruz [Edith Stein] (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Edith_Stein

http://www.gesuiti.it/moscati/Brazil/Pr_Stein_Gar1.html

1 de abril de 2007

A consciência moral

"A consciência moral, como diz o Catecismo da Igreja Católica, é um juízo da razão, pelo qual a pessoa humana reconhece a qualidade moral de um ato concreto que vai praticar, que está prestes a executar ou que já realizou. Em tudo quanto diz e faz, o homem está obrigado a seguir fielmente o que sabe que é justo e reto" (n. 1778).

Desta definição sobressai o fato de que a consciência moral, para ser capaz de orientar retamente o comportamento humano, deve em primeiro lugar alicerçar-se no fundamento sólido da verdade, ou seja, deve ser iluminada para reconhecer o verdadeiro valor das ações e a consciência dos critérios de avaliação, de maneira a saber distinguir o bem do mal, também onde o ambiente social, o pluralismo cultural e os interesses sobrepostos não contribuem para isto.

A formação de uma consciência autêntica, porque está fundamentada na verdade, e reta, porque determinada a seguir os seus preceitos sem quaisquer contradições, sem atraiçoamentos e sem compromissos, constitui hoje em dia um empreendimento difícil e delicado, mas imprescindível. E trata-se de uma empresa, infelizmente, impedida por diversos fatores. Antes de mais nada, na atual fase da secularização chamada pós-moderna e caracterizada por inquestionáveis formas de tolerância, não somente aumenta a rejeição da tradição cristã, mas desconfia-se inclusive da capacidade que a razão tem de compreender a verdade e as pessoas afastam-se do gosto pela reflexão. Na opinião de alguns, para ser livre, a consciência individual deveria até renunciar tanto às referências às tradições como às que se fundamentam na razão. Desta forma a consciência, um ato da razão que tem em vista da verdade acerca das coisas, cessa de ser luz e torna-se um simples pano de fundo sobre o qual a sociedade dos meios de comunicação lança as imagens e os impulsos mais contraditórios.

Papa Bento XVI

22 de março de 2007

O Espírito Santo virá sobre ti

"O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra (Lc 1, 35)." Num autêntico paralelismo, duas imagens, provenientes de diferentes tramas da tradição, descrevem o mistério e o indizível, estando superpostas, parte por parte.

A primeira imagem faz alusão ao relato da Criação (Gn 1, 2) e caracteriza o acontecimento como uma nova criação: o Deus, cujo espírito planava sobre os abismos, criou o ser do vazio, do nada; Ele, o Espírito Criador, é o fundamento, a base de tudo o que existe; este Deus inaugura, pois, uma nova criação a partir da antiga criação e nela. Assim, firme e absolutamente caracterizada se instala a ruptura radical com o passado. Este novo momento significa a vinda de Cristo.

A segunda imagem - o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra - pertence à Teologia do culto de Israel que remete à nuvem espessa, que com a sua sombra cobre o Templo de Deus, indicando, assim, a presença de Deus. Maria aparece como sendo a tenda santa, sobre a qual a presença oculta de Deus torna-se eficaz.

Cardeal Joseph Ratzinger (papa Bento XVI)
La Fille de Sion (A filha de Sião)

21 de março de 2007

O Anjo do Senhor anunciou a Maria

Eis o que cita o Evangelista: O anjo, entrando onde estava Maria - sem dúvida, em sua casa -, disse-lhe: Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo (Lc 1, 28)!

Entrando na casa da Virgem, mas onde, em que lugar? Acho que foi no recôndito de seu modesto quartinho onde, sempre, com a porta fechada, Maria se retirava para rezar ao Pai. Os anjos costumam estar ao lado daqueles que estão em oração e apreciam estar na companhia daqueles que rezam, erguendo as mãos puras para o Céu, sendo uma alegria muito grande, para eles, oferecer a Deus, em suave odor, o sacrifício do seu santo fervor.

Quanto à Maria, qual não seria o preço, o valor de suas orações aos olhos do Altíssimo? O anjo sabia muito bem, saudando-a, com todo o respeito, logo ao entrar em seu quarto.

O anjo não enfrentou nenhuma dificuldade em adentrar a porta fechada onde a Virgem Maria se mantinha retirada, em oração: a sutileza e argúcia de sua natureza permitem-lhe entrar seja aonde for, sem que nenhuma fechadura de ferro seja obstáculo à sua Missão. Para os espíritos evangélicos, as muralhas não representam impedimento: qualquer objeto visível se apaga diante delas e não existe corpo tão resistente nem tão espesso que não lhes seja permeável.

Não podemos imaginar, pois, que o anjo tenha encontrado a porta aberta, porque a Virgem, certamente, evitava e se afastava da companhia dos homens e desviava-se de suas conversas para que nada perturbasse o silêncio de suas orações nem colocasse em perigo a sua castidade. Sendo muito prudente, ela tinha sido, naquela hora, bastante prudente, igualmente - sendo a prudência, uma característica sua - e fechara-se sob quatro portas; fechara-se aos homens, mas não aos anjos.

Assim, o anjo pôde entrar em sua casa, mas nenhum homem tinha livre acesso a ela.

São Bernardo de Claraval
Trecho da terceira Homilia Super Missus

16 de março de 2007

Os dois mandamentos do amor

Pergunta: Para começar, pedimos que nos digam se os mandamentos de Deus se seguem por uma certa ordem. Há um primeiro, um segundo, um terceiro, e por aí fora?...

Resposta: O próprio Senhor determinou a ordem por que devem ser guardados os seus mandamentos. O primeiro e o maior é aquele que diz respeito à caridade para com Deus, e o segundo, que se lhe assemelha, ou, mais precisamente, o complementa e é sua consequência, diz respeito ao amor ao próximo...

Pergunta: Falai primeiro do amor de Deus. Está claro que é preciso amar a Deus, mas como devemos amá-lO?...

Resposta: O amor a Deus não se ensina. Ninguém nos ensinou a aproveitar a luz ou a defender a vida acima de tudo; também ninguém nos ensinou a amar os que nos puseram no mundo ou nos educaram. Do mesmo modo, ou ainda com mais forte razão, não é um ensinamento exterior que nos ensina a amar a Deus. Na própria natureza do ser vivo – quero dizer do homem – é deposta uma espécie de germe que contém em si o princípio dessa aptidão para amar. É à escola dos mandamentos de Deus que compete recolher esse germe, cultivá-lo diligentemente, alimentá-lo com zelo, e dilatá-lo mediante a graça divina.
Aprovo o vosso zelo, é indispensável ao propósito... É preciso saber que esta virtude da caridade é uma, mas que potencialmente ela abarca todos os mandamentos: «Pois aquele que me ama, diz o Senhor, cumpre os meus mandamentos» (Jo 14,23), e ainda : «nestes dois mandamentos está contida toda a lei e os profetas» (Mt 22,40).

S. Basílio (c. 330-379), monge e bispo de Cesareia, na Capadócia, doutor da Igreja
Igreja Grandes regras monásticas, Q 1-2

8 de março de 2007

A Igreja não é lugar para anarquia

VATICANO, 07 Mar. 07 (ACI)

Milhares de fiéis se reuniram na Sala Paulo VI para participar da Audiência Geral com o Papa Bento XVI, quem em sua catequese sobre os padres apostólicos pedindo que as autoridades sejam dóceis ao plano de Deus.

Aprofundando sobre a figura de São Clemente, Papa, o Santo Padre disse que "a autoridade e prestígio deste Bispo de Roma eram tais que lhe foram atribuídos diversos textos" e entre estes uma carta que "constitui um primeiro exercício do Primaz romano depois da morte de são Pedro".

Nesta, São Clemente recorda que "o Senhor nos previne e doa o perdão, doa-nos seu amor, a graça de sermos cristãos, seus irmãos e irmãs".

"É um anúncio que enche de gozo nossa vida e dá segurança a nosso atuar: o Senhor nos previne sempre com sua bondade e a bondade do Senhor é sempre maior que todos nossos pecados", continuou o Pontífice.

Deste modo São Clemente reflete sobre seu ideal de Igreja "reunidos pelo único Espírito de graça infundida sobre nós, que se manifesta nos diversos membros do Corpo de Cristo, no qual, todos, unidos sem separação alguma, são membros uns dos outros".

Também existe na carta uma nítida distinção entre o laico e a hierarquia, que certamente "não significa para nada uma contraposição, mas somente uma conexão orgânica de um corpo, de um organismo, com as diversas funções".

"A Igreja -prosseguiu- não é lugar de confusão nem de anarquia: cada um neste organismo, com uma estrutura articulada, exercita seu ministério segundo a vocação recebida".

Para o final de sua catequese o Pontífice destacou a referência de São Clemente às autoridades, quem rezando por elas "reconhece a legitimidade das instituições políticas na ordem estabelecida por Deus; ao tempo que manifesta a preocupação que as autoridades sejam dóceis a Deus e exercitem o poder que Deus lhes deu na paz e na mansidão com piedade".

6 de março de 2007

A alma se abrasa de um amor inefável

[Disse Deus a Santa Catarina:] Pedes-me para Me conheceres e Me amares, a Mim, a Verdade suprema. Eis a via para quem quer chegar a conhecer-Me perfeitamente e a experimentar-Me, a Mim, a Verdade eterna: nunca abandones o conhecimento de ti mesma e, abaixada até ao vale da humildade, em ti mesma Me conhecerás. E desse conhecimento retirarás tudo quanto te faz falta, tudo aquilo de que precisas. Nenhuma virtude tem vida em si mesma, se a não tirar da caridade; ora, a humildade é a ama e a governanta da caridade. No conhecimento de ti mesma te tornarás humilde, pois por ele verás que nada és por ti mesma e que o teu ser vem de Mim, pois Eu amei-vos antes de que vós existísseis. Foi por causa deste amor inefável que tive por vós que, querendo voltar a criar-vos pela graça, vos lavei e vos recriei no sangue derramado por Meu Filho único com tão grande fogo de amor.

Só este sangue, e apenas ele, dá a conhecer a verdade àquele que, por via desse conhecimento de si mesmo, dissipou a névoa do amor próprio. É então que, nesse conhecimento de Mim Mesmo, a alma se abrasa de um amor inefável, e é devido a este amor que sofre uma dor contínua. Não é uma dor que a aflija ou a seque (longe disso dado que, pelo contrário, a fecunda); mas, por ter conhecido a Minha verdade, os seus próprios pecados, a ingratidão e a cegueira do próximo causam-lhe uma dor intolerável. Aflige-se porque Me ama pois, se não Me amasse, não se afligiria.

Santa Catarina de Sena (1347-1380), terceira dominicana, Doutora da Igreja, co-padroeira da Europa; Diálogos, cap. 4