30 de abril de 2007

Nenhum obstáculo poderá impedir

«Que a certeza de que Cristo não nos abandona e de que nenhum obstáculo poderá impedir a realização de seu desígnio de salvação seja para vós um motivo de constante consolo, em particular no dia de dificuldade, e de inquebrantável esperança. A bondade do Senhor está sempre convosco e é forte.»

Papa Bento XVI a novos sacerdotes
29 de abril de 2007

Fonte: ZENIT

26 de abril de 2007

Sem ditaduras religiosas católicas

"Não há uma só ditadura religiosa católica no mundo. Onde quer que o catolicismo seja majoritário ou conviva com outras denominações cristãs, existe liberdade de credo."

Reinaldo Azevedo

Medo

“O povo foi domado aos poucos,
E tudo foi lacrado.
Ensinado a gritar quando deveria estar silente,
Quieto ficou quando deveria esbravejar”.

(Poema “Medo” de Yevtushenko)

23 de abril de 2007

O fundamento em que nos apoiamos é a fé

O fundamento em que nos apoiamos é a fé. Sem fé, inútil esperar conseguir qualquer conforto espiritual... Que suporte poderia dar a Sagrada Escritura a alguém que não acreditasse que ela é a Palavra de Deus e que essa Palavra é verdadeira? Encontra-se nela bem pouco proveito se não se acredita que é a Palavra de Deus ou se, mesmo admitindo-o, se pensa que ela pode conter erros! Segundo a fé é mais ou menos forte, assim as palavras da Sagrada Escritura farão mais ou menos bem.

Esta virtude da fé, nenhum homem a pode adquirir por si mesmo, nem a pode dar a outro... A fé é um dom gratuito de Deus e, tal como diz S. Tiago: "Todo o bem, toda a perfeição vem-nos do alto, do Pai das luzes" (Tg 1,17). É por isso que nós, que por muitas razões sentimos que a nossa fé é fraca, Lhe pedimos que a fortaleça.

S. Tomás More (1478-1535), estadista inglês, mártir
Diálogo do Reconforto nas Tribulações

19 de abril de 2007

Quem é da terra à terra pertence

Este ensinamento que Jesus fez a Nicodemos nos mostra a divindade de Cristo, o Seu relacionamento com o Pai e o Espírito Santo, e a participação que têm na vida eterna de Deus aqueles que acreditam em Jesus Cristo. Fora da fé não há luz nem qualquer esperança de salvação.

"Aquele que vem do Alto está acima de tudo. Quem é da terra à terra pertence e fala da terra. Aquele que vem do Céu está acima de tudo e dá testemunho daquilo que viu e ouviu, mas ninguém aceita o seu testemunho. Quem aceita o seu testemunho reconhece que Deus é verdadeiro; pois aquele que Deus enviou transmite as palavras de Deus, porque dá o Espírito sem medida. O Pai ama o Filho e tudo põe na sua mão. Quem crê no Filho tem a vida eterna; quem se nega a crer no Filho não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus."

(Evangelho segundo S. João 3,31-36.)
São João Crisóstomo comentou:
"Aqueles que temem a Deus não correm perigo algum, mas somente aqueles que não o temem."



12 de abril de 2007

Entrai na esperança

“Ele próprio Se colocou no meio deles e disse-lhes: ‘A paz esteja convosco’”

Temos, mais do que nunca, necessidade de ouvir estas palavras de Cristo ressuscitado: “Nada receeis!” (Mt 28, 10). É uma necessidade para o homem dos nossos dias […], que não cessa de ter medo no seu foro íntimo, e tem razões para isso […]. Como é uma necessidade para todos os povos e para as nações do mundo inteiro. É preciso que, na consciência de cada ser humano, se reforce a certeza de que existe Alguém que tem nas mãos o destino deste mundo que passa, Alguém que detém as chaves da morte e do inferno (Ap, 1, 18), Alguém que é o Alfa e o Ómega da história do homem (Ap 22, 13), quer da individual, quer da colectiva; e, sobretudo, a certeza de que este Alguém é Amor, o Amor encarnado, o Amor crucificado e ressuscitado, o Amor incessantemente presente no meio dos homens! Ele é o Amor eucarístico. Ele é uma fonte inesgotável de comunhão. Ele é o único em quem podemos acreditar sem a menor reserva quando nos pede: “Nada receeis!”

João Paulo II, Papa entre 1978 e 2005

11 de abril de 2007

Habita entre nós

O próprio Salvador, que a Palavra da Escritura coloca diante dos nossos olhos na sua humanidade, mostrando-no-Lo em todos os caminhos que percorreu nesta terra, habita entre nós escondido sob as aparências do pão eucarístico, vem todos os dias até nós como Pão da Vida. Nestes dois aspectos, torna-Se próximo de nós e sob estes dois aspectos deseja que O procuremos e O encontremos. Um chama o outro. Quando vemos o Salvador diante de nós com os olhos da fé, tal como a Escritura no-Lo retrata, aumenta o nosso desejo de O acolher em nós no Pão da Vida. Por sua vez, o pão eucarístico aviva o nosso desejo de conhecer o Senhor sempre com maior profundidade, a partir da Palavra da Escritura, e dá forças ao nosso espírito, com vista a uma melhor compreensão.

Santa Teresa Benedita da Cruz [Edith Stein] (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Edith_Stein

http://www.gesuiti.it/moscati/Brazil/Pr_Stein_Gar1.html

1 de abril de 2007

A consciência moral

"A consciência moral, como diz o Catecismo da Igreja Católica, é um juízo da razão, pelo qual a pessoa humana reconhece a qualidade moral de um ato concreto que vai praticar, que está prestes a executar ou que já realizou. Em tudo quanto diz e faz, o homem está obrigado a seguir fielmente o que sabe que é justo e reto" (n. 1778).

Desta definição sobressai o fato de que a consciência moral, para ser capaz de orientar retamente o comportamento humano, deve em primeiro lugar alicerçar-se no fundamento sólido da verdade, ou seja, deve ser iluminada para reconhecer o verdadeiro valor das ações e a consciência dos critérios de avaliação, de maneira a saber distinguir o bem do mal, também onde o ambiente social, o pluralismo cultural e os interesses sobrepostos não contribuem para isto.

A formação de uma consciência autêntica, porque está fundamentada na verdade, e reta, porque determinada a seguir os seus preceitos sem quaisquer contradições, sem atraiçoamentos e sem compromissos, constitui hoje em dia um empreendimento difícil e delicado, mas imprescindível. E trata-se de uma empresa, infelizmente, impedida por diversos fatores. Antes de mais nada, na atual fase da secularização chamada pós-moderna e caracterizada por inquestionáveis formas de tolerância, não somente aumenta a rejeição da tradição cristã, mas desconfia-se inclusive da capacidade que a razão tem de compreender a verdade e as pessoas afastam-se do gosto pela reflexão. Na opinião de alguns, para ser livre, a consciência individual deveria até renunciar tanto às referências às tradições como às que se fundamentam na razão. Desta forma a consciência, um ato da razão que tem em vista da verdade acerca das coisas, cessa de ser luz e torna-se um simples pano de fundo sobre o qual a sociedade dos meios de comunicação lança as imagens e os impulsos mais contraditórios.

Papa Bento XVI

22 de março de 2007

O Espírito Santo virá sobre ti

"O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra (Lc 1, 35)." Num autêntico paralelismo, duas imagens, provenientes de diferentes tramas da tradição, descrevem o mistério e o indizível, estando superpostas, parte por parte.

A primeira imagem faz alusão ao relato da Criação (Gn 1, 2) e caracteriza o acontecimento como uma nova criação: o Deus, cujo espírito planava sobre os abismos, criou o ser do vazio, do nada; Ele, o Espírito Criador, é o fundamento, a base de tudo o que existe; este Deus inaugura, pois, uma nova criação a partir da antiga criação e nela. Assim, firme e absolutamente caracterizada se instala a ruptura radical com o passado. Este novo momento significa a vinda de Cristo.

A segunda imagem - o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra - pertence à Teologia do culto de Israel que remete à nuvem espessa, que com a sua sombra cobre o Templo de Deus, indicando, assim, a presença de Deus. Maria aparece como sendo a tenda santa, sobre a qual a presença oculta de Deus torna-se eficaz.

Cardeal Joseph Ratzinger (papa Bento XVI)
La Fille de Sion (A filha de Sião)

21 de março de 2007

O Anjo do Senhor anunciou a Maria

Eis o que cita o Evangelista: O anjo, entrando onde estava Maria - sem dúvida, em sua casa -, disse-lhe: Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo (Lc 1, 28)!

Entrando na casa da Virgem, mas onde, em que lugar? Acho que foi no recôndito de seu modesto quartinho onde, sempre, com a porta fechada, Maria se retirava para rezar ao Pai. Os anjos costumam estar ao lado daqueles que estão em oração e apreciam estar na companhia daqueles que rezam, erguendo as mãos puras para o Céu, sendo uma alegria muito grande, para eles, oferecer a Deus, em suave odor, o sacrifício do seu santo fervor.

Quanto à Maria, qual não seria o preço, o valor de suas orações aos olhos do Altíssimo? O anjo sabia muito bem, saudando-a, com todo o respeito, logo ao entrar em seu quarto.

O anjo não enfrentou nenhuma dificuldade em adentrar a porta fechada onde a Virgem Maria se mantinha retirada, em oração: a sutileza e argúcia de sua natureza permitem-lhe entrar seja aonde for, sem que nenhuma fechadura de ferro seja obstáculo à sua Missão. Para os espíritos evangélicos, as muralhas não representam impedimento: qualquer objeto visível se apaga diante delas e não existe corpo tão resistente nem tão espesso que não lhes seja permeável.

Não podemos imaginar, pois, que o anjo tenha encontrado a porta aberta, porque a Virgem, certamente, evitava e se afastava da companhia dos homens e desviava-se de suas conversas para que nada perturbasse o silêncio de suas orações nem colocasse em perigo a sua castidade. Sendo muito prudente, ela tinha sido, naquela hora, bastante prudente, igualmente - sendo a prudência, uma característica sua - e fechara-se sob quatro portas; fechara-se aos homens, mas não aos anjos.

Assim, o anjo pôde entrar em sua casa, mas nenhum homem tinha livre acesso a ela.

São Bernardo de Claraval
Trecho da terceira Homilia Super Missus

16 de março de 2007

Os dois mandamentos do amor

Pergunta: Para começar, pedimos que nos digam se os mandamentos de Deus se seguem por uma certa ordem. Há um primeiro, um segundo, um terceiro, e por aí fora?...

Resposta: O próprio Senhor determinou a ordem por que devem ser guardados os seus mandamentos. O primeiro e o maior é aquele que diz respeito à caridade para com Deus, e o segundo, que se lhe assemelha, ou, mais precisamente, o complementa e é sua consequência, diz respeito ao amor ao próximo...

Pergunta: Falai primeiro do amor de Deus. Está claro que é preciso amar a Deus, mas como devemos amá-lO?...

Resposta: O amor a Deus não se ensina. Ninguém nos ensinou a aproveitar a luz ou a defender a vida acima de tudo; também ninguém nos ensinou a amar os que nos puseram no mundo ou nos educaram. Do mesmo modo, ou ainda com mais forte razão, não é um ensinamento exterior que nos ensina a amar a Deus. Na própria natureza do ser vivo – quero dizer do homem – é deposta uma espécie de germe que contém em si o princípio dessa aptidão para amar. É à escola dos mandamentos de Deus que compete recolher esse germe, cultivá-lo diligentemente, alimentá-lo com zelo, e dilatá-lo mediante a graça divina.
Aprovo o vosso zelo, é indispensável ao propósito... É preciso saber que esta virtude da caridade é uma, mas que potencialmente ela abarca todos os mandamentos: «Pois aquele que me ama, diz o Senhor, cumpre os meus mandamentos» (Jo 14,23), e ainda : «nestes dois mandamentos está contida toda a lei e os profetas» (Mt 22,40).

S. Basílio (c. 330-379), monge e bispo de Cesareia, na Capadócia, doutor da Igreja
Igreja Grandes regras monásticas, Q 1-2

8 de março de 2007

A Igreja não é lugar para anarquia

VATICANO, 07 Mar. 07 (ACI)

Milhares de fiéis se reuniram na Sala Paulo VI para participar da Audiência Geral com o Papa Bento XVI, quem em sua catequese sobre os padres apostólicos pedindo que as autoridades sejam dóceis ao plano de Deus.

Aprofundando sobre a figura de São Clemente, Papa, o Santo Padre disse que "a autoridade e prestígio deste Bispo de Roma eram tais que lhe foram atribuídos diversos textos" e entre estes uma carta que "constitui um primeiro exercício do Primaz romano depois da morte de são Pedro".

Nesta, São Clemente recorda que "o Senhor nos previne e doa o perdão, doa-nos seu amor, a graça de sermos cristãos, seus irmãos e irmãs".

"É um anúncio que enche de gozo nossa vida e dá segurança a nosso atuar: o Senhor nos previne sempre com sua bondade e a bondade do Senhor é sempre maior que todos nossos pecados", continuou o Pontífice.

Deste modo São Clemente reflete sobre seu ideal de Igreja "reunidos pelo único Espírito de graça infundida sobre nós, que se manifesta nos diversos membros do Corpo de Cristo, no qual, todos, unidos sem separação alguma, são membros uns dos outros".

Também existe na carta uma nítida distinção entre o laico e a hierarquia, que certamente "não significa para nada uma contraposição, mas somente uma conexão orgânica de um corpo, de um organismo, com as diversas funções".

"A Igreja -prosseguiu- não é lugar de confusão nem de anarquia: cada um neste organismo, com uma estrutura articulada, exercita seu ministério segundo a vocação recebida".

Para o final de sua catequese o Pontífice destacou a referência de São Clemente às autoridades, quem rezando por elas "reconhece a legitimidade das instituições políticas na ordem estabelecida por Deus; ao tempo que manifesta a preocupação que as autoridades sejam dóceis a Deus e exercitem o poder que Deus lhes deu na paz e na mansidão com piedade".

6 de março de 2007

A alma se abrasa de um amor inefável

[Disse Deus a Santa Catarina:] Pedes-me para Me conheceres e Me amares, a Mim, a Verdade suprema. Eis a via para quem quer chegar a conhecer-Me perfeitamente e a experimentar-Me, a Mim, a Verdade eterna: nunca abandones o conhecimento de ti mesma e, abaixada até ao vale da humildade, em ti mesma Me conhecerás. E desse conhecimento retirarás tudo quanto te faz falta, tudo aquilo de que precisas. Nenhuma virtude tem vida em si mesma, se a não tirar da caridade; ora, a humildade é a ama e a governanta da caridade. No conhecimento de ti mesma te tornarás humilde, pois por ele verás que nada és por ti mesma e que o teu ser vem de Mim, pois Eu amei-vos antes de que vós existísseis. Foi por causa deste amor inefável que tive por vós que, querendo voltar a criar-vos pela graça, vos lavei e vos recriei no sangue derramado por Meu Filho único com tão grande fogo de amor.

Só este sangue, e apenas ele, dá a conhecer a verdade àquele que, por via desse conhecimento de si mesmo, dissipou a névoa do amor próprio. É então que, nesse conhecimento de Mim Mesmo, a alma se abrasa de um amor inefável, e é devido a este amor que sofre uma dor contínua. Não é uma dor que a aflija ou a seque (longe disso dado que, pelo contrário, a fecunda); mas, por ter conhecido a Minha verdade, os seus próprios pecados, a ingratidão e a cegueira do próximo causam-lhe uma dor intolerável. Aflige-se porque Me ama pois, se não Me amasse, não se afligiria.

Santa Catarina de Sena (1347-1380), terceira dominicana, Doutora da Igreja, co-padroeira da Europa; Diálogos, cap. 4

27 de fevereiro de 2007

Venha a nós o vosso reino

Se olharmos com atenção, espantar-nos-á ver até que ponto o homem procura o seu bem pessoal em todas as coisas, à custa dos outros homens, nas palavras, nas obras, nos dons, nos serviços. Tem sempre em vista o seu bem pessoal: alegria, utilidade, glória, serviços a receber, sempre alguma vantagem para si mesmo. Eis o que procuramos e perseguimos nas criaturas, e mesmo no serviço a Deus. O homem vê apenas as coisas terrestres, à maneira da mulher curvada de que nos fala o Evangelho, que permanecia inclinada para a terra, incapaz de olhar as coisas do alto (Lc 13, 11). Nosso Senhor declara que “não podeis servir a dois senhores, a Deus e às riquezas”, e prossegue: “procurai primeiro”, quer dizer antes de tudo e acima de tudo, “o Reino de Deus e a sua justiça” (Mt 6, 24. 33).

Analisai, pois, as profundezas que em vós se encontram, não procurando senão o Reino de Deus e a sua justiça – ou seja, procurai apenas a Deus, que é o verdadeiro Reino, o reino que desejamos e que todos os dias pedimos no Pai Nosso. O Pai Nosso é uma oração elevada e poderosa; não sabeis o que pedis (Mc 10, 38); Deus é o seu próprio reino, o reino de todas as criaturas racionais, o termo do seu movimento e das suas inspirações. O Reino que pedimos é Deus, o próprio Deus, em toda a sua riqueza. […]

Quando o homem persevera nestas disposições, não procurando, não querendo, não desejando senão a Deus, torna-se ele próprio o Reino de Deus, e Deus reina nele. O trono do seu coração passa então a ser magnificamente ocupado pelo Rei eterno, que nele manda e o governa; a sede deste Reino está no mais íntimo do fundo da sua alma.

Jean Tauler (c. 1300-1361), dominicano de Estrasburgo - Sermão 62

13 de fevereiro de 2007

Jesus revelou os mistérios

Convém refletir sobre o fato que, a partir do momento em que Jesus foi encontrado entre os doutores da Lei - e, sobretudo, mais tarde, quando adulto - Ele tenha revelado, progressivamente, a Maria e a José, todos os mistérios de Deus que Ele tinha vindo realizar.

Cardeal Charles Journet
Entretiens sur Marie - (Discorrendo sobre Maria) Edições Parole et Silence 2001

22 de janeiro de 2007

O pecado contra o Espírito Santo

Porque é que a «blasfémia» contra o Espírito Santo é imperdoável? Em que sentido se deve entender esta «blasfémia»? S. Tomás de Aquino responde que se trata da um pecado «imperdoável por sua própria natureza, porque exclui aqueles elementos graças aos quais é concedida a remissão dos pecados».

Segundo uma tal exegese, a «blasfémia» não consiste propriamente em ofender o Espírito Santo com palavras; consiste, antes, na recusa de aceitar a salvação que Deus oferece ao homem, mediante o mesmo Espírito Santo agindo em virtude do sacrifício da Cruz. Se o homem rejeita o deixar-se «convencer quanto ao pecado», que provém do Espírito Santo e tem carácter salvífico, ele rejeita contemporaneamente a «vinda» do Consolador: aquela «vinda» que se efectuou no mistério da Páscoa, em união com o poder redentor do Sangue de Cristo: o Sangue que «purifica a consciência das obras mortas».

Sabemos que o fruto desta purificação é a remissão dos pecados. Por conseguinte, quem rejeita o Espírito e o Sangue permanece nas «obras mortas», no pecado. E a «blasfémia contra o Espírito Santo» consiste exactamente na recusa radical de aceitar esta remissão, de que Ele é o dispensador íntimo e que pressupõe a conversão verdadeira, por Ele operada na consciência. Se Jesus diz que o pecado contra o Espírito Santo não pode ser perdoado nem nesta vida nem na futura, é porque esta «não-remissão» está ligada, como à sua causa, à «não-penitência», isto é, à recusa radical a converter-se. Isto equivale a uma recusa radical de ir até às fontes da Redenção; estas, porém, permanecem «sempre» abertas na economia da salvação, na qual se realiza a missão do Espírito Santo. Este tem o poder infinito de haurir destas fontes: «receberá do que é meu», disse Jesus.

Deste modo, Ele completa nas almas humanas a obra da Redenção, operada por Cristo, distribuindo os seus frutos. Ora a blasfêmia contra o Espírito Santo é o pecado cometido pelo homem, que reivindica o seu pretenso «direito» de perseverar no mal - em qualquer pecado - e recusa por isso mesmo a Redenção. O homem fica fechado no pecado, tornando impossível da sua parte a própria conversão e também, consequentemente, a remissão dos pecados, que considera não essencial ou não importante para a sua vida. É uma situação de ruína espiritual, porque a blasfémia contra o Espírito Santo não permite ao homem sair da prisão em que ele próprio se fechou e abrir-se às fontes divinas da purificação das consciências e da remissão dos pecados.

João Paulo II
Encíclica « Dominum et vivificantem », § 46 (trad. © Libreria Editrice Vaticana)

10 de janeiro de 2007

Revolução messiânica

"A idéia central da revolução messiânica pode-se resumir em quatro pontos: (I) a humanidade pecadora não será salva por Nosso Senhor Jesus Cristo, mas por ela mesma; (II) o método para alcançar a redenção consiste em matar ou pelo menos subjugar todos os maus, isto é, os ricos; (III) os pobres são inocentes e puros, mas não entendem seu lugar no projeto da salvação e por isso têm de colocar-se sob as ordens de uma elite dirigente, os “santos”; (IV) o morticínio redentor gerará não somente a melhor distribuição das riquezas, mas a eliminação do mal e do pecado, o advento de uma nova humanidade."

Olavo de Carvalho
http://www.olavodecarvalho.org/semana/070108dc.htm

22 de dezembro de 2006

Maria, Mãe da nova humanidade

"O Cristo é um, não pela conversão, pela transformação da Divindade em carne, mas pela assunção da humanidade em Deus."

Santo Atanásio

"No seio da Virgem Maria, uma nova humanidade floresceu. No seio de Maria, a Trindade Eterna suscitou esta nova criação de uma humanidade tão transparente a Deus que o verdadeiro Rosto de Deus pôde, enfim, manifestar-se nela."

Maurice Zundel

21 de dezembro de 2006

O que faziam no presépio a Santíssima Virgem e São José?

Qual era a atitude da Santíssima Virgem e de São José, no presépio? Eles olhavam, contemplavam, admiravam o Menino Jesus. Esta era toda a sua ocupação. Estavam eles, em oração, diante do Santo Sacramento exposto no altar do presépio. Bendiziam e agradeciam o bom Deus que, por amor a todos nós, acabava de nos oferecer seu próprio Filho. Jamais alguém poderá compreender, nem dizer tudo o que se passava, então, no coração de Maria.

São Cura D´Ars

Uma pequena mensagem de Natal

"E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria". (Lc 2,7)

"hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor".(Lc 2,11)

É noite de alegria. Porque, no meio da escuridão, uma Luz resplandeceu. No meio das Trevas, uma Luz brilhou, e todos A vieram contemplar.

O Menino Deus nasceu à noite, porque é na noite que precisamos da luz. Nasceu à noite, para ensinar que era noite na humanidade; uma noite longa que se arrastava por séculos. Era noite desde o pecado de Adão. Todo o mundo jazia no maligno.

Mas uma Luz resplandeceu em meio às Trevas. Na noite de Belém, nos nasceu um Salvador. E aquela Luz brilhou tão forte nas trevas do pecado, que todos A perceberam. Os Reis Magos A perceberam, e vieram adorá-La. Herodes A percebeu, e tentou apagá-La. Porque, em meio às Trevas, é impossível não notar uma Luz resplandecente. Os filhos da Luz buscam-Na e sentem-se à vontade junto a Ela; os filhos das Trevas d'Ela fogem horrorizados, pois têm vergonha das suas obras ímpias, que realizam na escuridão. A Luz atrai os bons e afugenta os maus. Por isso, o Deus Menino nascido em Belém estava destinado a ser um sinal de contradição, como profetizou o velho Simeão.

"Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições" (Lc 2,34)

O Cristo Deus, Unigênito do Pai, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus Verdadeiro do Deus Verdadeiro, veio ao mundo destinado a ser uma causa de queda para muitos. Causa de queda para os que preferissem as Trevas à Luz. Causa de queda para os que, como Herodes, quisessem apagar essa Luz para continuar a viver nas Trevas.

E, neste Natal, somos como os Reis Magos, ou somos como Herodes? Procuramos ao Deus Menino para oferecer-Lhe o melhor que temos, ou fugimos d'Ele e O queremos matar, justamente para que não nos desfaçamos de nossos vícios que nos são tão caros? Desejamos que o Cristo nasça? Ou queremos que Ele não venha, para que possamos viver ainda um pouco mais nas Trevas, ainda um pouco mais no pecado, sem que nossas torpezas sejam postas a descoberto?

Se eu tivesse que escolher, diria que estamos muito mais para Herodes do que para os Reis Magos. Mas eu proponho uma terceira opção: neste Natal, nós somos como as construções, a cujas portas bateram Santa Maria e São José. Construções suntuosas como palácios, ricas demais para perceberem que lhes falta a maior das riquezas. Aconchegantes como hospedarias, animadas demais para perceberem Alguém que precisa de um pouco de atenção. Familiares, como casas, mas fechadas demais sobre si próprias para abrirem a porta a uma Mulher grávida e Seu marido. Ou indignas demais, como estrebarias, inadequadas para receber um Rei.

Mas não importa que construção nós sejamos, não importa se somos palácios ou hospedarias, casas ou estrebarias. Importa que estejamos com Maria. Porque, em Belém, de todas aquelas construções, somente uma teve a honra de abrigar o Filho de Deus feito Homem: aquela na qual se encontrava a Virgem Santa. Que assim seja também conosco. Neste Natal, como naquele primeiro, o Menino Deus só nasce naquelas almas que não negam hospedagem a Maria
Santíssima. Procuremos, pois, abrir as portas de nossa alma a essa Boa Senhora, e Ela, em troca, abrirá para nós as portas do Céu e nos trará Jesus Menino, Luz que resplandece nas trevas, Senhor Nosso e Nosso Salvador.

Um feliz e santo Natal a todos.
Jorge Ferraz