22 de janeiro de 2007

O pecado contra o Espírito Santo

Porque é que a «blasfémia» contra o Espírito Santo é imperdoável? Em que sentido se deve entender esta «blasfémia»? S. Tomás de Aquino responde que se trata da um pecado «imperdoável por sua própria natureza, porque exclui aqueles elementos graças aos quais é concedida a remissão dos pecados».

Segundo uma tal exegese, a «blasfémia» não consiste propriamente em ofender o Espírito Santo com palavras; consiste, antes, na recusa de aceitar a salvação que Deus oferece ao homem, mediante o mesmo Espírito Santo agindo em virtude do sacrifício da Cruz. Se o homem rejeita o deixar-se «convencer quanto ao pecado», que provém do Espírito Santo e tem carácter salvífico, ele rejeita contemporaneamente a «vinda» do Consolador: aquela «vinda» que se efectuou no mistério da Páscoa, em união com o poder redentor do Sangue de Cristo: o Sangue que «purifica a consciência das obras mortas».

Sabemos que o fruto desta purificação é a remissão dos pecados. Por conseguinte, quem rejeita o Espírito e o Sangue permanece nas «obras mortas», no pecado. E a «blasfémia contra o Espírito Santo» consiste exactamente na recusa radical de aceitar esta remissão, de que Ele é o dispensador íntimo e que pressupõe a conversão verdadeira, por Ele operada na consciência. Se Jesus diz que o pecado contra o Espírito Santo não pode ser perdoado nem nesta vida nem na futura, é porque esta «não-remissão» está ligada, como à sua causa, à «não-penitência», isto é, à recusa radical a converter-se. Isto equivale a uma recusa radical de ir até às fontes da Redenção; estas, porém, permanecem «sempre» abertas na economia da salvação, na qual se realiza a missão do Espírito Santo. Este tem o poder infinito de haurir destas fontes: «receberá do que é meu», disse Jesus.

Deste modo, Ele completa nas almas humanas a obra da Redenção, operada por Cristo, distribuindo os seus frutos. Ora a blasfêmia contra o Espírito Santo é o pecado cometido pelo homem, que reivindica o seu pretenso «direito» de perseverar no mal - em qualquer pecado - e recusa por isso mesmo a Redenção. O homem fica fechado no pecado, tornando impossível da sua parte a própria conversão e também, consequentemente, a remissão dos pecados, que considera não essencial ou não importante para a sua vida. É uma situação de ruína espiritual, porque a blasfémia contra o Espírito Santo não permite ao homem sair da prisão em que ele próprio se fechou e abrir-se às fontes divinas da purificação das consciências e da remissão dos pecados.

João Paulo II
Encíclica « Dominum et vivificantem », § 46 (trad. © Libreria Editrice Vaticana)

10 de janeiro de 2007

Revolução messiânica

"A idéia central da revolução messiânica pode-se resumir em quatro pontos: (I) a humanidade pecadora não será salva por Nosso Senhor Jesus Cristo, mas por ela mesma; (II) o método para alcançar a redenção consiste em matar ou pelo menos subjugar todos os maus, isto é, os ricos; (III) os pobres são inocentes e puros, mas não entendem seu lugar no projeto da salvação e por isso têm de colocar-se sob as ordens de uma elite dirigente, os “santos”; (IV) o morticínio redentor gerará não somente a melhor distribuição das riquezas, mas a eliminação do mal e do pecado, o advento de uma nova humanidade."

Olavo de Carvalho
http://www.olavodecarvalho.org/semana/070108dc.htm

22 de dezembro de 2006

Maria, Mãe da nova humanidade

"O Cristo é um, não pela conversão, pela transformação da Divindade em carne, mas pela assunção da humanidade em Deus."

Santo Atanásio

"No seio da Virgem Maria, uma nova humanidade floresceu. No seio de Maria, a Trindade Eterna suscitou esta nova criação de uma humanidade tão transparente a Deus que o verdadeiro Rosto de Deus pôde, enfim, manifestar-se nela."

Maurice Zundel

21 de dezembro de 2006

O que faziam no presépio a Santíssima Virgem e São José?

Qual era a atitude da Santíssima Virgem e de São José, no presépio? Eles olhavam, contemplavam, admiravam o Menino Jesus. Esta era toda a sua ocupação. Estavam eles, em oração, diante do Santo Sacramento exposto no altar do presépio. Bendiziam e agradeciam o bom Deus que, por amor a todos nós, acabava de nos oferecer seu próprio Filho. Jamais alguém poderá compreender, nem dizer tudo o que se passava, então, no coração de Maria.

São Cura D´Ars

Uma pequena mensagem de Natal

"E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria". (Lc 2,7)

"hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor".(Lc 2,11)

É noite de alegria. Porque, no meio da escuridão, uma Luz resplandeceu. No meio das Trevas, uma Luz brilhou, e todos A vieram contemplar.

O Menino Deus nasceu à noite, porque é na noite que precisamos da luz. Nasceu à noite, para ensinar que era noite na humanidade; uma noite longa que se arrastava por séculos. Era noite desde o pecado de Adão. Todo o mundo jazia no maligno.

Mas uma Luz resplandeceu em meio às Trevas. Na noite de Belém, nos nasceu um Salvador. E aquela Luz brilhou tão forte nas trevas do pecado, que todos A perceberam. Os Reis Magos A perceberam, e vieram adorá-La. Herodes A percebeu, e tentou apagá-La. Porque, em meio às Trevas, é impossível não notar uma Luz resplandecente. Os filhos da Luz buscam-Na e sentem-se à vontade junto a Ela; os filhos das Trevas d'Ela fogem horrorizados, pois têm vergonha das suas obras ímpias, que realizam na escuridão. A Luz atrai os bons e afugenta os maus. Por isso, o Deus Menino nascido em Belém estava destinado a ser um sinal de contradição, como profetizou o velho Simeão.

"Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições" (Lc 2,34)

O Cristo Deus, Unigênito do Pai, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus Verdadeiro do Deus Verdadeiro, veio ao mundo destinado a ser uma causa de queda para muitos. Causa de queda para os que preferissem as Trevas à Luz. Causa de queda para os que, como Herodes, quisessem apagar essa Luz para continuar a viver nas Trevas.

E, neste Natal, somos como os Reis Magos, ou somos como Herodes? Procuramos ao Deus Menino para oferecer-Lhe o melhor que temos, ou fugimos d'Ele e O queremos matar, justamente para que não nos desfaçamos de nossos vícios que nos são tão caros? Desejamos que o Cristo nasça? Ou queremos que Ele não venha, para que possamos viver ainda um pouco mais nas Trevas, ainda um pouco mais no pecado, sem que nossas torpezas sejam postas a descoberto?

Se eu tivesse que escolher, diria que estamos muito mais para Herodes do que para os Reis Magos. Mas eu proponho uma terceira opção: neste Natal, nós somos como as construções, a cujas portas bateram Santa Maria e São José. Construções suntuosas como palácios, ricas demais para perceberem que lhes falta a maior das riquezas. Aconchegantes como hospedarias, animadas demais para perceberem Alguém que precisa de um pouco de atenção. Familiares, como casas, mas fechadas demais sobre si próprias para abrirem a porta a uma Mulher grávida e Seu marido. Ou indignas demais, como estrebarias, inadequadas para receber um Rei.

Mas não importa que construção nós sejamos, não importa se somos palácios ou hospedarias, casas ou estrebarias. Importa que estejamos com Maria. Porque, em Belém, de todas aquelas construções, somente uma teve a honra de abrigar o Filho de Deus feito Homem: aquela na qual se encontrava a Virgem Santa. Que assim seja também conosco. Neste Natal, como naquele primeiro, o Menino Deus só nasce naquelas almas que não negam hospedagem a Maria
Santíssima. Procuremos, pois, abrir as portas de nossa alma a essa Boa Senhora, e Ela, em troca, abrirá para nós as portas do Céu e nos trará Jesus Menino, Luz que resplandece nas trevas, Senhor Nosso e Nosso Salvador.

Um feliz e santo Natal a todos.
Jorge Ferraz

13 de dezembro de 2006

O Dogma da Imaculada Conceição

O Deus inefável,
cujas vias são misericórdia e verdade,
cuja vontade é onipotência,
cuja sabedoria atinge de um extremo ao outro, com força soberana, e dispõe tudo com maravilhosa doçura,
havia previsto desde toda a eternidade, a deplorável ruína para a qual a transgressão de Adão deveria arrastar toda a humanidade;
e, nos segredos profundos de um desígnio, velado a todos os séculos, Ele havia decidido realizar - mistério mais profundo ainda, pela encarnação do Verbo -, a primeira obra de Sua bondade, a fim de que o homem que fora induzido ao pecado, pela malícia e astúcia do demônio,
não perecesse - o que era contrário ao desígnio misericordioso de seu Criador -,
e que a queda de nossa natureza, no primeiro Adão, fosse reparada com vantagem para o segundo.

Ele destinou, pois, para o seu Filho único - desde o início dos tempos, antes de todos os séculos -, a Mãe da qual, tendo se encarnado, ele nasceria, na bendita plenitude dos tempos;
Ele a escolheu, fixando o seu lugar, segundo a ordem de seus desígnios;
Ele a amou acima de todas as criaturas, com um amor tal, de predileção,
que nela colocou, de maneira singular, todas as suas maiores complacências.

Eis porque, indo buscar nos tesouros de sua divindade, Ele a cumulou, bem mais que a qualquer espírito angelical, bem mais que a qualquer santo, com a abundância de todas as graças celestiais e a enriqueceu com tal e maravilhosa exuberância, fazendo com que ela se mantivesse, para sempre, imaculada, inteiramente isenta da escravidão do pecado, belíssima, perfeitíssima e em tal plenitude de inocência e santidade, que não podemos conceber, abaixo de Deus, alguém com maior perfeição. E somente Deus, e ninguém mais, é capaz de avaliar a sua grandeza.

(...)

Como conseqüência, após oferecermos incessantemente, na humildade e no jejum, Nossas próprias orações e as orações públicas da Igreja a Deus Pai, por meio de seu Filho, para que se digne, pela virtude do Espírito Santo, dirigir e confirmar o Nosso espírito; após termos implorado o socorro de toda a corte celestial e invocado com lamentos o Espírito Consolador e, assim, por sua divina inspiração, em honra da Santa e indivisível Trindade, para a glória e insígnia da Virgem Mãe de Deus, para a exaltação da fé católica e progresso da religião cristã; pela autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, os bem-aventurados Pedro e Paulo e pela Nossa, declaramos, pronunciamos e definimos que a Doutrina que sustenta que a Santíssima Virgem Maria, no primeiro instante da Sua concepção, foi preservada imune de toda a mancha de culpa original - por singular graça e privilégio de Deus Onipotente, em função dos méritos de Cristo Jesus, Salvador do Gênero humano -, foi revelada por Deus, e, portanto, deve ser firme e constantemente acreditada por todos os fiéis.

Pio IX
Bula Ineffabilis Deus - 8 de dezembro de 1854

12 de dezembro de 2006

Para que nossa fé seja completa

Se nós admitimos que o Filho tenha sido criado pelo Pai, admitimos, igualmente, seu nascimento por meio de Maria, para que nossa fé seja completa.

Qual seria o motivo da Encarnação de Jesus? Este, indubitavelmente: a carne que havia pecado deveria ser resgatada pela mesma carne.

Santo Ambrósio (340 - 397)

6 de dezembro de 2006

São Nicolau

6 de Dezembro

O Santo deste dia é São Nicolau, muito amado pelos cristãos e alvo de
inúmeras lendas. Nicolau nasceu na Ásia Menor, pelo ano de 275, filho de
pais ricos, mas com uma profunda vida de oração. Tornou-se sacerdote da
diocese de Mira, onde com amor evangelizou os pagãos, mesmo no clima de
perseguição em que viviam os cristãos.

São Nicolau é conhecido principalmente para com os pobres, já que ao receber
por herança uma grande quantia de dinheiro, livremente partilhou com os
necessitados. Certa vez, Nicolau sabendo que três pobres moças não tinham os
dotes para o casamento e por isso o próprio pai, na loucura, aconselhou-lhes
a prostituição, atirou pela janela da casa das moças três bolsas com o
dinheiro suficiente para os dotes das jovens. Daí que nos países do Norte da
Europa, através da fantasia, viram em Nicolau o velho de barbas brancas que
levava presentes às crianças no mês de dezembro.

Sagrado bispo de Mira, Nicolau conquistou todos com sua caridade, zelo,
espírito de oração, e carisma de milagres. Historiadores relatam que ao ser
preso, por causa da perseguição dos cristãos, Nicolau foi torturado e
condenado à morte, mas felizmente salvou-se em 313, pois foi publicado o
edital de Milão que concedia a liberdade religiosa.

São Nicolau participou no Concílio de Niceia, onde Jesus foi declarado
consubstancial ao Pai. Partiu para o céu em 342 ao morrer em Mira com fama
de santidade e de instrumento de Deus para que muitos milagres chegassem ao
povo.

Fonte: Evangelho Quotidiano

5 de dezembro de 2006

Muitos virão sentar-se à mesa do banquete

Concílio Vaticano II -- Constituição sobre a Igreja no mundo actual "Gaudium et Spes"

"Do Oriente e do Ocidente, muitos virão sentar-se à mesa do banquete... no Reino do Céu"

«Imagem de Deus invisível» (Col. 1,15), Cristo é o homem perfeito, que restitui aos filhos de Adão semelhança divina, deformada desde o primeiro pecado. Já que, n'Ele, a natureza humana foi assumida, e não destruída, por isso mesmo também em nós foi ela elevada a sublime dignidade. Porque, pela sua encarnação, Ele, o Filho de Deus, uniu-se de certo modo a cada homem. Trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, excepto no pecado (He 4,15)...

O cristão, tornado conforme à imagem do Filho que é o primogénito entre a multidão dos irmãos (Ro 8,29)), recebe «as primícias do Espírito» (Rom. 8,23), que o tornam capaz de cumprir a lei nova do amor. Por meio deste Espírito, «penhor da herança (Ef. 1,14), o homem todo é renovado interiormente, até à «redenção do corpo» (Rom. 8,23)... É verdade que para o cristão é uma necessidade e um dever lutar contra o mal através de muitas tribulações, e sofrer a morte; mas, associado ao mistério pascal, e configurado à morte de Cristo, vai ao encontro da ressurreição, fortalecido pela esperança.

E o que fica dito, vale não só dos cristãos, mas de todos os homens de boa vontade, em cujos corações a graça opera ocultamente. Com efeito, já que por todos morreu Cristo (Ro 8,32) e a vocação última de todos os homens é realmente uma só, a saber, a divina, devemos manter que o Espírito Santo a todos dá a possibilidade de se associarem a este mistério pascal por um modo só de Deus conhecido.

24 de novembro de 2006

Quem se humilha será exaltado

"Quem se humilha será exaltado e quem se exalta será humilhado" (Mt 23,12)... Imitemos o Senhor que desceu do céu até à última humilhação e que, em recompensa, foi exaltado, desde o ínfimo lugar até à altura que lhe convinha. Descobramos tudo o que o Senhor nos ensina para nos conduzir à humildade.

Ainda menino, ei-lo já numa gruta, deitado não num berço mas numa mangedoura. Na casa de um operário e de uma mãe sem recursos, submeteu-se à mãe e ao seu esposo. Deixando-se ensinar, escutando aqueles de quem não tinha precisão, ele interrogava; contudo, de tal forma que, pelas suas interrogações, as pessoas espantavam-se com a sua sabedoria. Submete-se a João e o Mestre recebe o baptismo das mãos do servo. Nunca resistiu aos que se erguiam contra ele e não exibiu o seu poder invencível para se libertar das mãos que o prendiam, mas deixou-se levar, como um impotente, e na medida em que achou bem entregou-se nas mãos de um poder efémero. Compareceu diante do sumo-sacerdote na qualidade de acusado; conduzido diante do governador, submeteu-se ao seu julgamento e, quando podia responder aos caluniadores, suportou em silêncio as suas calúnias. Coberto de escarros por escravos e vis criados, foi enfim entregue à morte, a uma morte infamante aos olhos dos homens. Eis como se desenrolou a sua vida de homem, desde o nascimento até ao fim. Mas, depois de uma tal humilhação, fez brilhar a sua glória... Imitemo-lo para chegarmos, também nós, à glória eterna.


S. Basílio (cerca de 330 - 379), monge e bispo de Cesareia na Capadócia, doutor da Igreja.

Homilia sobre a humildade, 5-6

Fonte: Evangelho Quotidiano

16 de novembro de 2006

O Reino de Deus está no meio de nós e dentro de nós

Tal como disse o nosso Senhor e Salvador: "O Reino de Deus vem sem que se possa notar. Não se dirá: 'Ei-lo, está aqui' ou 'Está ali'. Porque o Reino de Deus está dentro de vós". Com efeito, "está bem perto de nós, essa Palavra, está na nossa boca e no nosso coração" (Dt 30,14). Sendo assim, é evidente que aquele que reza para que venha o Reino de Deus tem razão em pedir que esse reino de Deus germine, dê fruto e se realize dentro de si próprio. Em todos os santos em quem Deus reina e que obedecem às suas leis espirituais, ele habita como que numa cidade bem organizada. O Pai está presente nele e Cristo reina com o Pai nessa alma perfeita, tal como Ele mesmo disse: "Viremos a ele e faremos nele a nossa morada" (Jo 14,23).

Uma vez que estamos sempre a progredir, o Reino de Deus que está em nós atingirá a sua perfeição quando a palavra do apóstolo Paulo se cumprir: Cristo, "depois de ter submetido" todos os seus inimigos, "deporá o seu poder real nas mãos de Deus Pai, para que Deus seja tudo em todos" (1Co 15,28). É por isso que, rezando sem desanimar, com disposições divinizadas pelo Vebo, nós dizemos: "Pai nosso que estás nos céus, que o teu nome seja santificado, que o teu Reino venha" (Mt 6,9).


Orígenes (cerca de 185 - 253), presbítero e teólogo -- Tratado sobre a oração.

Fonte: Evangelho Quotidiano

Maria é o novo mundo preparado para receber o novo Adão

Antes de formar o primeiro homem, Deus tinha-lhe preparado o magnífico palácio da criação. Colocado no Paraíso, o homem se deixou expulsar por causa da sua desobediência, e tornou-se, com todos os seus descendentes, presa da corrupção. Mas, Aquele que é rico em misericórdia, teve piedade da obra de Suas próprias Mãos, e decidiu criar um novo céu, uma nova terra, um novo mar para servir de morada ao Incompreensível, desejoso de reformar o gênero humano.

O que é este mundo novo, esta nova criação? A bem-aventurada Virgem Maria é o céu que mostra o sol da justiça, a terra que produz o rio da vida, o mar que traz a pérola espiritual... Como este mundo é magnífico! Como esta geração é admirável, com a sua bela vegetação de virtudes, e suas flores odoríficas da virgindade!... O que há de mais puro, de mais irrepreensível que a Virgem?

Deus, luz soberana e imaculada, nela encontrou tantos encantos que se uniu, substancialmente, a ela, por meio da descida do Espírito Santo. Maria é a terra sobre a qual o espinho do pecado não conseguiu sequer florescer. Ao contrário, ela produziu o rebento, por meio do qual, o pecado foi completamente extirpado.

(...)

Maria é uma terra que não foi amaldiçoada como a primeira, aquela, fecunda em espinhos e cardos. Sobre ela, ao contrário, desceu a bênção do Senhor e seu fruto é bendito, como cita o divino oráculo.

Agora, de posse da bem-aventurada imortalidade, A Santa Virgem ergue para Deus - para a salvação do mundo - as suas mãos, estas que embalaram Deus... Branca e pura pomba, erguida em seu vôo até o mais alto dos céus, ela não cessa de proteger nossa região inferior. Ela nos deixou fisicamente, mas está conosco em espírito; no Céu, a Virgem Santa coloca os demônios em fuga, tendo-se tornado nossa mediadora junto ao Pai. Outrora, a morte, introduzida no mundo por meio de Eva, estreitou-a sob o seu penoso império; hoje, lançando-se sobre a bem-aventurada filha de u´a mãe cheia de culpa, a morte foi expulsa; e sua derrota surgiu de onde, dantes, surgira o seu poder...

Ó Virgem, eu vos vejo adormecida e não morta: vós fostes assunta, da terra ao Céu e, não obstante, não cessais de proteger o gênero humano... Mãe, permanecestes virgem, porque "Ele era Deus, aquele a quem vós destes à luz". Assim atua, igualmente, vossa "morte viva", tão diferente da nossa: somente vós - o que é mais do que justo - tendes o corpo e a alma íntegros, puros, incorruptos.

De São Teodoro Studita -- Os Mais belos textos sobre a Virgem Maria -- Apresentados por Padre Pie Régamey (1946) .

31 de outubro de 2006

Eu farei de vós pescadores de homens

Orígenes (c. 185-253), sacerdote e teólogo
Contra Celso, I, 62

A palavra dos apóstolos Simão e Judas ressoou por toda a terra

Se Jesus tivesse escolhido para ministros dos seus ensinamentos homens sábios segundo a opinião pública, capazes de compreender e de exprimir ideias caras à multidão, poderiam tê-lo acusado de pregar segundo o método dos filósofos de escola, e o carácter divino da sua doutrina não se teria mostrado com toda a sua evidência. A sua doutrina e a sua pregação teriam consistido “em sabedoria de palavras” (1 Cor 1, 17) […]; e a nossa fé, semelhante àquela com que se adere às doutrinas dos filósofos deste mundo, assentaria na sabedoria dos homens e não no poder de Deus (cf. 1 Cor 2, 5). Mas, quando vemos pescadores e publicanos sem instrução terem a ousadia de discutir com os judeus a fé em Jesus Cristo, de a pregar ao resto do mundo, e de conseguir lá chegar, não podemos deixar de procurar a origem deste poder de persuasão. Como não podemos deixar de confessar que Jesus cumpriu a sua palavra – “Vinde após Mim e Eu farei de vós pescadores de homens” (Mt 4, 19) – nos seus apóstolos por meio de um poder divino.

Também Paulo manifesta este poder quando escreve: “A minha palavra e a minha pregação não consistiram em discursos persuasivos da sabedoria humana, mas na manifestação do Espírito e do poder divino” (1 Cor 2, 4) […]. O mesmo haviam já dito os profetas, quando anunciavam antecipadamente a pregação do Evangelho: “O Senhor dá a palavra e os anunciadores da Boa Nova são uma multidão”, a fim de que “rápida corra a sua palavra” (Sl 67, 12; 147, 4). E, de facto, vemos que “a voz” dos apóstolos de Jesus ressoa “por toda a terra, até aos confins do universo a sua palavra” (Sl 18, 5; Rom 10, 18). Eis por que motivo aqueles que escutam a palavra de Deus poderosamente enunciada se enchem, eles mesmos, de poder; e manifestam-no pela sua conduta e pela sua luta em prol da verdade até à morte.

Fonte: Evangelho quotidiano

Eu sou a luz do mundo

Jean Tauler (c. 1300-1361), dominicano de Estrasburgo
Sermão 10

“Imediatamente o homem começou a ver, e seguia Jesus pelo caminho”

“Eu sou a luz do mundo” (Jo 8, 12). Ele é a luz que dá brilho a todas as luzes da terra: às luzes materiais como o sol, a lua, as estrelas e os sentidos físicos do homem; e também à luz espiritual, à inteligência do homem, graças à qual todas as criaturas devem refluir para a sua origem. Sem este refluxo, estas luzes criadas são, em si mesmas, verdadeiras trevas, comparadas com a luz autêntica por essência, que é luz para o mundo inteiro.

Nosso Senhor disse-nos: “Renuncia à tua luz, que é trevas em comparação com a minha luz, e que me é contrária, porque Eu sou a verdadeira luz e quero dar-te, em troca das tuas trevas, a minha luz eterna, a fim de que ela te pertença como a Mim mesmo, e de que tu tenhas, como Eu mesmo, o Meu ser, a Minha vida, a Minha felicidade e a Minha alegria.”

Qual é, então, o caminho mais curto, que conduz a verdadeira luz? Eis tal caminho: renunciar verdadeiramente a si mesmo, amar e não ter em vista senão só Deus […], não querer em coisa alguma o próprio interesse, mas desejar e procurar somente a honra e a glória de Deus, esperar tudo imediatamente de Deus e, sem desvio nem intermediário, a Ele remeter todas as coisas, venham de onde vierem, a fim de que haja entre Deus e nós um fluxo e um refluxo imediatos. Eis o verdadeiro caminho, o caminho recto.


Fonte: Evangelho quotidiano

Instruções do Cardeal Mindszenty ao povo húngaro

Como seria bom para o Brasil este exemplo!

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O Cardeal Mindszenty, no dia em que foi elevado à dignidade de Príncipe-Primaz, invocando o nome de Deus, adjurou os fiéis nestes termos: "Sejamos um povo de orações. Se reaprendermos a rezar, iremos possuir uma fonte inesgotável de força e de confiança. Eu deposito minha confiança nessas milhões de orações dos peregrinos e no terço de minha Mãe."

Em 1948 o Cardeal declara: "Meu voto, meu desejo mais profundo é que um milhão de famílias húngaras tomem o terço nas mãos e rezem a Maria." E, em uma de suas cartas pastorais: "Nós vemos a Mão de Deus nos acontecimentos da História, - mesmo nos perigos e nas tormentas - "É por este motivo que a nossa confiança n´Ele jamais se enfraquecerá. É por este motivo que nós vos conclamamos a colocar o vosso destino - por meio de Maria - nas mãos de Deus. Voltemos às mais antigas fontes do nosso Patrimônio Húngaro! Vamos dar à Virgem Maria o nome de rainha, para que ela tome o nosso destino em suas mãos."

Ouvi a prece que fez à Mãe de Deus: "Maria, nossa Mãe, o que nós suportamos em angústias, oferecemos em expiação. Que os suspiros e lágrimas, o medo, a amargura, o mudo lamento do mundo sirvam de expiação para nossos pecados. Estamos prestes a sofrer, Mãe dolorosa, tanto quanto teu Filho julgue necessário para a nossa salvação. Entretanto, nós te suplicamos, reerga a nação sofrida como Jó e mostra que tu continuas a ser a nossa Mãe."

P.Werenfried van Straaten,
Dans l’Homme nouveau de 15.06.1975

Fonte: Um minuto com Maria

O Rosário de Grignion de Montfort

Missionário, Grignon de Montfort subia o Rio Sena em uma embarcação cumulada de, pelo menos, umas 200 pessoas a se acotovelarem, rindo grosseiramente, cantando canções lascivas. Há pouco engajado neste vaivém de comerciantes de gado e peixeiros, o senhor de Montfort começa por ajustar o seu crucifixo, na ponta do próprio bastão. Em seguida, prostrando-se, grita: "Aqueles que amam Jesus Cristo, juntem-se a mim, para adorá-Lo."

Balançares desdenhosos de ombros, risadas e chacotas o acolheram. Então, voltando-se para o Irmão Nicolas, disse: "De joelhos, recitemos o Rosário!" Sob uma avalanche de deboches, os dois homens, cabeças descobertas, rostos concentrados e tranqüilos, desfiavam as Ave-Marias. Assim que terminaram o primeiro terço do Rosário, o Santo se levantou e com a voz doce convidou a assistência a se unir a ele para invocar Maria. Ninguém se mexeu, mas as vaias serenaram no momento em que a oração recomeçava. À medida que as invocações "Santa Maria, rogai por nós, pobres pecadores" se sucediam, o rosto do Santo se transfigurava.

Concluídas as cinco novas dezenas, nota-se em seu olhar tal súplica e, em sua voz, tanta unção e autoridade que, no momento em que conjura a assistência a recitar com ele a terceira parte do Rosário, todos caem de joelhos e repetem docilmente as suas palavras, esquecidas desde a infância. O santo sacerdote pôde então se alegrar: de um teatro de obscenidades, ele fez um santuário; aos lábios acostumados às blasfêmias, ele restituiu o nome de Maria.

Antologia Mariana 1975 p. 12


Fonte: Um minuto com Maria

Celebrar ou não celebrar Halloween?

Entrevista com Paolo Gulisano, autor de um livro sobre o tema

ROMA, segunda-feira, 30 de outubro de 2006 (ZENIT.org).- Grandes abóboras vazias iluminadas em seu interior, como se fossem caveiras, esqueletos e sombrias figuras encapuzadas, risadas assustadoras e um estribilho obsessivo; doce ou brincadeira? Tudo isso é Halloween, uma moda, uma festa, um novo costume que se impôs nos últimos anos, graças, em parte, à persuasão do cinema e da televisão.

A festa de Halloween se introduziu inclusive nas escolas de países nos quais há apenas alguns anos se desconhecia a existência da festa: em muitos centros escolares, desde a escola primária à superior, os professores organizam a festa junto aos alunos, com jogos e desenhos.

O tema de Halloween foi abordado em todos seus aspectos pelo escritor italiano Paolo Gulisano, autor de numerosos ensaios sobre literatura de fantasia e sobre a cultura anglo-saxônica. Junto à pesquisadora irlandesa, residente nos Estados Unidos, Brid O’Neill, publicou nestes dias em italiano um livro titulado «A noite das abóboras» («La notte delle zucche», editora Ancora).

Para aprofundar no significado da festa de Halloween, Zenit entrevistou Paolo Guiliano.

--Em alguns setores, ante a expansão de Halloween, começou a manifestar-se uma certa preocupação. O que você pensa ao respeito?

--Guliano: É verdade. Há quem vê no Halloween um retorno a formas de «paganismo» e quem, ao contrário, vê um rito folclórico e de consumismo, uma espécie de inócuo carnaval fora de temporada. O fato é que ninguém recorda, não só entre as crianças e jovens e no âmbito mediático popular, a festividade cristã que Halloween está suplantando, Todos os Santos. Em 1º de novembro se confundiu com a comemoração dos Fiéis Defuntos, que cai na realidade no dia seguinte.

--Mas o que significa Halloween?

--Gulisano: O nome Halloween é a deformação americana do termo, no inglês da Irlanda, «All Howllows’ Eve»: Vigília de Todos os Santos. Esta antiqüíssima festa chegou aos Estados Unidos junto com os imigrantes irlandeses e lá se enraizou, para sofrer recentemente uma radical transformação. Das telas de Hollywood, a moda de Halloween chegou assim desde há alguns anos à velha Europa e a outras partes do mundo. Detrás de Halloween está uma das mais antigas festas sagradas do Ocidente: uma festa que atravessou os séculos, com usos e costumes que se foram redefinindo no tempo, mas que conservaram o mesmo significado. Suas origens, o significado dos símbolos, são, contudo, desconhecidos para a maioria.

--Mas a festa se remonta ao paganismo dos celtas. Em 1º de novembro, era para eles o primeiro dia do ano, a festa na qual os espíritos buscavam corpos para reencarnar-se. A Igreja, na Idade Média, substituiria esta tradição pela festividade de Todos os Santos, que é seguida depois pelo dia dos Fiéis Defuntos.

--Gulisano: Exato. Halloween não é mais que a última versão, secularizada, de uma ortodoxa festa católica, e em meu livro procurei explicar como pôde suceder que uma tradição plurissecular cristã tenha se convertido no atual carnaval de terror. Digamos antes de tudo, que a origem deste último fenômeno, Halloween, é completamente americana. Nesse país, ao que chegaram milhões de imigrantes irlandeses, com sua profunda devoção pelos santos, se tratava de um culto muito fastidioso para a cultura dominante, de caráter puritano. Deste modo, em sua atual versão secularizada, buscou-se descartar o sentido católico de Todos os Santos, mantendo em Halloween o aspecto lúgubre do mais além, com os fantasmas, os mortos que se levantam dos túmulos, as almas perdidas que atormentam aos que em vida lhes fizeram dano: um aspecto que se tenta exorcizar com as máscaras e as brincadeiras.

Obviamente, o velho continente não podia permanecer muito tempo sem adotar o novo «culto». De fato, vemos Halloween difundir-se cada vez mais entre nós com seu cortejo de artigos de consumo mais ou menos macabros -- caveiras, esqueletos, bruxas -- que não se propõe como uma forma de neopaganismo, nem como um culto esotérico, mas simplesmente como uma paródia da religiosidade cristã autêntica, com fins preferentemente consumistas: vender produtos de carnaval (o chamado mercado de Halloween), máscara, caveiras, abóboras, capas, gorros e outras coisas, além de espaços publicitários nos filmes de horror emitidos pelas emissoras de televisão. Halloween se propõe comercialmente como uma festa jovem, divertida, diferente, «transgressiva»; a pessoa se disfarça de fantasma, bruxa ou zumbi para ir a alguma festa...

--Contudo, Halloween não pode ser considerado simplesmente como um fenômeno comercial ou como um segundo Carnaval...

--Gulisano: Certamente. É importante conhecer e saber valorizar bem suas raízes culturais, e também as implicações esotéricas que se sobrepuseram ambiguamente a esta data. O dia 31 de outubro, com efeito, se converteu em uma data importante para o esoterismo, em cujos textos encontramos estas definições: «Volta do Grande Sabba [encontro entre as bruxas e Satanás, ndr.] quatro vezes ao ano... Halloween, que é talvez a festa mais querida»; «Samhain [festa celta de 1º de novembro, ndr.] é o dia mais mágico de todo o ano, ano novo de todo o mundo esotérico». O mundo do oculto a define assim: «é a festa mais importante para os seguidores de Satanás». A data de uma importante celebração de cultura celta antes e da cristã depois passou a fazer parte do calendário do ocultismo.

--Então, o que se deve fazer no dia 31 de outubro?

--Gulisano: Na minha opinião, pode-se e deve-se fazer festa. Em 1º de novembro, que foi o Ano Novo celta e depois Todos os Santos, é uma festividade extraordinária para os cristãos, e não vale a pena deixá-la nas mãos de charlatões e ocultistas. Não é preciso ter medo do Halloween «mal», e por isso é preciso conhecê-lo bem. Halloween, de qualquer forma, não pode ser ignorado, já faz parte já do cenário de nossos tempos. O que fazer, portanto?

Educadores e famílias deveriam mobilizar-se contra a falta de educação, de bom gosto, contra a profanação do mistério da morte e da vida após a morte, mas não é fácil ir contra a corrente, desafiar as modas que imperam em nossa sociedade.

Então, pode-se fazer festa em Halloween, recordando o que este dia significou durante séculos e o que continua testemunhando. Deve-se salvar Halloween, dando-lhe todo seu antigo significado, liberando esta festa da dimensão puramente consumista e comercial e, sobretudo, extirpando a pátina de ocultismo sombrio de que foi revestida.

Portanto, eu aconselharia organizar a festa e explicar claramente que se está festejando os mortos e os santos, de forma positiva e inclusive engraçada, para que as crianças sejam educadas em uma visão da morte como um acontecimento humano, natural, do qual não se deve ter medo.

Pio XII consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria

No dia 31 de outubro de 1942, data do encerramento solene do Jubileu das Aparições de Fátima, o Papa Pio XII enuncia, por meio de uma rádio, a consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria atendendo ao pedido de nossa Mãe do Céu. Este gesto importante foi por ele renovado no dia 8 de dezembro do mesmo ano.

Em 1944, em plena guerra mundial, o mesmo soberano pontífice consagraria, igualmente, todo o gênero humano ao Imaculado Coração de Maria, colocando-o sob a Sua poderosa proteção. Durante a mesma cerimônia, o sumo pontífice decretou que a Igreja inteira celebraria uma festa, a cada ano, em honra ao Imaculado Coração de Maria, para que fosse obtida, por meio da intercessão da Santíssima Virgem "A paz das nações, a liberdade da Igreja, a conversão dos pecadores, o amor à pureza e a prática das virtudes". Ele fixou a data desta festa para o dia 22 de agosto, oitavo dia da festa da Assunção.

Fonte: Um minuto com Maria

Ser fermento na massa

S. João Crisóstomo
(cerca 345-407), bispo de Antioquia e depois de Constantinopla, doutor da Igreja
Homília 20 sobre os Actos dos Apóstolos

Há algo mais irrisório do que um cristão que não se preocupa com os outros? Não tomes como pretexto a tua pobreza: a viúva que pôs duas pequenas moedas na arca do tesouro (Mc 12,42) levantar-se-ia contra ti; Pedro também, ele que dizia ao coxo: “Não tenho ouro nem prata” (Ac 3,6), e Paulo, tão pobre que tinha muitas vezes fome. Não uses a tua condição social, pois os apóstolos também eram humildes e de baixa condição. Não invoques a tua ignorância, porque eles eram homens iletrados. Mesmo se tu eras escravo ou fugitivo, tu podias sempre fazer o que dependia de ti. Assim era Onésimo que Paulo elogiou. Serás tu de saúde frágil? Timóteo também o era. Sim, seja o que for que sejamos, não importa quem pode ser útil ao seu próximo, se ele quer verdadeiramente fazer o que ele pode.

Vês quantas árvores da floresta são vigorosas, belas, esbeltas? E contudo, nos jardins, preferimos árvores de fruto ou oliveiras cobertas de frutos. Belas árvores estéreis..., assim são os homens que apenas consideram o seu próprio interesse...

Se o fermento não levedasse a massa, não seria um verdadeiro fermento. Se um perfume não perfumasse os que estão perto, poderíamos chamá-lo de perfume? Não digas pois que é impossível teres uma boa influência sobre os outros, porque se és verdadeiramente cristão, é impossível que não se passe nada; isso faz parte da essência própria do cristão... Será tão contraditório dizer que um cristão não pode ser útil ao seu próximo como negar ao sol a possibilidade de iluminar e aquecer.


Fonte: Evangelho quotidiano

25 de outubro de 2006

A luta do povo pela liberdade

O Papa Bento XVI solidarizou-se com a luta do povo húngaro contra o comunismo há 50 anos atrás.


Carta do Papa nos cinqüenta anos da rebelião da Hungria


CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 24 de outubro de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos a carta que Bento XVI enviou ao cardeal Angelo Sodano, legado pontifício por ocasião das celebrações do qüinquagésimo aniversário da rebelião da Hungria.

* * *


A nosso venerado irmão
Cardeal ANGELO SODANO
Secretário de Estado emérito
Decano do Colégio cardinalício

É nobre e justo defender e conservar os próprios direitos de liberdade e religião. Com efeito, «a verdadeira liberdade é sinal eminente da imagem divina no homem» (Gaudium et spes, 17). Por isso, a Igreja considera que se deve tutelar a justa dignidade e a liberdade: «O homem foi constituído inteligente e livre na sociedade por Deus criador» (ib., 21). Em conseqüência, os que por este motivo sofrem atropelos ou perdem a vida são dignos de louvor e de piedosa lembrança.

Assim, pois, como há cinqüenta anos meu predecessor o Papa Pio XII, de venerada memória, solicitamente acompanhou com suas orações e consolou com suas palavras o povo húngaro quando defendia sua liberdade, também eu quero expressar estima pelas solenes celebrações que dentro de pouco acontecerão em Budapeste para comemorar o 50º aniversário daquela heróica defesa da liberdade nacional.

Estou profundamente certo de que este acontecimento poderá ajudar a fé e a unidade dessa nobre nação e de toda a Europa. Por isso, aceitei com prazer ao convite do senhor presidente da Hungria, Ladislao Solyon. Ao não poder ir eu pessoalmente, desejo encomendar o cumprimento desta singular tarefa a ti, venerado irmão, que com grande prudência e perícia te encarregaste durante tanto tempo dos compromissos mais importantes do Romano Pontífice para bem de toda a Igreja.

Portanto, com esta carta eu te nomeio legado meu para a solene comemoração que se terá em Budapeste nos dias 22 e 23 do próximo mês de outubro, por ocasião da celebração da liberdade da Hungria. Assim, pois, em meu nome presidirás os ritos solenes e transmitirás convenientemente a todos os presentes minha saudação, particularmente ao presidente da Hungria, às autoridades e aos pastores sagrados. A todos confirmarás minha benevolência, caridade e presença espiritual.

Podes exortar a todos com as palavras do Concílio Vaticano II, “principalmente àqueles que têm a seu cuidado a educação dos outros, a que se esforcem por formar homens que, respeitando a ordem moral, obedeçam à autoridade legítima e amem a autêntica liberdade” (Dignitatis humanae, 8).

Encomendo tua missão de legado à poderosa intercessão da Grande Senhora da Hungria, assim como a São Estevão e a São João de Capistrano, com a esperança de que esse acontecimento beneficie a nação, confirme sua fé e dê abundantes frutos de caridade e paz.

Quero, por último, que envies amorosamente a todos os participantes na celebração a bênção apostólica, prenda da graça celestial e testemunho de minha comunhão.

Vaticano, 23 de setembro de 2006, segundo ano de meu pontificado.

[Tradução realizada por Zenit. © Copyright 2006 - Libreria Editrice Vaticana]