14 de maio de 2007

Pronunciamentos do Papa no Brasil

O website do Vaticano possui a íntegra dos pronunciamentos do Papa por ocasião de sua Viagem Apostólica ao Brasil por ocasião da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe (9-14 de maio de 2007).

Endereço:

http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/travels/2007/index_brasile_po.htm

Uso do latim na liturgia

Alguns textos do Magistério sobre o uso do latim na liturgia:

"A Língua Latina é a língua própria da Igreja Romana" (Papa São Pio X, Encíclica Inter Pastoralis Officii).

"O uso da Língua Latina é um claro e nobre indício de unidade e um eficaz antídoto contra todas as corruptelas da pura doutrina." (Papa Pio XII, Encíclica Mediator Dei, nº 53)

"Que o antigo uso da Língua Latina seja mantido, e onde houver caído quase em abandono, seja absolutamente restabelecido. – Ninguém por afã de novidade escreva contra o uso da Língua Latina nos sagrados ritos da Liturgia." (Papa João XXIII, Encíclica Veterum Sapientia).

"Deve conservar-se o uso do latim nos ritos latinos, salvo o direito particular." (Concílio Ecumênico Vaticano II, Constituição Sacrosanctum Concilium, nº 36, § 1)

"Providencie-se que os fiéis possam juntamente rezar ou cantar em Língua Latina as partes do Ordinário que lhes competem." (Concílio Ecumênico Vaticano II, Constituição Sacrosanctum Concilium, nº 54)

"Faça-se a celebração eucarística em língua latina ou outra língua, contanto que os textos litúrgicos tenham sido legitimamente aprovados." (Código de Direito Canônico, Cân. 928)

"Missa se celebre quer em língua latina ou quer noutra língua, contanto que se usem textos litúrgicos que têm sido aprovados, de acordo com as normas do direito. Excetuadas as Celebrações da Missa que, de acordo com as horas e os momentos, a autoridade eclesiástica estabelece que se façam na língua do povo, sempre e em qualquer lugar é lícito aos sacerdotes celebrar o santo Sacrifício em latim." (Instrução Redemptionis Sacramentum, nº 112)

"O que acabo de afirmar não deve, porém, ofuscar o valor destas grandes liturgias; penso neste momento, em particular, às celebrações que têm lugar durante encontros internacionais, cada vez mais frequentes hoje, e que devem justamente ser valorizadas. A fim de exprimir melhor a unidade e a universalidade da Igreja, quero recomendar o que foi sugerido pelo Sínodo dos Bispos, em sintonia com as directrizes do Concílio Vaticano II: exceptuando as leituras, a homilia e a oração dos fiéis, é bom que tais celebrações sejam em língua latina; sejam igualmente recitadas em latim as orações mais conhecidas da tradição da Igreja e, eventualmente, entoadas algumas partes em canto gregoriano. A nível geral, peço que os futuros sacerdotes sejam preparados, desde o tempo do seminário, para compreender e celebrar a Santa Missa em latim, bem como para usar textos latinos e entoar o canto gregoriano; nem se transcure a possibilidade de formar os próprios fiéis para saberem, em latim, as orações mais comuns e cantarem, em gregoriano, determinadas partes da liturgia" (Papa Bento XVI, Exortação Apostólica Pós-Sinodal Sacramentum Caritatis, nº 62).

"Se alguém disser que o rito da Igreja Romana (...) só se deve celebrar a Missa em língua corrente [vernácula](...), seja excomungado" (Concílio de Trento, Cânones sobre o Santíssimo Sacrifício da Missa, cânon 9).

As palavras do Papa João Paulo II em sua belíssima Encíclia Ecclesia de Eucharistia, § 9: "Como não admirar as exposições doutrinais dos decretos sobre a Santíssima Eucaristia e sobre o Santo Sacrifício da Missa promulgados pelo Concílio de Trento? Aquelas páginas guiaram a teologia e a catequese nos séculos sucessivos, permanecendo ainda como ponto de referência dogmático para a incessante renovação e crescimento do povo de Deus na sua fé e amor à Eucaristia".

A mais profética das aparições modernas

Ao celebrar-se o nonagésimo aniversário das Aparições de Nossa Senhora de Fátima, Bento XVI pôs nas mãos da Virgem Maria os povos e nações, em particular aqueles que sofrem situações particularmente difíceis.

De 13 de maio a 13 de outubro de 1917, três pastorzinhos, Lúcia dos Santos, de dez anos, e seus dois primos Francisco Marto, de nove anos, e Jacinta, de sete, foram testemunhas das aparições e mensagens de Maria.

«Com seu veemente chamado à conversão e à penitência é, sem dúvida, a mais profética das aparições modernas», disse o Papa neste domingo após presidir a missa de inauguração da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe.

«Peçamos à Mãe da Igreja, a ela que conhece os sofrimentos e as esperanças da humanidade, que proteja nossos lares e nossas comunidades.»

«De modo especial, confiamos-lhe aqueles povos e nações que têm particular necessidade, e o fazemos com a certeza de que não deixará de atender as súplicas que com filial devoção lhe dirigimos.»

Fé em Deus Amor

A autêntica riqueza da América Latina consiste na «fé em Deus Amor», assegurou Bento XVI neste domingo, na missa de inauguração da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe.

«Este é o rico tesouro do continente Latino-Americano; este é seu patrimônio mais valioso: a fé em Deus Amor, que revelou seu rosto em Jesus Cristo.»

«A Igreja se sente discípula e missionária desse Amor: missionária somente enquanto discípula, ou seja, capaz de deixar-se atrair sempre, com renovado ardor, por Deus que nos amou e nos ama primeiro.»

«Vós credes no Deus Amor: esta é vossa força que vence o mundo, a alegria que nada nem ninguém vos poderá arrebatar, a paz que Cristo conquistou para vós com sua Cruz! Esta é a fé que fez da América Latina o 'continente da esperança'.»

«Não é uma ideologia política, nem um movimento social, como tampouco um sistema econômico; é a fé em Deus Amor, encarnado, morto e ressuscitado em Jesus Cristo, o autêntico fundamento dessa esperança que produziu frutos tão magníficos desde a primeira evangelização até hoje.»

«Eu vos confirmo e, com palavras desta V Conferência, digo-vos: 'sede discípulos fiéis, para ser missionários valentes e eficazes'.»

Fundaram Igrejas em cada cidade

Cristo Jesus nosso Senhor, durante a sua estadia na terra, declarou ele próprio o que era, o que tinha sido, de que vontade do Pai era servidor, qual o dever que ele prescrevia ao homem. Ele tanto dizia isso abertamente à multidão, como à parte, dirigindo-se aos seus discípulos, dos quais escolhera doze principais, para viverem a seu lado, e que ele destinava para ensinar às nações. Depois da queda de um deles, ordenou aos outros onze, no momento de partir para a casa do Pai, depois da ressurreição, que fossem ensinar às nações e as batizassem em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28,19).

Assim, pois, os apóstolos – esta palavra significa "enviados" – incluíram um décimo segundo, tirado à sorte, Matias, para substituir Judas, apoiando-se na profecia do salmo de David. Receberam a força do Espírito Santo que lhes tinha sido prometido para realizarem milagres e falar outras línguas. Atestaram a fé em Jesus Cristo, primeiro através da Judéia, onde fundaram Igrejas. Depois partiram através do mundo e promulgaram pelas nações o mesmo ensino da fé.

Depois fundaram Igrejas em cada cidade, às quais, em seguida, outras Igrejas pediram emprestadas a estaca da fé e as sementes da doutrina… O que prova a sua unidade, é que elas comunicam na paz, que os seus membros se chamam irmãos, e que elas praticam reciprocamente a hospitalidade. Esta construção não tem outro fundamento a não ser a tradição única de um mesmo mistério. O que os apóstolos pregaram, foi o que Cristo lhes tinha revelado, e isso apenas deve ser garantido por essas mesmas Igrejas, que os próprios apóstolos fundaram, pregando-lhes de viva voz, como se disse, e em seguida por cartas.

Tertuliano (155? - 220?), teólogo
A prescrição contra os heréticos

11 de maio de 2007

O católico tem um conjunto de princípios

Ninguém nasce católico. A pessoa se torna católica pelo batismo. Tem, ao longo da vida, a chance de reafirmar ou não a sua fé. Pode deixar o rebanho da Igreja. Para permanecer nele, há alguns preceitos fundamentais a seguir. Ora, se o catolicismo está, como querem, em declínio; se seus fundamentos morais são considerados incompatíveis com a vida moderna; se alguém pretende fazer proselitismo do que, para a Igreja, é abominável, que a deixe então — ou que seja deixado por ela. Quando o papa acena com a excomunhão para os que fazem a defesa do aborto, lembra que o católico tem um conjunto de princípios.

Reinaldo Azevedo

10 de maio de 2007

Valores radicalmente cristãos que jamais serão cancelados

"Estou muito feliz por poder passar alguns dias com os brasileiros. Sei que a alma deste povo, bem como de toda a América Latina, conserva valores radicalmente cristãos que jamais serão cancelados. E estou certo que em Aparecida, durante a Conferência Geral do Episcopado, será reforçada tal identidade, ao promover o respeito pela vida, desde a sua concepção até o seu natural declínio, como exigência própria da natureza humana; fará também da promoção da pessoa humana o eixo da solidariedade, especialmente com os pobres e desamparados.

A Igreja quer apenas indicar os valores morais de cada situação e formar os cidadãos para que possam decidir consciente e livremente; neste sentido, não deixará de insistir no empenho que deverá ser dado para assegurar o fortalecimento da família - como célula mãe da sociedade; da juventude - cuja formação constitui um fator decisivo para o futuro de uma Nação - e, finalmente, mas não por último, defendendo e promovendo os valores subjacentes em todos os segmentos da sociedade, especialmente dos povos indígenas."

Papa Bento XVI, em visita ao Brasil

Um homem cheio de morais

Um homem cheio de "morais" é aquele que tem uma moral "enquanto indivíduo", outra moral "enquanto chefe de governo"; mais uma moral "enquanto militante de partido".

Reinaldo Azevedo

A Igreja é santa

Os cristãos confessam que a Igreja de Cristo é una, santa, católica e apostólica.

A Igreja é santa: o Deus Santíssimo é seu autor; Cristo, seu esposo, se entregou por ela para santificá-la; o Espírito de santidade a vivifica.

Embora congregue pecadores, ela é "imaculada (feita) de maculados" ("ex maculatis immaculata").

Fonte: Catecismo da Igreja Católica, 823 a 829.

Egoísmo e medo

O papa Bento 16 alertou na quarta-feira que políticos católicos podem ser excomungados caso apóiem o aborto.

O papa foi questionado se apoiava os líderes eclesiásticos mexicanos que ameaçaram excomungar parlamentares esquerdistas que no mês passado aprovaram a legalização do aborto na Cidade do México.

"Sim, esta excomunhão não seria arbitrária, mas sim permitida pela lei canônica, que diz que matar uma criança inocente é incompatível com receber a comunhão, que é receber o corpo de Cristo", disse ele.

"Eles [líderes da Igreja mexicana] não fizeram nada de novo, surpreendente ou arbitrário. Eles simplesmente anunciaram publicamente o que está contido na lei da Igreja, que expressa nossa apreciação pela vida e que a individualidade humana, a personalidade humana estão presentes desde o primeiro momento."

Pela lei eclesiástica, quem propositalmente fizer ou apoiar algo que a Igreja considera um pecado grave, como o aborto, impõe a si mesmo uma "excomunhão automática".

O papa disse que os parlamentares que votam a favor do aborto têm "dúvidas sobre o valor da vida e a beleza da vida, e mesmo uma dúvida sobre o futuro".

"O egoísmo e o medo estão na raiz da legislação [pró-aborto]", disse ele. "Nós, da Igreja, temos uma grande luta para defender a vida. A vida é um presente, não uma ameaça."

9 de maio de 2007

Afastamento de fiéis

Notícia de "O Globo Online":

"A Igreja Católica não vai arredar pé de condenar o sexo antes do casamento, mesmo que a contrapartida da defesa das doutrinas seja o afastamento de fiéis."

Esses esquerdistas... Realmente não têm vergonha de escrever incoerências.

Não existe "fiel afastado". E quem se afasta não é fiel.

Poderia, no máximo, dizer-se "perda de fiéis" ou "conversão de fiéis sem convicção em infiéis convictos".

Quando Jesus mandou os apóstolos pregar o Evangelho, ele disse: "quem crer será salvo, mas quem não crer será condenado".

Que o fato de a Igreja continuar este mandato cause repulsa aos que estão à esquerda de Deus, é compreensível.

O que não é compreensível é alguém aceitar que o oposto pudesse ser verdadeiro, ou seja, que a Igreja pregasse o "liberou geral" para manter aqueles que são fiéis... do liberalismo.

Aí sim, iria afastar os fiéis. Fiéis a Deus.

8 de maio de 2007

A paz

Poderíamos gozar de grande paz se não não nos importássemos com o que dizem e fazem os outros e que não nos diz respeito.

Imitação de Cristo

30 de abril de 2007

Nenhum obstáculo poderá impedir

«Que a certeza de que Cristo não nos abandona e de que nenhum obstáculo poderá impedir a realização de seu desígnio de salvação seja para vós um motivo de constante consolo, em particular no dia de dificuldade, e de inquebrantável esperança. A bondade do Senhor está sempre convosco e é forte.»

Papa Bento XVI a novos sacerdotes
29 de abril de 2007

Fonte: ZENIT

26 de abril de 2007

Sem ditaduras religiosas católicas

"Não há uma só ditadura religiosa católica no mundo. Onde quer que o catolicismo seja majoritário ou conviva com outras denominações cristãs, existe liberdade de credo."

Reinaldo Azevedo

Medo

“O povo foi domado aos poucos,
E tudo foi lacrado.
Ensinado a gritar quando deveria estar silente,
Quieto ficou quando deveria esbravejar”.

(Poema “Medo” de Yevtushenko)

23 de abril de 2007

O fundamento em que nos apoiamos é a fé

O fundamento em que nos apoiamos é a fé. Sem fé, inútil esperar conseguir qualquer conforto espiritual... Que suporte poderia dar a Sagrada Escritura a alguém que não acreditasse que ela é a Palavra de Deus e que essa Palavra é verdadeira? Encontra-se nela bem pouco proveito se não se acredita que é a Palavra de Deus ou se, mesmo admitindo-o, se pensa que ela pode conter erros! Segundo a fé é mais ou menos forte, assim as palavras da Sagrada Escritura farão mais ou menos bem.

Esta virtude da fé, nenhum homem a pode adquirir por si mesmo, nem a pode dar a outro... A fé é um dom gratuito de Deus e, tal como diz S. Tiago: "Todo o bem, toda a perfeição vem-nos do alto, do Pai das luzes" (Tg 1,17). É por isso que nós, que por muitas razões sentimos que a nossa fé é fraca, Lhe pedimos que a fortaleça.

S. Tomás More (1478-1535), estadista inglês, mártir
Diálogo do Reconforto nas Tribulações

19 de abril de 2007

Quem é da terra à terra pertence

Este ensinamento que Jesus fez a Nicodemos nos mostra a divindade de Cristo, o Seu relacionamento com o Pai e o Espírito Santo, e a participação que têm na vida eterna de Deus aqueles que acreditam em Jesus Cristo. Fora da fé não há luz nem qualquer esperança de salvação.

"Aquele que vem do Alto está acima de tudo. Quem é da terra à terra pertence e fala da terra. Aquele que vem do Céu está acima de tudo e dá testemunho daquilo que viu e ouviu, mas ninguém aceita o seu testemunho. Quem aceita o seu testemunho reconhece que Deus é verdadeiro; pois aquele que Deus enviou transmite as palavras de Deus, porque dá o Espírito sem medida. O Pai ama o Filho e tudo põe na sua mão. Quem crê no Filho tem a vida eterna; quem se nega a crer no Filho não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus."

(Evangelho segundo S. João 3,31-36.)
São João Crisóstomo comentou:
"Aqueles que temem a Deus não correm perigo algum, mas somente aqueles que não o temem."



12 de abril de 2007

Entrai na esperança

“Ele próprio Se colocou no meio deles e disse-lhes: ‘A paz esteja convosco’”

Temos, mais do que nunca, necessidade de ouvir estas palavras de Cristo ressuscitado: “Nada receeis!” (Mt 28, 10). É uma necessidade para o homem dos nossos dias […], que não cessa de ter medo no seu foro íntimo, e tem razões para isso […]. Como é uma necessidade para todos os povos e para as nações do mundo inteiro. É preciso que, na consciência de cada ser humano, se reforce a certeza de que existe Alguém que tem nas mãos o destino deste mundo que passa, Alguém que detém as chaves da morte e do inferno (Ap, 1, 18), Alguém que é o Alfa e o Ómega da história do homem (Ap 22, 13), quer da individual, quer da colectiva; e, sobretudo, a certeza de que este Alguém é Amor, o Amor encarnado, o Amor crucificado e ressuscitado, o Amor incessantemente presente no meio dos homens! Ele é o Amor eucarístico. Ele é uma fonte inesgotável de comunhão. Ele é o único em quem podemos acreditar sem a menor reserva quando nos pede: “Nada receeis!”

João Paulo II, Papa entre 1978 e 2005

11 de abril de 2007

Habita entre nós

O próprio Salvador, que a Palavra da Escritura coloca diante dos nossos olhos na sua humanidade, mostrando-no-Lo em todos os caminhos que percorreu nesta terra, habita entre nós escondido sob as aparências do pão eucarístico, vem todos os dias até nós como Pão da Vida. Nestes dois aspectos, torna-Se próximo de nós e sob estes dois aspectos deseja que O procuremos e O encontremos. Um chama o outro. Quando vemos o Salvador diante de nós com os olhos da fé, tal como a Escritura no-Lo retrata, aumenta o nosso desejo de O acolher em nós no Pão da Vida. Por sua vez, o pão eucarístico aviva o nosso desejo de conhecer o Senhor sempre com maior profundidade, a partir da Palavra da Escritura, e dá forças ao nosso espírito, com vista a uma melhor compreensão.

Santa Teresa Benedita da Cruz [Edith Stein] (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Edith_Stein

http://www.gesuiti.it/moscati/Brazil/Pr_Stein_Gar1.html

1 de abril de 2007

A consciência moral

"A consciência moral, como diz o Catecismo da Igreja Católica, é um juízo da razão, pelo qual a pessoa humana reconhece a qualidade moral de um ato concreto que vai praticar, que está prestes a executar ou que já realizou. Em tudo quanto diz e faz, o homem está obrigado a seguir fielmente o que sabe que é justo e reto" (n. 1778).

Desta definição sobressai o fato de que a consciência moral, para ser capaz de orientar retamente o comportamento humano, deve em primeiro lugar alicerçar-se no fundamento sólido da verdade, ou seja, deve ser iluminada para reconhecer o verdadeiro valor das ações e a consciência dos critérios de avaliação, de maneira a saber distinguir o bem do mal, também onde o ambiente social, o pluralismo cultural e os interesses sobrepostos não contribuem para isto.

A formação de uma consciência autêntica, porque está fundamentada na verdade, e reta, porque determinada a seguir os seus preceitos sem quaisquer contradições, sem atraiçoamentos e sem compromissos, constitui hoje em dia um empreendimento difícil e delicado, mas imprescindível. E trata-se de uma empresa, infelizmente, impedida por diversos fatores. Antes de mais nada, na atual fase da secularização chamada pós-moderna e caracterizada por inquestionáveis formas de tolerância, não somente aumenta a rejeição da tradição cristã, mas desconfia-se inclusive da capacidade que a razão tem de compreender a verdade e as pessoas afastam-se do gosto pela reflexão. Na opinião de alguns, para ser livre, a consciência individual deveria até renunciar tanto às referências às tradições como às que se fundamentam na razão. Desta forma a consciência, um ato da razão que tem em vista da verdade acerca das coisas, cessa de ser luz e torna-se um simples pano de fundo sobre o qual a sociedade dos meios de comunicação lança as imagens e os impulsos mais contraditórios.

Papa Bento XVI