21 de maio de 2007

Protesto contra ofensa religiosa

Magnífico Reitor na Universidade Federal da Paraíba, senhor Rômulo Soares Polari, Chefe do Departamento de Comunicação e Turismo da Universidade, professor Lúcio Vilar, Coordenador do Curso de Turismo da Universidade, professor Olavo Mendes, Professor Henrique Magalhães, Demais alunos e funcionários da Universidade Federal da Paraíba,

Foi recentemente divulgada, pelos meios de imprensa, uma notícia segundo a qual um outdoor, que continha uma caricatura do Papa Bento XVI junto com a frase "a Igreja é uma praga" e estava colocado dentro de um Campus da Universidade Federal da Paraíba, foi destruído por um grupo de funcionários da Universidade após uma enorme polêmica.

A reportagem pode ser acessada em:

http://minhanoticia.ig.com.br/materias/432001-432500/432205/432205_1.html

Rapidamente, o Departamento de Comunicação e Turismo (DecomTur) da referida Universidade emitiu uma nota a respeito do ocorrido. Esta nota pode ser encontrada em:

http://www.paraiba.com.br/noticia.shtml?45650

Na citada nota, a destruição do Outdoor é classificada como "vandalismo" e "inaceitável". E é citada a Constituição Federal, que garante " livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação".

Contudo, não é citado que o Código Penal tipifica como crime "vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso" (Código Penal, artigo 208, caput). Acaso é o direito à livre expressão absoluto, desvinculado do (e superior ao) direito dos cidadãos de não terem as suas crenças ofendidas? Porventura quer-se pretender que uma ofensa violenta e desnecessária como a expressa pelo outdoor em questão tenha respaldo constitucional inviolável?

É citado que o Estado é laico. É verdade. Mas não é explicado que "Estado Laico" não significa "Estado Anti-Religioso". E que é próprio do Estado Laico não discriminar nenhuma crença religiosa. Como, pois, querem utilizar a laicidade do Estado para justificar uma agressão gratuita feita ao povo católico? Isso, sim, é inaceitável.

É dito que a atitude (de destruição do outdoor) "abre sério, preocupante e perigoso precedente". Todavia, não é citado que a própria confecção do outdoor (e sua apologia veiculada na já citada nota do DecomTur) abre(m) um precedente muito mais preocupante, a saber: a vontade de consolidar a ofensa gratuita à religião professada pela maioria da população brasileira como um direito inalienável. Uma verdadeira apologia ao crime, completa inversão de valores.

É de causar espécie que a Universidade não se tenha pronunciado contra a colocação do outdoor, mas tenha demonstrado tanta prontidão em condenar a sua destruição. Por que os dois pesos e duas medidas?

Registro, assim, o meu mais completo repúdio a essa atitude da Universidade Federal da Paraíba que, desse jeito, só faz perder o seu prestígio. É desolador que uma Universidade aja com tamanho desrespeito e tão pouca consideração pelos sentimentos religiosos de seus alunos e funcionários. É vergonhoso ver uma instituição pública fomentando o ódio anti-religioso. Isso, sim, é que deveria ser objeto da preocupação dos senhores.

Recife, 21 de maio de 2007

Atenciosamente,
Jorge Ferraz
R.G. 6.316.776 - SDS/PE

20 de maio de 2007

Queremos viver e não morrer

Hoje quero convosco refletir sobre o texto de São Mateus (19, 16-22). Fala de um jovem. Ele veio correndo ao encontro de Jesus. Merece destaque a sua ânsia. Neste jovem vejo a todos vós, jovens do Brasil e da América Latina. Viestes correndo de diversas regiões deste Continente para nosso encontro. Quereis ouvir, pela voz do Papa, as palavras do próprio Jesus.

Tendes uma pergunta crucial, referida no Evangelho, a Lhe fazer. É a mesma do jovem que veio correndo ao encontro com Jesus: o que fazer para alcançar a vida eterna? Gostaria de aprofundar convosco esta pergunta. Trata-se da vida. A vida que, em vós, é exuberante e bela. O que fazer dela? Como vivê-la plenamente?

Logo entendemos, na formulação da própria pergunta, que não basta o aqui e agora, ou seja, nós não conseguimos delimitar nossa vida ao espaço e ao tempo, por mais que pretendamos estender seus horizontes. A vida os transcende.

Em outras palavras, queremos viver e não morrer. Sentimos que algo nos revela que a vida é eterna e que é necessário empenhar-se para que isto aconteça. Em outras palavras, ela está em nossas mãos e depende, de algum modo, da nossa decisão.

A pergunta do Evangelho não contempla apenas o futuro. Não trata apenas de uma questão sobre o que acontecerá após a morte. Há, ao contrário, um compromisso com o presente, aqui e agora, que deve garantir autenticidade e conseqüentemente o futuro. Numa palavra, a pergunta questiona o sentido da vida. Pode por isso ser formulada assim: que devo fazer para que minha vida tenha sentido? Ou seja: como devo viver para colher plenamente os frutos da vida? Ou ainda: que devo fazer para que minha vida não transcorra inutilmente?

Jesus é o único capaz de nos dar uma resposta, porque é o único que nos pode garantir vida eterna. Por isso também é o único que consegue mostrar o sentido da vida presente e dar-lhe um conteúdo de plenitude. (...)

Diante dos olhos, meus queridos jovens, tendes uma vida que desejamos seja longa; mas é uma só, é única: não a deixeis passar em vão, não a desperdiceis.

Papa Bento XVI

Salvai-me pela vossa compaixão

“A vós, porém, ó meu Senhor, eu me confio,
e afirmo que só Vós sois o meu Deus!
Eu entrego em vossas mãos o meu destino;
libertai-me do inimigo e do opressor!
Mostrai serena a vossa face ao vosso servo,
e salvai-me pela vossa compaixão!”

Quem é o inimigo e o opressor? A falta de emprego, o abandono do marido, a droga, a bebida, a pobreza, a carência afetiva, a morte premeditada, a solidão, a falta de apoio, a depressão, a doença. Devemos lembrar, entretanto, que estes não são maiores que a compaixão de Deus, por mais que pareça o contrário.

Por que ainda ter medo do sofrimento? O poeta canta, fazendo referência ao momento da crucificação de Cristo:

“Quem não há de perder todo o medo,
vendo o céu ser aberto ao ladrão!”

Se Deus teve compaixão do ladrão, que inclusive admitiu todas as coisas más e erradas que cometeu, por que não há de ter compaixão de nosso sofrimento. Cabe-nos dizer junto com o ladrão:

- “Senhor, lembra-te de mim quando entrares no teu reino.”

E junto com o salmista:

- “A vós eu me confio, entrego em vossas mãos o meu destino.”

Sandra Maria

Que o 'não' seja o novo 'amém'

Buenos Aires, 16 mai (RV) - O arcebispo emérito de Resistencia, Argentina, Dom Carmelo Juan Giaquinta, alertou que existem pessoas que fazem de tudo para que os católicos reneguem sua fé, com o argumento de que precisam pedir perdão pelos erros do passado.

"O que alguns desejam não é que peçamos perdão por nossos erros, mas sim que reneguemos nossa fé e viver em conformidade com ela" _ sublinhou o arcebispo.

A propósito da mentalidade atual, Dom Giaquinta disse: "O que muitos buscam é que, como eles, aplaudamos o divórcio e o proponhamos como ideal de liberdade; que bendigamos o aborto e a morte dos anciãos inúteis; que brindemos, porque o matrimônio, hoje, já não é mais só entre um homem e uma mulher; e que nós, sacerdotes, não respeitemos nossas promessas."

O arcebispo destacou ainda, que quem critica a Igreja "quer que o "amém" signifique "não", e que "não" seja o novo "amém".

O Bem não nasce do Mal

O Bem não nasce do Mal; o Mal jamais será instrumento útil para se chegar ao Bem.

Reinaldo Azevedo

Conservar os imensos tesouros espirituais

O Santo Padre, que foi durante alguns anos membro desta Comissão [Pontifícia Comissão
Ecclesia Dei], quer que ela se converta em um organismo da Santa Sé com a finalidade própria e distinta de conservar e manter o valor da liturgia latina tradicional. Mas se deve afirmar com toda claridade que não se trata de um voltar para atrás, de uma volta aos tempos anteriores à reforma de 1970. Trata-se pelo contrário de uma oferta generosa do Vigário de Cristo que, como expressão de sua vontade pastoral, quer pôr a disposição da Igreja todos os tesouros da liturgia latina que durante séculos nutriu a vida espiritual de tantas gerações de fiéis católicos. O Santo Padre quer conservar os imensos tesouros espirituais, culturais e estéticos ligados à liturgia antiga. A recuperação desta riqueza se une à não menos preciosa da liturgia atual da Igreja.

Por estas razões o Santo Padre tem a intenção de estender a toda a Igreja latina a possibilidade de celebrar a Santa Missa e os Sacramentos segundo os livros litúrgicos promulgados pelo Beato João XXIII em 1962. Por esta liturgia, que nunca foi abolida, e que , como dissemos, é considerada um tesouro, existe hoje um novo e renovado interesse e, também por esta razão o Santo Padre pensa que chegou o tempo de facilitar, como o quis a primeira Comissão Cardinalícia em 1986, o acesso a esta liturgia fazendo dela uma forma extraordinária do único rito Romano.

(...)

O projeto do Santo Padre foi já parcialmente provado em Campos onde a coabitação pacífica das duas formas do único rito romano na Igreja é uma bela realidade.

Intervenção do cardeal Darío Castrillón Hoyos em Aparecida
Presidente da Comissão Pontifícia «Ecclesia Dei»

16 de maio de 2007

Defesa de ideais

"Qualquer forma de intimidação deve ser respondida com total força, dentro da legitimidade. O diálogo de Chamberlain com o Nazismo levou às primeiras grandes agressões deste câncer que mudou a face da história no século XX. Nossa atitude deve se pautar pela mais forte defesa de ideais não importante a que nível, com força total, dentro da lei."

Professores da USP: Elcio Abdalla, Raul Abramo, Sylvio Ferraz Mello, Renata Zukanovich Funchal, Mahir Saleh Hussein, Antonio F. R. de Toledo Piza, Antonio Martins Figueiredo Neto, Mário José de Oliveira, João Carlos Alves Barata.

Não há acordo sobre o bem social

"Esquecemos que, enquanto concordamos sobre o abuso das coisas, devemos discordar bastante sobre o seu uso."

"Todos podemos ver a loucura nacional; mas o que é sanidade nacional?"

"O que está errado é que não perguntamos o que está certo."

G. K. Chesterton (1874-1936), escritor inglês

Falácias sociológicas

O fato de todo homem ser um bípede não faz de cinquenta homens um centípede.

G. K. Chesterton (1874-1936), escritor inglês

Relembrando o que é a Missa

"(...) a própria Igreja se vê na contingência de relembrar a sacerdotes e leigos que a Missa é o Sacrifício de Cristo renovado e que o sacerdócio comum dos fiéis não se confunde nem substitui o sacerdócio hierárquico."

Alexandre Oliveira

O sopro divino é a vida dos espíritos

O Espírito Santo, o Paráclito, o Defensor, é Aquele que, como um sopro, o Pai e o Filho enviam à alma dos justos. É por Ele que somos santificados e merecemos ser santos. O sopro humano é a vida dos corpos; o sopro divino é a vida dos espíritos. O sopro humano torna-nos sensíveis; o sopro divino torna-nos santos. Este Espírito é Santo, porque, sem ele, nenhum espírito – nem angélico nem humano – pode ser santo.

Santo Antônio (c. 1195-1231), franciscano, doutor da Igreja
Sermões para os domingos e as festas dos santos

Um ovo de serpente

Por muito tempo, criamos um ovo de serpente na Rússia, esse colosso com armas nucleares do Oriente. No último final de semana, as tropas de choque em Moscou e São Petersburgo espancaram manifestantes pró-democracia para assegurar “a lei e a ordem nas ruas”. E então descobrimos, de forma trágica, que a democracia russa, que apoiamos todos esses anos, não é uma democracia no final das contas. A televisão russa, controlada pelo Estado, ignorou os manifestantes, exceto para dizer que foram provavelmente financiados de fora do país. De fato, Michael Gorbachev disse que a CIA envia rotineiramente “dinheiro para forças de oposição” em certos países. E adicionou: “Isso provavelmente explica por que tais organizações estão brotando como cogumelos na [Rússia]”. Na realidade, é claro, os Estados Unidos doaram bilhões para privatizar e democratizar o país. Praticamente demos bilhões para a própria KGB através de várias organizações de fachada. Conseqüentemente, os russos aproveitaram esses bilhões e, agora, estão se rearmando.

Jeffrey Nyquist

Pressões intensas

“A própria ênfase... na aquisição de sucesso material, que marca tanto nossa sociedade, também gera pressões intensas para que ele ocorra o mais breve possível. Vencer uma eleição, aumentar a renda, vender mais que os concorrentes – motivações assim levam muitos a participar de formas de impostura às quais, de outra forma, poderiam resistir.”

Sissela Bok

15 de maio de 2007

Ditadura do relativismo

Se a liberdade é absoluta e a verdade relativa – portanto, todas as idéias são igualmente aceitas –, por que os defensores da liberdade relativa e da verdade absoluta são perseguidos? Então a liberdade não é tão absoluta, nem a verdade tão relativa!

Rafael Vitola Brodbeck

O papel da mulher na Igreja

«Maria é a rainha dos apóstolos sem pretender para si os poderes apostólicos. Qualquer reflexão sobre o feminino, sobre o papel da mulher na Igreja e na sociedade deve partir de uma mariologia mais aprofundada.»

Sandra Ferreira Ribero

Apologia ao crime e escândalo

Dom Antonio Juan Baseotto C. SS. R., ordinário militar para a Argentina, em 2005 advertiu o ministro da Saúde argentino de que poderia incorrer em «apologia do delito de homicídio» por propiciar essa prática mediante a entrega de «fármacos conhecidos como abortivos».

O prelado também lhe assinalou que, ao vê-lo distribuir publicamente preservativos entre os jovens, veio-lhe à memória a frase evangélica na qual «nosso Senhor afirma que ‘os que escandalizam os pequenos merecem ser amarrados a uma pedra de moinho no pescoço e lançados ao mar’».

Fonte: ZENIT

Ele dá o saber e o querer

O Espírito Santo é o sustento que nos reconforta no caminho da pátria, é o vinho que nos alegra na tribulação, o óleo que adoça as amarguras da vida. Faltava este triplo socorro aos apóstolos que deviam ir pregar no mundo inteiro. Por isso Jesus lhes enviou o Espírito Santo. Ficaram cheios dele – cheios, para que os espíritos impuros não pudessem ter qualquer acesso a eles: quando um copo está bem cheio, não se pode por nada nele.

O Espírito Santo “vos ensinará” (Jo 16,13), para que vós saibais; ele vos sugerirá, para que vós queirais. Ele dá o saber e o querer; juntemos o nosso “poder”, na medida das nossas forças, e seremos templos do Santo Espírito (1Co 6,19).

Santo Antônio (cerca 1195-1231), franciscano, doutor da Igreja
Sermões para os domingos e as festas dos santos

Sob a proteção de Deus

Esse "Estado laico", no qual eles tanto falam, invoca a proteção de Deus no preâmbulo de sua Constituição. O preâmbulo não é juridicamente irrelevante. Ele serve de chave de interpretação para todos os artigos que lhe seguem. Ou seja: tudo o que a nossa Carta Magna prescreve supõe a obediência a Deus, cujo nome foi mencionado no início.

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

Preâmbulo da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988: "Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL."

Uma nação inimiga de Deus

Legalizar ou não o aborto não é a mesma coisa. A diferença é enorme.

Uma coisa é você viver em uma nação cheia de criminosos que infringem a lei. Outra coisa é você viver numa nação criminosa, onde o crime já se tornou lei.

Uma coisa é você não conseguir combater o aborto com as forças policiais. Outra coisa bem diferente é você declarar que a matança dos inocentes não deve ser combatida porque é um direito do cidadão matar seus filhos.

Uma coisa é a justiça estar apenas no papel, mas não na prática. Outra coisa muitíssimo pior é a justiça não estar nem sequer no papel, mas ser trocada por uma lei injusta.

Uma coisa é haver indivíduos, por numerosos que sejam, que não honram as leis justas da pátria. Outra coisa muito mais grave é uma pátria nem ao menos ter leis justas para serem honradas.

Uma coisa é o crime de muitos brasileiros contra a vida. Outra coisa é o crime da própria nação brasileira contra o direito sagrado e inviolável à vida.

Recordando as palavras de Dom Manoel Pestana, Bispo emérito de Anápolis, uma nação que legaliza o aborto não merece subsistir.

A partir do dia em que o aborto se tornar lei, não haverá apenas uma mudança quantitativa nos assassinatos intra-uterinos. Haverá uma mudança qualitativa essencial: o Brasil se terá tornado formalmente uma nação inimiga de Deus.

Que nenhum de nós concorra, por atos ou omissões, para que tal desgraça aconteça.

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

14 de maio de 2007

A religião latinoamericana vem aí

“Conversei com o papa sobre a necessidade da integração religiosa na América Latina, porque a Igreja Católica na América Latina também tem um peso muito importante. Nós estamos, já há algum tempo, falando em integração da América Latina, integração cultural, integração social, integração energética, integração de ferrovia, tudo. É importante que haja uma integração religiosa.” (Luís Inácio da Silva, vulgo "Lula")

"Hein? Parece que Lula quer refundar a Igreja Católica, criando a sua versão subcontinental. Não sei se, com efeito, falou isso ao papa. Caso tenha falado, imagino o que pensou Bento 16... O adjetivo “católica” quer dizer, rigorosamente, “universal”. O papa veio ao Brasil, para desespero da mídia anticatólica, justamente para reafirmar a unidade da sua igreja. Ela é Una e Uma onde quer que esteja e aonde quer que chegue. Não existe uma teologia da libertação, uma teologia indígena, uma teologia negra, uma teologia latino-americana. Existe a teologia da religião revelada — ESTA NÃO É UMA OPINIÃO MINHA; ISSO É PARTE DO CREDO CATÓLICO. A Igreja Católica latino-americana não precisa se integrar porque está integrada em Cristo e no corpo místico da própria igreja." (Reinaldo Azevedo)

O ópio dos intelectuais

“A religião é o ópio do povo.” (Karl Marx)

“O marxismo é o ópio dos intelectuais.” (Raymond Aron)

Laxismo

substantivo masculino

1 tendência ou atitude que consiste em relaxar ou limitar as interdições estipuladas pela moral cristã

Obs.: p.opos. a rigorismo

2 Derivação: por extensão de sentido.
sistema moral inspirado nessa tendência ou atitude

3 Derivação: por extensão de sentido.
ausência de restrições morais, tolerância excessiva, permissividade

Pronunciamentos do Papa no Brasil

O website do Vaticano possui a íntegra dos pronunciamentos do Papa por ocasião de sua Viagem Apostólica ao Brasil por ocasião da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe (9-14 de maio de 2007).

Endereço:

http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/travels/2007/index_brasile_po.htm

Uso do latim na liturgia

Alguns textos do Magistério sobre o uso do latim na liturgia:

"A Língua Latina é a língua própria da Igreja Romana" (Papa São Pio X, Encíclica Inter Pastoralis Officii).

"O uso da Língua Latina é um claro e nobre indício de unidade e um eficaz antídoto contra todas as corruptelas da pura doutrina." (Papa Pio XII, Encíclica Mediator Dei, nº 53)

"Que o antigo uso da Língua Latina seja mantido, e onde houver caído quase em abandono, seja absolutamente restabelecido. – Ninguém por afã de novidade escreva contra o uso da Língua Latina nos sagrados ritos da Liturgia." (Papa João XXIII, Encíclica Veterum Sapientia).

"Deve conservar-se o uso do latim nos ritos latinos, salvo o direito particular." (Concílio Ecumênico Vaticano II, Constituição Sacrosanctum Concilium, nº 36, § 1)

"Providencie-se que os fiéis possam juntamente rezar ou cantar em Língua Latina as partes do Ordinário que lhes competem." (Concílio Ecumênico Vaticano II, Constituição Sacrosanctum Concilium, nº 54)

"Faça-se a celebração eucarística em língua latina ou outra língua, contanto que os textos litúrgicos tenham sido legitimamente aprovados." (Código de Direito Canônico, Cân. 928)

"Missa se celebre quer em língua latina ou quer noutra língua, contanto que se usem textos litúrgicos que têm sido aprovados, de acordo com as normas do direito. Excetuadas as Celebrações da Missa que, de acordo com as horas e os momentos, a autoridade eclesiástica estabelece que se façam na língua do povo, sempre e em qualquer lugar é lícito aos sacerdotes celebrar o santo Sacrifício em latim." (Instrução Redemptionis Sacramentum, nº 112)

"O que acabo de afirmar não deve, porém, ofuscar o valor destas grandes liturgias; penso neste momento, em particular, às celebrações que têm lugar durante encontros internacionais, cada vez mais frequentes hoje, e que devem justamente ser valorizadas. A fim de exprimir melhor a unidade e a universalidade da Igreja, quero recomendar o que foi sugerido pelo Sínodo dos Bispos, em sintonia com as directrizes do Concílio Vaticano II: exceptuando as leituras, a homilia e a oração dos fiéis, é bom que tais celebrações sejam em língua latina; sejam igualmente recitadas em latim as orações mais conhecidas da tradição da Igreja e, eventualmente, entoadas algumas partes em canto gregoriano. A nível geral, peço que os futuros sacerdotes sejam preparados, desde o tempo do seminário, para compreender e celebrar a Santa Missa em latim, bem como para usar textos latinos e entoar o canto gregoriano; nem se transcure a possibilidade de formar os próprios fiéis para saberem, em latim, as orações mais comuns e cantarem, em gregoriano, determinadas partes da liturgia" (Papa Bento XVI, Exortação Apostólica Pós-Sinodal Sacramentum Caritatis, nº 62).

"Se alguém disser que o rito da Igreja Romana (...) só se deve celebrar a Missa em língua corrente [vernácula](...), seja excomungado" (Concílio de Trento, Cânones sobre o Santíssimo Sacrifício da Missa, cânon 9).

As palavras do Papa João Paulo II em sua belíssima Encíclia Ecclesia de Eucharistia, § 9: "Como não admirar as exposições doutrinais dos decretos sobre a Santíssima Eucaristia e sobre o Santo Sacrifício da Missa promulgados pelo Concílio de Trento? Aquelas páginas guiaram a teologia e a catequese nos séculos sucessivos, permanecendo ainda como ponto de referência dogmático para a incessante renovação e crescimento do povo de Deus na sua fé e amor à Eucaristia".

A mais profética das aparições modernas

Ao celebrar-se o nonagésimo aniversário das Aparições de Nossa Senhora de Fátima, Bento XVI pôs nas mãos da Virgem Maria os povos e nações, em particular aqueles que sofrem situações particularmente difíceis.

De 13 de maio a 13 de outubro de 1917, três pastorzinhos, Lúcia dos Santos, de dez anos, e seus dois primos Francisco Marto, de nove anos, e Jacinta, de sete, foram testemunhas das aparições e mensagens de Maria.

«Com seu veemente chamado à conversão e à penitência é, sem dúvida, a mais profética das aparições modernas», disse o Papa neste domingo após presidir a missa de inauguração da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe.

«Peçamos à Mãe da Igreja, a ela que conhece os sofrimentos e as esperanças da humanidade, que proteja nossos lares e nossas comunidades.»

«De modo especial, confiamos-lhe aqueles povos e nações que têm particular necessidade, e o fazemos com a certeza de que não deixará de atender as súplicas que com filial devoção lhe dirigimos.»

Fé em Deus Amor

A autêntica riqueza da América Latina consiste na «fé em Deus Amor», assegurou Bento XVI neste domingo, na missa de inauguração da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe.

«Este é o rico tesouro do continente Latino-Americano; este é seu patrimônio mais valioso: a fé em Deus Amor, que revelou seu rosto em Jesus Cristo.»

«A Igreja se sente discípula e missionária desse Amor: missionária somente enquanto discípula, ou seja, capaz de deixar-se atrair sempre, com renovado ardor, por Deus que nos amou e nos ama primeiro.»

«Vós credes no Deus Amor: esta é vossa força que vence o mundo, a alegria que nada nem ninguém vos poderá arrebatar, a paz que Cristo conquistou para vós com sua Cruz! Esta é a fé que fez da América Latina o 'continente da esperança'.»

«Não é uma ideologia política, nem um movimento social, como tampouco um sistema econômico; é a fé em Deus Amor, encarnado, morto e ressuscitado em Jesus Cristo, o autêntico fundamento dessa esperança que produziu frutos tão magníficos desde a primeira evangelização até hoje.»

«Eu vos confirmo e, com palavras desta V Conferência, digo-vos: 'sede discípulos fiéis, para ser missionários valentes e eficazes'.»

Fundaram Igrejas em cada cidade

Cristo Jesus nosso Senhor, durante a sua estadia na terra, declarou ele próprio o que era, o que tinha sido, de que vontade do Pai era servidor, qual o dever que ele prescrevia ao homem. Ele tanto dizia isso abertamente à multidão, como à parte, dirigindo-se aos seus discípulos, dos quais escolhera doze principais, para viverem a seu lado, e que ele destinava para ensinar às nações. Depois da queda de um deles, ordenou aos outros onze, no momento de partir para a casa do Pai, depois da ressurreição, que fossem ensinar às nações e as batizassem em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28,19).

Assim, pois, os apóstolos – esta palavra significa "enviados" – incluíram um décimo segundo, tirado à sorte, Matias, para substituir Judas, apoiando-se na profecia do salmo de David. Receberam a força do Espírito Santo que lhes tinha sido prometido para realizarem milagres e falar outras línguas. Atestaram a fé em Jesus Cristo, primeiro através da Judéia, onde fundaram Igrejas. Depois partiram através do mundo e promulgaram pelas nações o mesmo ensino da fé.

Depois fundaram Igrejas em cada cidade, às quais, em seguida, outras Igrejas pediram emprestadas a estaca da fé e as sementes da doutrina… O que prova a sua unidade, é que elas comunicam na paz, que os seus membros se chamam irmãos, e que elas praticam reciprocamente a hospitalidade. Esta construção não tem outro fundamento a não ser a tradição única de um mesmo mistério. O que os apóstolos pregaram, foi o que Cristo lhes tinha revelado, e isso apenas deve ser garantido por essas mesmas Igrejas, que os próprios apóstolos fundaram, pregando-lhes de viva voz, como se disse, e em seguida por cartas.

Tertuliano (155? - 220?), teólogo
A prescrição contra os heréticos

11 de maio de 2007

O católico tem um conjunto de princípios

Ninguém nasce católico. A pessoa se torna católica pelo batismo. Tem, ao longo da vida, a chance de reafirmar ou não a sua fé. Pode deixar o rebanho da Igreja. Para permanecer nele, há alguns preceitos fundamentais a seguir. Ora, se o catolicismo está, como querem, em declínio; se seus fundamentos morais são considerados incompatíveis com a vida moderna; se alguém pretende fazer proselitismo do que, para a Igreja, é abominável, que a deixe então — ou que seja deixado por ela. Quando o papa acena com a excomunhão para os que fazem a defesa do aborto, lembra que o católico tem um conjunto de princípios.

Reinaldo Azevedo

10 de maio de 2007

Valores radicalmente cristãos que jamais serão cancelados

"Estou muito feliz por poder passar alguns dias com os brasileiros. Sei que a alma deste povo, bem como de toda a América Latina, conserva valores radicalmente cristãos que jamais serão cancelados. E estou certo que em Aparecida, durante a Conferência Geral do Episcopado, será reforçada tal identidade, ao promover o respeito pela vida, desde a sua concepção até o seu natural declínio, como exigência própria da natureza humana; fará também da promoção da pessoa humana o eixo da solidariedade, especialmente com os pobres e desamparados.

A Igreja quer apenas indicar os valores morais de cada situação e formar os cidadãos para que possam decidir consciente e livremente; neste sentido, não deixará de insistir no empenho que deverá ser dado para assegurar o fortalecimento da família - como célula mãe da sociedade; da juventude - cuja formação constitui um fator decisivo para o futuro de uma Nação - e, finalmente, mas não por último, defendendo e promovendo os valores subjacentes em todos os segmentos da sociedade, especialmente dos povos indígenas."

Papa Bento XVI, em visita ao Brasil

Um homem cheio de morais

Um homem cheio de "morais" é aquele que tem uma moral "enquanto indivíduo", outra moral "enquanto chefe de governo"; mais uma moral "enquanto militante de partido".

Reinaldo Azevedo

A Igreja é santa

Os cristãos confessam que a Igreja de Cristo é una, santa, católica e apostólica.

A Igreja é santa: o Deus Santíssimo é seu autor; Cristo, seu esposo, se entregou por ela para santificá-la; o Espírito de santidade a vivifica.

Embora congregue pecadores, ela é "imaculada (feita) de maculados" ("ex maculatis immaculata").

Fonte: Catecismo da Igreja Católica, 823 a 829.

Egoísmo e medo

O papa Bento 16 alertou na quarta-feira que políticos católicos podem ser excomungados caso apóiem o aborto.

O papa foi questionado se apoiava os líderes eclesiásticos mexicanos que ameaçaram excomungar parlamentares esquerdistas que no mês passado aprovaram a legalização do aborto na Cidade do México.

"Sim, esta excomunhão não seria arbitrária, mas sim permitida pela lei canônica, que diz que matar uma criança inocente é incompatível com receber a comunhão, que é receber o corpo de Cristo", disse ele.

"Eles [líderes da Igreja mexicana] não fizeram nada de novo, surpreendente ou arbitrário. Eles simplesmente anunciaram publicamente o que está contido na lei da Igreja, que expressa nossa apreciação pela vida e que a individualidade humana, a personalidade humana estão presentes desde o primeiro momento."

Pela lei eclesiástica, quem propositalmente fizer ou apoiar algo que a Igreja considera um pecado grave, como o aborto, impõe a si mesmo uma "excomunhão automática".

O papa disse que os parlamentares que votam a favor do aborto têm "dúvidas sobre o valor da vida e a beleza da vida, e mesmo uma dúvida sobre o futuro".

"O egoísmo e o medo estão na raiz da legislação [pró-aborto]", disse ele. "Nós, da Igreja, temos uma grande luta para defender a vida. A vida é um presente, não uma ameaça."

9 de maio de 2007

Afastamento de fiéis

Notícia de "O Globo Online":

"A Igreja Católica não vai arredar pé de condenar o sexo antes do casamento, mesmo que a contrapartida da defesa das doutrinas seja o afastamento de fiéis."

Esses esquerdistas... Realmente não têm vergonha de escrever incoerências.

Não existe "fiel afastado". E quem se afasta não é fiel.

Poderia, no máximo, dizer-se "perda de fiéis" ou "conversão de fiéis sem convicção em infiéis convictos".

Quando Jesus mandou os apóstolos pregar o Evangelho, ele disse: "quem crer será salvo, mas quem não crer será condenado".

Que o fato de a Igreja continuar este mandato cause repulsa aos que estão à esquerda de Deus, é compreensível.

O que não é compreensível é alguém aceitar que o oposto pudesse ser verdadeiro, ou seja, que a Igreja pregasse o "liberou geral" para manter aqueles que são fiéis... do liberalismo.

Aí sim, iria afastar os fiéis. Fiéis a Deus.

8 de maio de 2007

A paz

Poderíamos gozar de grande paz se não não nos importássemos com o que dizem e fazem os outros e que não nos diz respeito.

Imitação de Cristo

30 de abril de 2007

Nenhum obstáculo poderá impedir

«Que a certeza de que Cristo não nos abandona e de que nenhum obstáculo poderá impedir a realização de seu desígnio de salvação seja para vós um motivo de constante consolo, em particular no dia de dificuldade, e de inquebrantável esperança. A bondade do Senhor está sempre convosco e é forte.»

Papa Bento XVI a novos sacerdotes
29 de abril de 2007

Fonte: ZENIT

26 de abril de 2007

Sem ditaduras religiosas católicas

"Não há uma só ditadura religiosa católica no mundo. Onde quer que o catolicismo seja majoritário ou conviva com outras denominações cristãs, existe liberdade de credo."

Reinaldo Azevedo

Medo

“O povo foi domado aos poucos,
E tudo foi lacrado.
Ensinado a gritar quando deveria estar silente,
Quieto ficou quando deveria esbravejar”.

(Poema “Medo” de Yevtushenko)

23 de abril de 2007

O fundamento em que nos apoiamos é a fé

O fundamento em que nos apoiamos é a fé. Sem fé, inútil esperar conseguir qualquer conforto espiritual... Que suporte poderia dar a Sagrada Escritura a alguém que não acreditasse que ela é a Palavra de Deus e que essa Palavra é verdadeira? Encontra-se nela bem pouco proveito se não se acredita que é a Palavra de Deus ou se, mesmo admitindo-o, se pensa que ela pode conter erros! Segundo a fé é mais ou menos forte, assim as palavras da Sagrada Escritura farão mais ou menos bem.

Esta virtude da fé, nenhum homem a pode adquirir por si mesmo, nem a pode dar a outro... A fé é um dom gratuito de Deus e, tal como diz S. Tiago: "Todo o bem, toda a perfeição vem-nos do alto, do Pai das luzes" (Tg 1,17). É por isso que nós, que por muitas razões sentimos que a nossa fé é fraca, Lhe pedimos que a fortaleça.

S. Tomás More (1478-1535), estadista inglês, mártir
Diálogo do Reconforto nas Tribulações

19 de abril de 2007

Quem é da terra à terra pertence

Este ensinamento que Jesus fez a Nicodemos nos mostra a divindade de Cristo, o Seu relacionamento com o Pai e o Espírito Santo, e a participação que têm na vida eterna de Deus aqueles que acreditam em Jesus Cristo. Fora da fé não há luz nem qualquer esperança de salvação.

"Aquele que vem do Alto está acima de tudo. Quem é da terra à terra pertence e fala da terra. Aquele que vem do Céu está acima de tudo e dá testemunho daquilo que viu e ouviu, mas ninguém aceita o seu testemunho. Quem aceita o seu testemunho reconhece que Deus é verdadeiro; pois aquele que Deus enviou transmite as palavras de Deus, porque dá o Espírito sem medida. O Pai ama o Filho e tudo põe na sua mão. Quem crê no Filho tem a vida eterna; quem se nega a crer no Filho não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus."

(Evangelho segundo S. João 3,31-36.)
São João Crisóstomo comentou:
"Aqueles que temem a Deus não correm perigo algum, mas somente aqueles que não o temem."



12 de abril de 2007

Entrai na esperança

“Ele próprio Se colocou no meio deles e disse-lhes: ‘A paz esteja convosco’”

Temos, mais do que nunca, necessidade de ouvir estas palavras de Cristo ressuscitado: “Nada receeis!” (Mt 28, 10). É uma necessidade para o homem dos nossos dias […], que não cessa de ter medo no seu foro íntimo, e tem razões para isso […]. Como é uma necessidade para todos os povos e para as nações do mundo inteiro. É preciso que, na consciência de cada ser humano, se reforce a certeza de que existe Alguém que tem nas mãos o destino deste mundo que passa, Alguém que detém as chaves da morte e do inferno (Ap, 1, 18), Alguém que é o Alfa e o Ómega da história do homem (Ap 22, 13), quer da individual, quer da colectiva; e, sobretudo, a certeza de que este Alguém é Amor, o Amor encarnado, o Amor crucificado e ressuscitado, o Amor incessantemente presente no meio dos homens! Ele é o Amor eucarístico. Ele é uma fonte inesgotável de comunhão. Ele é o único em quem podemos acreditar sem a menor reserva quando nos pede: “Nada receeis!”

João Paulo II, Papa entre 1978 e 2005

11 de abril de 2007

Habita entre nós

O próprio Salvador, que a Palavra da Escritura coloca diante dos nossos olhos na sua humanidade, mostrando-no-Lo em todos os caminhos que percorreu nesta terra, habita entre nós escondido sob as aparências do pão eucarístico, vem todos os dias até nós como Pão da Vida. Nestes dois aspectos, torna-Se próximo de nós e sob estes dois aspectos deseja que O procuremos e O encontremos. Um chama o outro. Quando vemos o Salvador diante de nós com os olhos da fé, tal como a Escritura no-Lo retrata, aumenta o nosso desejo de O acolher em nós no Pão da Vida. Por sua vez, o pão eucarístico aviva o nosso desejo de conhecer o Senhor sempre com maior profundidade, a partir da Palavra da Escritura, e dá forças ao nosso espírito, com vista a uma melhor compreensão.

Santa Teresa Benedita da Cruz [Edith Stein] (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Edith_Stein

http://www.gesuiti.it/moscati/Brazil/Pr_Stein_Gar1.html

1 de abril de 2007

A consciência moral

"A consciência moral, como diz o Catecismo da Igreja Católica, é um juízo da razão, pelo qual a pessoa humana reconhece a qualidade moral de um ato concreto que vai praticar, que está prestes a executar ou que já realizou. Em tudo quanto diz e faz, o homem está obrigado a seguir fielmente o que sabe que é justo e reto" (n. 1778).

Desta definição sobressai o fato de que a consciência moral, para ser capaz de orientar retamente o comportamento humano, deve em primeiro lugar alicerçar-se no fundamento sólido da verdade, ou seja, deve ser iluminada para reconhecer o verdadeiro valor das ações e a consciência dos critérios de avaliação, de maneira a saber distinguir o bem do mal, também onde o ambiente social, o pluralismo cultural e os interesses sobrepostos não contribuem para isto.

A formação de uma consciência autêntica, porque está fundamentada na verdade, e reta, porque determinada a seguir os seus preceitos sem quaisquer contradições, sem atraiçoamentos e sem compromissos, constitui hoje em dia um empreendimento difícil e delicado, mas imprescindível. E trata-se de uma empresa, infelizmente, impedida por diversos fatores. Antes de mais nada, na atual fase da secularização chamada pós-moderna e caracterizada por inquestionáveis formas de tolerância, não somente aumenta a rejeição da tradição cristã, mas desconfia-se inclusive da capacidade que a razão tem de compreender a verdade e as pessoas afastam-se do gosto pela reflexão. Na opinião de alguns, para ser livre, a consciência individual deveria até renunciar tanto às referências às tradições como às que se fundamentam na razão. Desta forma a consciência, um ato da razão que tem em vista da verdade acerca das coisas, cessa de ser luz e torna-se um simples pano de fundo sobre o qual a sociedade dos meios de comunicação lança as imagens e os impulsos mais contraditórios.

Papa Bento XVI

22 de março de 2007

O Espírito Santo virá sobre ti

"O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra (Lc 1, 35)." Num autêntico paralelismo, duas imagens, provenientes de diferentes tramas da tradição, descrevem o mistério e o indizível, estando superpostas, parte por parte.

A primeira imagem faz alusão ao relato da Criação (Gn 1, 2) e caracteriza o acontecimento como uma nova criação: o Deus, cujo espírito planava sobre os abismos, criou o ser do vazio, do nada; Ele, o Espírito Criador, é o fundamento, a base de tudo o que existe; este Deus inaugura, pois, uma nova criação a partir da antiga criação e nela. Assim, firme e absolutamente caracterizada se instala a ruptura radical com o passado. Este novo momento significa a vinda de Cristo.

A segunda imagem - o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra - pertence à Teologia do culto de Israel que remete à nuvem espessa, que com a sua sombra cobre o Templo de Deus, indicando, assim, a presença de Deus. Maria aparece como sendo a tenda santa, sobre a qual a presença oculta de Deus torna-se eficaz.

Cardeal Joseph Ratzinger (papa Bento XVI)
La Fille de Sion (A filha de Sião)

21 de março de 2007

O Anjo do Senhor anunciou a Maria

Eis o que cita o Evangelista: O anjo, entrando onde estava Maria - sem dúvida, em sua casa -, disse-lhe: Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo (Lc 1, 28)!

Entrando na casa da Virgem, mas onde, em que lugar? Acho que foi no recôndito de seu modesto quartinho onde, sempre, com a porta fechada, Maria se retirava para rezar ao Pai. Os anjos costumam estar ao lado daqueles que estão em oração e apreciam estar na companhia daqueles que rezam, erguendo as mãos puras para o Céu, sendo uma alegria muito grande, para eles, oferecer a Deus, em suave odor, o sacrifício do seu santo fervor.

Quanto à Maria, qual não seria o preço, o valor de suas orações aos olhos do Altíssimo? O anjo sabia muito bem, saudando-a, com todo o respeito, logo ao entrar em seu quarto.

O anjo não enfrentou nenhuma dificuldade em adentrar a porta fechada onde a Virgem Maria se mantinha retirada, em oração: a sutileza e argúcia de sua natureza permitem-lhe entrar seja aonde for, sem que nenhuma fechadura de ferro seja obstáculo à sua Missão. Para os espíritos evangélicos, as muralhas não representam impedimento: qualquer objeto visível se apaga diante delas e não existe corpo tão resistente nem tão espesso que não lhes seja permeável.

Não podemos imaginar, pois, que o anjo tenha encontrado a porta aberta, porque a Virgem, certamente, evitava e se afastava da companhia dos homens e desviava-se de suas conversas para que nada perturbasse o silêncio de suas orações nem colocasse em perigo a sua castidade. Sendo muito prudente, ela tinha sido, naquela hora, bastante prudente, igualmente - sendo a prudência, uma característica sua - e fechara-se sob quatro portas; fechara-se aos homens, mas não aos anjos.

Assim, o anjo pôde entrar em sua casa, mas nenhum homem tinha livre acesso a ela.

São Bernardo de Claraval
Trecho da terceira Homilia Super Missus

16 de março de 2007

Os dois mandamentos do amor

Pergunta: Para começar, pedimos que nos digam se os mandamentos de Deus se seguem por uma certa ordem. Há um primeiro, um segundo, um terceiro, e por aí fora?...

Resposta: O próprio Senhor determinou a ordem por que devem ser guardados os seus mandamentos. O primeiro e o maior é aquele que diz respeito à caridade para com Deus, e o segundo, que se lhe assemelha, ou, mais precisamente, o complementa e é sua consequência, diz respeito ao amor ao próximo...

Pergunta: Falai primeiro do amor de Deus. Está claro que é preciso amar a Deus, mas como devemos amá-lO?...

Resposta: O amor a Deus não se ensina. Ninguém nos ensinou a aproveitar a luz ou a defender a vida acima de tudo; também ninguém nos ensinou a amar os que nos puseram no mundo ou nos educaram. Do mesmo modo, ou ainda com mais forte razão, não é um ensinamento exterior que nos ensina a amar a Deus. Na própria natureza do ser vivo – quero dizer do homem – é deposta uma espécie de germe que contém em si o princípio dessa aptidão para amar. É à escola dos mandamentos de Deus que compete recolher esse germe, cultivá-lo diligentemente, alimentá-lo com zelo, e dilatá-lo mediante a graça divina.
Aprovo o vosso zelo, é indispensável ao propósito... É preciso saber que esta virtude da caridade é uma, mas que potencialmente ela abarca todos os mandamentos: «Pois aquele que me ama, diz o Senhor, cumpre os meus mandamentos» (Jo 14,23), e ainda : «nestes dois mandamentos está contida toda a lei e os profetas» (Mt 22,40).

S. Basílio (c. 330-379), monge e bispo de Cesareia, na Capadócia, doutor da Igreja
Igreja Grandes regras monásticas, Q 1-2

8 de março de 2007

A Igreja não é lugar para anarquia

VATICANO, 07 Mar. 07 (ACI)

Milhares de fiéis se reuniram na Sala Paulo VI para participar da Audiência Geral com o Papa Bento XVI, quem em sua catequese sobre os padres apostólicos pedindo que as autoridades sejam dóceis ao plano de Deus.

Aprofundando sobre a figura de São Clemente, Papa, o Santo Padre disse que "a autoridade e prestígio deste Bispo de Roma eram tais que lhe foram atribuídos diversos textos" e entre estes uma carta que "constitui um primeiro exercício do Primaz romano depois da morte de são Pedro".

Nesta, São Clemente recorda que "o Senhor nos previne e doa o perdão, doa-nos seu amor, a graça de sermos cristãos, seus irmãos e irmãs".

"É um anúncio que enche de gozo nossa vida e dá segurança a nosso atuar: o Senhor nos previne sempre com sua bondade e a bondade do Senhor é sempre maior que todos nossos pecados", continuou o Pontífice.

Deste modo São Clemente reflete sobre seu ideal de Igreja "reunidos pelo único Espírito de graça infundida sobre nós, que se manifesta nos diversos membros do Corpo de Cristo, no qual, todos, unidos sem separação alguma, são membros uns dos outros".

Também existe na carta uma nítida distinção entre o laico e a hierarquia, que certamente "não significa para nada uma contraposição, mas somente uma conexão orgânica de um corpo, de um organismo, com as diversas funções".

"A Igreja -prosseguiu- não é lugar de confusão nem de anarquia: cada um neste organismo, com uma estrutura articulada, exercita seu ministério segundo a vocação recebida".

Para o final de sua catequese o Pontífice destacou a referência de São Clemente às autoridades, quem rezando por elas "reconhece a legitimidade das instituições políticas na ordem estabelecida por Deus; ao tempo que manifesta a preocupação que as autoridades sejam dóceis a Deus e exercitem o poder que Deus lhes deu na paz e na mansidão com piedade".

6 de março de 2007

A alma se abrasa de um amor inefável

[Disse Deus a Santa Catarina:] Pedes-me para Me conheceres e Me amares, a Mim, a Verdade suprema. Eis a via para quem quer chegar a conhecer-Me perfeitamente e a experimentar-Me, a Mim, a Verdade eterna: nunca abandones o conhecimento de ti mesma e, abaixada até ao vale da humildade, em ti mesma Me conhecerás. E desse conhecimento retirarás tudo quanto te faz falta, tudo aquilo de que precisas. Nenhuma virtude tem vida em si mesma, se a não tirar da caridade; ora, a humildade é a ama e a governanta da caridade. No conhecimento de ti mesma te tornarás humilde, pois por ele verás que nada és por ti mesma e que o teu ser vem de Mim, pois Eu amei-vos antes de que vós existísseis. Foi por causa deste amor inefável que tive por vós que, querendo voltar a criar-vos pela graça, vos lavei e vos recriei no sangue derramado por Meu Filho único com tão grande fogo de amor.

Só este sangue, e apenas ele, dá a conhecer a verdade àquele que, por via desse conhecimento de si mesmo, dissipou a névoa do amor próprio. É então que, nesse conhecimento de Mim Mesmo, a alma se abrasa de um amor inefável, e é devido a este amor que sofre uma dor contínua. Não é uma dor que a aflija ou a seque (longe disso dado que, pelo contrário, a fecunda); mas, por ter conhecido a Minha verdade, os seus próprios pecados, a ingratidão e a cegueira do próximo causam-lhe uma dor intolerável. Aflige-se porque Me ama pois, se não Me amasse, não se afligiria.

Santa Catarina de Sena (1347-1380), terceira dominicana, Doutora da Igreja, co-padroeira da Europa; Diálogos, cap. 4

27 de fevereiro de 2007

Venha a nós o vosso reino

Se olharmos com atenção, espantar-nos-á ver até que ponto o homem procura o seu bem pessoal em todas as coisas, à custa dos outros homens, nas palavras, nas obras, nos dons, nos serviços. Tem sempre em vista o seu bem pessoal: alegria, utilidade, glória, serviços a receber, sempre alguma vantagem para si mesmo. Eis o que procuramos e perseguimos nas criaturas, e mesmo no serviço a Deus. O homem vê apenas as coisas terrestres, à maneira da mulher curvada de que nos fala o Evangelho, que permanecia inclinada para a terra, incapaz de olhar as coisas do alto (Lc 13, 11). Nosso Senhor declara que “não podeis servir a dois senhores, a Deus e às riquezas”, e prossegue: “procurai primeiro”, quer dizer antes de tudo e acima de tudo, “o Reino de Deus e a sua justiça” (Mt 6, 24. 33).

Analisai, pois, as profundezas que em vós se encontram, não procurando senão o Reino de Deus e a sua justiça – ou seja, procurai apenas a Deus, que é o verdadeiro Reino, o reino que desejamos e que todos os dias pedimos no Pai Nosso. O Pai Nosso é uma oração elevada e poderosa; não sabeis o que pedis (Mc 10, 38); Deus é o seu próprio reino, o reino de todas as criaturas racionais, o termo do seu movimento e das suas inspirações. O Reino que pedimos é Deus, o próprio Deus, em toda a sua riqueza. […]

Quando o homem persevera nestas disposições, não procurando, não querendo, não desejando senão a Deus, torna-se ele próprio o Reino de Deus, e Deus reina nele. O trono do seu coração passa então a ser magnificamente ocupado pelo Rei eterno, que nele manda e o governa; a sede deste Reino está no mais íntimo do fundo da sua alma.

Jean Tauler (c. 1300-1361), dominicano de Estrasburgo - Sermão 62

13 de fevereiro de 2007

Jesus revelou os mistérios

Convém refletir sobre o fato que, a partir do momento em que Jesus foi encontrado entre os doutores da Lei - e, sobretudo, mais tarde, quando adulto - Ele tenha revelado, progressivamente, a Maria e a José, todos os mistérios de Deus que Ele tinha vindo realizar.

Cardeal Charles Journet
Entretiens sur Marie - (Discorrendo sobre Maria) Edições Parole et Silence 2001

22 de janeiro de 2007

O pecado contra o Espírito Santo

Porque é que a «blasfémia» contra o Espírito Santo é imperdoável? Em que sentido se deve entender esta «blasfémia»? S. Tomás de Aquino responde que se trata da um pecado «imperdoável por sua própria natureza, porque exclui aqueles elementos graças aos quais é concedida a remissão dos pecados».

Segundo uma tal exegese, a «blasfémia» não consiste propriamente em ofender o Espírito Santo com palavras; consiste, antes, na recusa de aceitar a salvação que Deus oferece ao homem, mediante o mesmo Espírito Santo agindo em virtude do sacrifício da Cruz. Se o homem rejeita o deixar-se «convencer quanto ao pecado», que provém do Espírito Santo e tem carácter salvífico, ele rejeita contemporaneamente a «vinda» do Consolador: aquela «vinda» que se efectuou no mistério da Páscoa, em união com o poder redentor do Sangue de Cristo: o Sangue que «purifica a consciência das obras mortas».

Sabemos que o fruto desta purificação é a remissão dos pecados. Por conseguinte, quem rejeita o Espírito e o Sangue permanece nas «obras mortas», no pecado. E a «blasfémia contra o Espírito Santo» consiste exactamente na recusa radical de aceitar esta remissão, de que Ele é o dispensador íntimo e que pressupõe a conversão verdadeira, por Ele operada na consciência. Se Jesus diz que o pecado contra o Espírito Santo não pode ser perdoado nem nesta vida nem na futura, é porque esta «não-remissão» está ligada, como à sua causa, à «não-penitência», isto é, à recusa radical a converter-se. Isto equivale a uma recusa radical de ir até às fontes da Redenção; estas, porém, permanecem «sempre» abertas na economia da salvação, na qual se realiza a missão do Espírito Santo. Este tem o poder infinito de haurir destas fontes: «receberá do que é meu», disse Jesus.

Deste modo, Ele completa nas almas humanas a obra da Redenção, operada por Cristo, distribuindo os seus frutos. Ora a blasfêmia contra o Espírito Santo é o pecado cometido pelo homem, que reivindica o seu pretenso «direito» de perseverar no mal - em qualquer pecado - e recusa por isso mesmo a Redenção. O homem fica fechado no pecado, tornando impossível da sua parte a própria conversão e também, consequentemente, a remissão dos pecados, que considera não essencial ou não importante para a sua vida. É uma situação de ruína espiritual, porque a blasfémia contra o Espírito Santo não permite ao homem sair da prisão em que ele próprio se fechou e abrir-se às fontes divinas da purificação das consciências e da remissão dos pecados.

João Paulo II
Encíclica « Dominum et vivificantem », § 46 (trad. © Libreria Editrice Vaticana)

10 de janeiro de 2007

Revolução messiânica

"A idéia central da revolução messiânica pode-se resumir em quatro pontos: (I) a humanidade pecadora não será salva por Nosso Senhor Jesus Cristo, mas por ela mesma; (II) o método para alcançar a redenção consiste em matar ou pelo menos subjugar todos os maus, isto é, os ricos; (III) os pobres são inocentes e puros, mas não entendem seu lugar no projeto da salvação e por isso têm de colocar-se sob as ordens de uma elite dirigente, os “santos”; (IV) o morticínio redentor gerará não somente a melhor distribuição das riquezas, mas a eliminação do mal e do pecado, o advento de uma nova humanidade."

Olavo de Carvalho
http://www.olavodecarvalho.org/semana/070108dc.htm

22 de dezembro de 2006

Maria, Mãe da nova humanidade

"O Cristo é um, não pela conversão, pela transformação da Divindade em carne, mas pela assunção da humanidade em Deus."

Santo Atanásio

"No seio da Virgem Maria, uma nova humanidade floresceu. No seio de Maria, a Trindade Eterna suscitou esta nova criação de uma humanidade tão transparente a Deus que o verdadeiro Rosto de Deus pôde, enfim, manifestar-se nela."

Maurice Zundel

21 de dezembro de 2006

O que faziam no presépio a Santíssima Virgem e São José?

Qual era a atitude da Santíssima Virgem e de São José, no presépio? Eles olhavam, contemplavam, admiravam o Menino Jesus. Esta era toda a sua ocupação. Estavam eles, em oração, diante do Santo Sacramento exposto no altar do presépio. Bendiziam e agradeciam o bom Deus que, por amor a todos nós, acabava de nos oferecer seu próprio Filho. Jamais alguém poderá compreender, nem dizer tudo o que se passava, então, no coração de Maria.

São Cura D´Ars

Uma pequena mensagem de Natal

"E deu à luz seu filho primogênito, e, envolvendo-o em faixas, reclinou-o num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria". (Lc 2,7)

"hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor".(Lc 2,11)

É noite de alegria. Porque, no meio da escuridão, uma Luz resplandeceu. No meio das Trevas, uma Luz brilhou, e todos A vieram contemplar.

O Menino Deus nasceu à noite, porque é na noite que precisamos da luz. Nasceu à noite, para ensinar que era noite na humanidade; uma noite longa que se arrastava por séculos. Era noite desde o pecado de Adão. Todo o mundo jazia no maligno.

Mas uma Luz resplandeceu em meio às Trevas. Na noite de Belém, nos nasceu um Salvador. E aquela Luz brilhou tão forte nas trevas do pecado, que todos A perceberam. Os Reis Magos A perceberam, e vieram adorá-La. Herodes A percebeu, e tentou apagá-La. Porque, em meio às Trevas, é impossível não notar uma Luz resplandecente. Os filhos da Luz buscam-Na e sentem-se à vontade junto a Ela; os filhos das Trevas d'Ela fogem horrorizados, pois têm vergonha das suas obras ímpias, que realizam na escuridão. A Luz atrai os bons e afugenta os maus. Por isso, o Deus Menino nascido em Belém estava destinado a ser um sinal de contradição, como profetizou o velho Simeão.

"Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições" (Lc 2,34)

O Cristo Deus, Unigênito do Pai, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus Verdadeiro do Deus Verdadeiro, veio ao mundo destinado a ser uma causa de queda para muitos. Causa de queda para os que preferissem as Trevas à Luz. Causa de queda para os que, como Herodes, quisessem apagar essa Luz para continuar a viver nas Trevas.

E, neste Natal, somos como os Reis Magos, ou somos como Herodes? Procuramos ao Deus Menino para oferecer-Lhe o melhor que temos, ou fugimos d'Ele e O queremos matar, justamente para que não nos desfaçamos de nossos vícios que nos são tão caros? Desejamos que o Cristo nasça? Ou queremos que Ele não venha, para que possamos viver ainda um pouco mais nas Trevas, ainda um pouco mais no pecado, sem que nossas torpezas sejam postas a descoberto?

Se eu tivesse que escolher, diria que estamos muito mais para Herodes do que para os Reis Magos. Mas eu proponho uma terceira opção: neste Natal, nós somos como as construções, a cujas portas bateram Santa Maria e São José. Construções suntuosas como palácios, ricas demais para perceberem que lhes falta a maior das riquezas. Aconchegantes como hospedarias, animadas demais para perceberem Alguém que precisa de um pouco de atenção. Familiares, como casas, mas fechadas demais sobre si próprias para abrirem a porta a uma Mulher grávida e Seu marido. Ou indignas demais, como estrebarias, inadequadas para receber um Rei.

Mas não importa que construção nós sejamos, não importa se somos palácios ou hospedarias, casas ou estrebarias. Importa que estejamos com Maria. Porque, em Belém, de todas aquelas construções, somente uma teve a honra de abrigar o Filho de Deus feito Homem: aquela na qual se encontrava a Virgem Santa. Que assim seja também conosco. Neste Natal, como naquele primeiro, o Menino Deus só nasce naquelas almas que não negam hospedagem a Maria
Santíssima. Procuremos, pois, abrir as portas de nossa alma a essa Boa Senhora, e Ela, em troca, abrirá para nós as portas do Céu e nos trará Jesus Menino, Luz que resplandece nas trevas, Senhor Nosso e Nosso Salvador.

Um feliz e santo Natal a todos.
Jorge Ferraz

13 de dezembro de 2006

O Dogma da Imaculada Conceição

O Deus inefável,
cujas vias são misericórdia e verdade,
cuja vontade é onipotência,
cuja sabedoria atinge de um extremo ao outro, com força soberana, e dispõe tudo com maravilhosa doçura,
havia previsto desde toda a eternidade, a deplorável ruína para a qual a transgressão de Adão deveria arrastar toda a humanidade;
e, nos segredos profundos de um desígnio, velado a todos os séculos, Ele havia decidido realizar - mistério mais profundo ainda, pela encarnação do Verbo -, a primeira obra de Sua bondade, a fim de que o homem que fora induzido ao pecado, pela malícia e astúcia do demônio,
não perecesse - o que era contrário ao desígnio misericordioso de seu Criador -,
e que a queda de nossa natureza, no primeiro Adão, fosse reparada com vantagem para o segundo.

Ele destinou, pois, para o seu Filho único - desde o início dos tempos, antes de todos os séculos -, a Mãe da qual, tendo se encarnado, ele nasceria, na bendita plenitude dos tempos;
Ele a escolheu, fixando o seu lugar, segundo a ordem de seus desígnios;
Ele a amou acima de todas as criaturas, com um amor tal, de predileção,
que nela colocou, de maneira singular, todas as suas maiores complacências.

Eis porque, indo buscar nos tesouros de sua divindade, Ele a cumulou, bem mais que a qualquer espírito angelical, bem mais que a qualquer santo, com a abundância de todas as graças celestiais e a enriqueceu com tal e maravilhosa exuberância, fazendo com que ela se mantivesse, para sempre, imaculada, inteiramente isenta da escravidão do pecado, belíssima, perfeitíssima e em tal plenitude de inocência e santidade, que não podemos conceber, abaixo de Deus, alguém com maior perfeição. E somente Deus, e ninguém mais, é capaz de avaliar a sua grandeza.

(...)

Como conseqüência, após oferecermos incessantemente, na humildade e no jejum, Nossas próprias orações e as orações públicas da Igreja a Deus Pai, por meio de seu Filho, para que se digne, pela virtude do Espírito Santo, dirigir e confirmar o Nosso espírito; após termos implorado o socorro de toda a corte celestial e invocado com lamentos o Espírito Consolador e, assim, por sua divina inspiração, em honra da Santa e indivisível Trindade, para a glória e insígnia da Virgem Mãe de Deus, para a exaltação da fé católica e progresso da religião cristã; pela autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, os bem-aventurados Pedro e Paulo e pela Nossa, declaramos, pronunciamos e definimos que a Doutrina que sustenta que a Santíssima Virgem Maria, no primeiro instante da Sua concepção, foi preservada imune de toda a mancha de culpa original - por singular graça e privilégio de Deus Onipotente, em função dos méritos de Cristo Jesus, Salvador do Gênero humano -, foi revelada por Deus, e, portanto, deve ser firme e constantemente acreditada por todos os fiéis.

Pio IX
Bula Ineffabilis Deus - 8 de dezembro de 1854

12 de dezembro de 2006

Para que nossa fé seja completa

Se nós admitimos que o Filho tenha sido criado pelo Pai, admitimos, igualmente, seu nascimento por meio de Maria, para que nossa fé seja completa.

Qual seria o motivo da Encarnação de Jesus? Este, indubitavelmente: a carne que havia pecado deveria ser resgatada pela mesma carne.

Santo Ambrósio (340 - 397)

6 de dezembro de 2006

São Nicolau

6 de Dezembro

O Santo deste dia é São Nicolau, muito amado pelos cristãos e alvo de
inúmeras lendas. Nicolau nasceu na Ásia Menor, pelo ano de 275, filho de
pais ricos, mas com uma profunda vida de oração. Tornou-se sacerdote da
diocese de Mira, onde com amor evangelizou os pagãos, mesmo no clima de
perseguição em que viviam os cristãos.

São Nicolau é conhecido principalmente para com os pobres, já que ao receber
por herança uma grande quantia de dinheiro, livremente partilhou com os
necessitados. Certa vez, Nicolau sabendo que três pobres moças não tinham os
dotes para o casamento e por isso o próprio pai, na loucura, aconselhou-lhes
a prostituição, atirou pela janela da casa das moças três bolsas com o
dinheiro suficiente para os dotes das jovens. Daí que nos países do Norte da
Europa, através da fantasia, viram em Nicolau o velho de barbas brancas que
levava presentes às crianças no mês de dezembro.

Sagrado bispo de Mira, Nicolau conquistou todos com sua caridade, zelo,
espírito de oração, e carisma de milagres. Historiadores relatam que ao ser
preso, por causa da perseguição dos cristãos, Nicolau foi torturado e
condenado à morte, mas felizmente salvou-se em 313, pois foi publicado o
edital de Milão que concedia a liberdade religiosa.

São Nicolau participou no Concílio de Niceia, onde Jesus foi declarado
consubstancial ao Pai. Partiu para o céu em 342 ao morrer em Mira com fama
de santidade e de instrumento de Deus para que muitos milagres chegassem ao
povo.

Fonte: Evangelho Quotidiano

5 de dezembro de 2006

Muitos virão sentar-se à mesa do banquete

Concílio Vaticano II -- Constituição sobre a Igreja no mundo actual "Gaudium et Spes"

"Do Oriente e do Ocidente, muitos virão sentar-se à mesa do banquete... no Reino do Céu"

«Imagem de Deus invisível» (Col. 1,15), Cristo é o homem perfeito, que restitui aos filhos de Adão semelhança divina, deformada desde o primeiro pecado. Já que, n'Ele, a natureza humana foi assumida, e não destruída, por isso mesmo também em nós foi ela elevada a sublime dignidade. Porque, pela sua encarnação, Ele, o Filho de Deus, uniu-se de certo modo a cada homem. Trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, excepto no pecado (He 4,15)...

O cristão, tornado conforme à imagem do Filho que é o primogénito entre a multidão dos irmãos (Ro 8,29)), recebe «as primícias do Espírito» (Rom. 8,23), que o tornam capaz de cumprir a lei nova do amor. Por meio deste Espírito, «penhor da herança (Ef. 1,14), o homem todo é renovado interiormente, até à «redenção do corpo» (Rom. 8,23)... É verdade que para o cristão é uma necessidade e um dever lutar contra o mal através de muitas tribulações, e sofrer a morte; mas, associado ao mistério pascal, e configurado à morte de Cristo, vai ao encontro da ressurreição, fortalecido pela esperança.

E o que fica dito, vale não só dos cristãos, mas de todos os homens de boa vontade, em cujos corações a graça opera ocultamente. Com efeito, já que por todos morreu Cristo (Ro 8,32) e a vocação última de todos os homens é realmente uma só, a saber, a divina, devemos manter que o Espírito Santo a todos dá a possibilidade de se associarem a este mistério pascal por um modo só de Deus conhecido.

24 de novembro de 2006

Quem se humilha será exaltado

"Quem se humilha será exaltado e quem se exalta será humilhado" (Mt 23,12)... Imitemos o Senhor que desceu do céu até à última humilhação e que, em recompensa, foi exaltado, desde o ínfimo lugar até à altura que lhe convinha. Descobramos tudo o que o Senhor nos ensina para nos conduzir à humildade.

Ainda menino, ei-lo já numa gruta, deitado não num berço mas numa mangedoura. Na casa de um operário e de uma mãe sem recursos, submeteu-se à mãe e ao seu esposo. Deixando-se ensinar, escutando aqueles de quem não tinha precisão, ele interrogava; contudo, de tal forma que, pelas suas interrogações, as pessoas espantavam-se com a sua sabedoria. Submete-se a João e o Mestre recebe o baptismo das mãos do servo. Nunca resistiu aos que se erguiam contra ele e não exibiu o seu poder invencível para se libertar das mãos que o prendiam, mas deixou-se levar, como um impotente, e na medida em que achou bem entregou-se nas mãos de um poder efémero. Compareceu diante do sumo-sacerdote na qualidade de acusado; conduzido diante do governador, submeteu-se ao seu julgamento e, quando podia responder aos caluniadores, suportou em silêncio as suas calúnias. Coberto de escarros por escravos e vis criados, foi enfim entregue à morte, a uma morte infamante aos olhos dos homens. Eis como se desenrolou a sua vida de homem, desde o nascimento até ao fim. Mas, depois de uma tal humilhação, fez brilhar a sua glória... Imitemo-lo para chegarmos, também nós, à glória eterna.


S. Basílio (cerca de 330 - 379), monge e bispo de Cesareia na Capadócia, doutor da Igreja.

Homilia sobre a humildade, 5-6

Fonte: Evangelho Quotidiano

16 de novembro de 2006

O Reino de Deus está no meio de nós e dentro de nós

Tal como disse o nosso Senhor e Salvador: "O Reino de Deus vem sem que se possa notar. Não se dirá: 'Ei-lo, está aqui' ou 'Está ali'. Porque o Reino de Deus está dentro de vós". Com efeito, "está bem perto de nós, essa Palavra, está na nossa boca e no nosso coração" (Dt 30,14). Sendo assim, é evidente que aquele que reza para que venha o Reino de Deus tem razão em pedir que esse reino de Deus germine, dê fruto e se realize dentro de si próprio. Em todos os santos em quem Deus reina e que obedecem às suas leis espirituais, ele habita como que numa cidade bem organizada. O Pai está presente nele e Cristo reina com o Pai nessa alma perfeita, tal como Ele mesmo disse: "Viremos a ele e faremos nele a nossa morada" (Jo 14,23).

Uma vez que estamos sempre a progredir, o Reino de Deus que está em nós atingirá a sua perfeição quando a palavra do apóstolo Paulo se cumprir: Cristo, "depois de ter submetido" todos os seus inimigos, "deporá o seu poder real nas mãos de Deus Pai, para que Deus seja tudo em todos" (1Co 15,28). É por isso que, rezando sem desanimar, com disposições divinizadas pelo Vebo, nós dizemos: "Pai nosso que estás nos céus, que o teu nome seja santificado, que o teu Reino venha" (Mt 6,9).


Orígenes (cerca de 185 - 253), presbítero e teólogo -- Tratado sobre a oração.

Fonte: Evangelho Quotidiano

Maria é o novo mundo preparado para receber o novo Adão

Antes de formar o primeiro homem, Deus tinha-lhe preparado o magnífico palácio da criação. Colocado no Paraíso, o homem se deixou expulsar por causa da sua desobediência, e tornou-se, com todos os seus descendentes, presa da corrupção. Mas, Aquele que é rico em misericórdia, teve piedade da obra de Suas próprias Mãos, e decidiu criar um novo céu, uma nova terra, um novo mar para servir de morada ao Incompreensível, desejoso de reformar o gênero humano.

O que é este mundo novo, esta nova criação? A bem-aventurada Virgem Maria é o céu que mostra o sol da justiça, a terra que produz o rio da vida, o mar que traz a pérola espiritual... Como este mundo é magnífico! Como esta geração é admirável, com a sua bela vegetação de virtudes, e suas flores odoríficas da virgindade!... O que há de mais puro, de mais irrepreensível que a Virgem?

Deus, luz soberana e imaculada, nela encontrou tantos encantos que se uniu, substancialmente, a ela, por meio da descida do Espírito Santo. Maria é a terra sobre a qual o espinho do pecado não conseguiu sequer florescer. Ao contrário, ela produziu o rebento, por meio do qual, o pecado foi completamente extirpado.

(...)

Maria é uma terra que não foi amaldiçoada como a primeira, aquela, fecunda em espinhos e cardos. Sobre ela, ao contrário, desceu a bênção do Senhor e seu fruto é bendito, como cita o divino oráculo.

Agora, de posse da bem-aventurada imortalidade, A Santa Virgem ergue para Deus - para a salvação do mundo - as suas mãos, estas que embalaram Deus... Branca e pura pomba, erguida em seu vôo até o mais alto dos céus, ela não cessa de proteger nossa região inferior. Ela nos deixou fisicamente, mas está conosco em espírito; no Céu, a Virgem Santa coloca os demônios em fuga, tendo-se tornado nossa mediadora junto ao Pai. Outrora, a morte, introduzida no mundo por meio de Eva, estreitou-a sob o seu penoso império; hoje, lançando-se sobre a bem-aventurada filha de u´a mãe cheia de culpa, a morte foi expulsa; e sua derrota surgiu de onde, dantes, surgira o seu poder...

Ó Virgem, eu vos vejo adormecida e não morta: vós fostes assunta, da terra ao Céu e, não obstante, não cessais de proteger o gênero humano... Mãe, permanecestes virgem, porque "Ele era Deus, aquele a quem vós destes à luz". Assim atua, igualmente, vossa "morte viva", tão diferente da nossa: somente vós - o que é mais do que justo - tendes o corpo e a alma íntegros, puros, incorruptos.

De São Teodoro Studita -- Os Mais belos textos sobre a Virgem Maria -- Apresentados por Padre Pie Régamey (1946) .

31 de outubro de 2006

Eu farei de vós pescadores de homens

Orígenes (c. 185-253), sacerdote e teólogo
Contra Celso, I, 62

A palavra dos apóstolos Simão e Judas ressoou por toda a terra

Se Jesus tivesse escolhido para ministros dos seus ensinamentos homens sábios segundo a opinião pública, capazes de compreender e de exprimir ideias caras à multidão, poderiam tê-lo acusado de pregar segundo o método dos filósofos de escola, e o carácter divino da sua doutrina não se teria mostrado com toda a sua evidência. A sua doutrina e a sua pregação teriam consistido “em sabedoria de palavras” (1 Cor 1, 17) […]; e a nossa fé, semelhante àquela com que se adere às doutrinas dos filósofos deste mundo, assentaria na sabedoria dos homens e não no poder de Deus (cf. 1 Cor 2, 5). Mas, quando vemos pescadores e publicanos sem instrução terem a ousadia de discutir com os judeus a fé em Jesus Cristo, de a pregar ao resto do mundo, e de conseguir lá chegar, não podemos deixar de procurar a origem deste poder de persuasão. Como não podemos deixar de confessar que Jesus cumpriu a sua palavra – “Vinde após Mim e Eu farei de vós pescadores de homens” (Mt 4, 19) – nos seus apóstolos por meio de um poder divino.

Também Paulo manifesta este poder quando escreve: “A minha palavra e a minha pregação não consistiram em discursos persuasivos da sabedoria humana, mas na manifestação do Espírito e do poder divino” (1 Cor 2, 4) […]. O mesmo haviam já dito os profetas, quando anunciavam antecipadamente a pregação do Evangelho: “O Senhor dá a palavra e os anunciadores da Boa Nova são uma multidão”, a fim de que “rápida corra a sua palavra” (Sl 67, 12; 147, 4). E, de facto, vemos que “a voz” dos apóstolos de Jesus ressoa “por toda a terra, até aos confins do universo a sua palavra” (Sl 18, 5; Rom 10, 18). Eis por que motivo aqueles que escutam a palavra de Deus poderosamente enunciada se enchem, eles mesmos, de poder; e manifestam-no pela sua conduta e pela sua luta em prol da verdade até à morte.

Fonte: Evangelho quotidiano

Eu sou a luz do mundo

Jean Tauler (c. 1300-1361), dominicano de Estrasburgo
Sermão 10

“Imediatamente o homem começou a ver, e seguia Jesus pelo caminho”

“Eu sou a luz do mundo” (Jo 8, 12). Ele é a luz que dá brilho a todas as luzes da terra: às luzes materiais como o sol, a lua, as estrelas e os sentidos físicos do homem; e também à luz espiritual, à inteligência do homem, graças à qual todas as criaturas devem refluir para a sua origem. Sem este refluxo, estas luzes criadas são, em si mesmas, verdadeiras trevas, comparadas com a luz autêntica por essência, que é luz para o mundo inteiro.

Nosso Senhor disse-nos: “Renuncia à tua luz, que é trevas em comparação com a minha luz, e que me é contrária, porque Eu sou a verdadeira luz e quero dar-te, em troca das tuas trevas, a minha luz eterna, a fim de que ela te pertença como a Mim mesmo, e de que tu tenhas, como Eu mesmo, o Meu ser, a Minha vida, a Minha felicidade e a Minha alegria.”

Qual é, então, o caminho mais curto, que conduz a verdadeira luz? Eis tal caminho: renunciar verdadeiramente a si mesmo, amar e não ter em vista senão só Deus […], não querer em coisa alguma o próprio interesse, mas desejar e procurar somente a honra e a glória de Deus, esperar tudo imediatamente de Deus e, sem desvio nem intermediário, a Ele remeter todas as coisas, venham de onde vierem, a fim de que haja entre Deus e nós um fluxo e um refluxo imediatos. Eis o verdadeiro caminho, o caminho recto.


Fonte: Evangelho quotidiano

Instruções do Cardeal Mindszenty ao povo húngaro

Como seria bom para o Brasil este exemplo!

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O Cardeal Mindszenty, no dia em que foi elevado à dignidade de Príncipe-Primaz, invocando o nome de Deus, adjurou os fiéis nestes termos: "Sejamos um povo de orações. Se reaprendermos a rezar, iremos possuir uma fonte inesgotável de força e de confiança. Eu deposito minha confiança nessas milhões de orações dos peregrinos e no terço de minha Mãe."

Em 1948 o Cardeal declara: "Meu voto, meu desejo mais profundo é que um milhão de famílias húngaras tomem o terço nas mãos e rezem a Maria." E, em uma de suas cartas pastorais: "Nós vemos a Mão de Deus nos acontecimentos da História, - mesmo nos perigos e nas tormentas - "É por este motivo que a nossa confiança n´Ele jamais se enfraquecerá. É por este motivo que nós vos conclamamos a colocar o vosso destino - por meio de Maria - nas mãos de Deus. Voltemos às mais antigas fontes do nosso Patrimônio Húngaro! Vamos dar à Virgem Maria o nome de rainha, para que ela tome o nosso destino em suas mãos."

Ouvi a prece que fez à Mãe de Deus: "Maria, nossa Mãe, o que nós suportamos em angústias, oferecemos em expiação. Que os suspiros e lágrimas, o medo, a amargura, o mudo lamento do mundo sirvam de expiação para nossos pecados. Estamos prestes a sofrer, Mãe dolorosa, tanto quanto teu Filho julgue necessário para a nossa salvação. Entretanto, nós te suplicamos, reerga a nação sofrida como Jó e mostra que tu continuas a ser a nossa Mãe."

P.Werenfried van Straaten,
Dans l’Homme nouveau de 15.06.1975

Fonte: Um minuto com Maria

O Rosário de Grignion de Montfort

Missionário, Grignon de Montfort subia o Rio Sena em uma embarcação cumulada de, pelo menos, umas 200 pessoas a se acotovelarem, rindo grosseiramente, cantando canções lascivas. Há pouco engajado neste vaivém de comerciantes de gado e peixeiros, o senhor de Montfort começa por ajustar o seu crucifixo, na ponta do próprio bastão. Em seguida, prostrando-se, grita: "Aqueles que amam Jesus Cristo, juntem-se a mim, para adorá-Lo."

Balançares desdenhosos de ombros, risadas e chacotas o acolheram. Então, voltando-se para o Irmão Nicolas, disse: "De joelhos, recitemos o Rosário!" Sob uma avalanche de deboches, os dois homens, cabeças descobertas, rostos concentrados e tranqüilos, desfiavam as Ave-Marias. Assim que terminaram o primeiro terço do Rosário, o Santo se levantou e com a voz doce convidou a assistência a se unir a ele para invocar Maria. Ninguém se mexeu, mas as vaias serenaram no momento em que a oração recomeçava. À medida que as invocações "Santa Maria, rogai por nós, pobres pecadores" se sucediam, o rosto do Santo se transfigurava.

Concluídas as cinco novas dezenas, nota-se em seu olhar tal súplica e, em sua voz, tanta unção e autoridade que, no momento em que conjura a assistência a recitar com ele a terceira parte do Rosário, todos caem de joelhos e repetem docilmente as suas palavras, esquecidas desde a infância. O santo sacerdote pôde então se alegrar: de um teatro de obscenidades, ele fez um santuário; aos lábios acostumados às blasfêmias, ele restituiu o nome de Maria.

Antologia Mariana 1975 p. 12


Fonte: Um minuto com Maria

Celebrar ou não celebrar Halloween?

Entrevista com Paolo Gulisano, autor de um livro sobre o tema

ROMA, segunda-feira, 30 de outubro de 2006 (ZENIT.org).- Grandes abóboras vazias iluminadas em seu interior, como se fossem caveiras, esqueletos e sombrias figuras encapuzadas, risadas assustadoras e um estribilho obsessivo; doce ou brincadeira? Tudo isso é Halloween, uma moda, uma festa, um novo costume que se impôs nos últimos anos, graças, em parte, à persuasão do cinema e da televisão.

A festa de Halloween se introduziu inclusive nas escolas de países nos quais há apenas alguns anos se desconhecia a existência da festa: em muitos centros escolares, desde a escola primária à superior, os professores organizam a festa junto aos alunos, com jogos e desenhos.

O tema de Halloween foi abordado em todos seus aspectos pelo escritor italiano Paolo Gulisano, autor de numerosos ensaios sobre literatura de fantasia e sobre a cultura anglo-saxônica. Junto à pesquisadora irlandesa, residente nos Estados Unidos, Brid O’Neill, publicou nestes dias em italiano um livro titulado «A noite das abóboras» («La notte delle zucche», editora Ancora).

Para aprofundar no significado da festa de Halloween, Zenit entrevistou Paolo Guiliano.

--Em alguns setores, ante a expansão de Halloween, começou a manifestar-se uma certa preocupação. O que você pensa ao respeito?

--Guliano: É verdade. Há quem vê no Halloween um retorno a formas de «paganismo» e quem, ao contrário, vê um rito folclórico e de consumismo, uma espécie de inócuo carnaval fora de temporada. O fato é que ninguém recorda, não só entre as crianças e jovens e no âmbito mediático popular, a festividade cristã que Halloween está suplantando, Todos os Santos. Em 1º de novembro se confundiu com a comemoração dos Fiéis Defuntos, que cai na realidade no dia seguinte.

--Mas o que significa Halloween?

--Gulisano: O nome Halloween é a deformação americana do termo, no inglês da Irlanda, «All Howllows’ Eve»: Vigília de Todos os Santos. Esta antiqüíssima festa chegou aos Estados Unidos junto com os imigrantes irlandeses e lá se enraizou, para sofrer recentemente uma radical transformação. Das telas de Hollywood, a moda de Halloween chegou assim desde há alguns anos à velha Europa e a outras partes do mundo. Detrás de Halloween está uma das mais antigas festas sagradas do Ocidente: uma festa que atravessou os séculos, com usos e costumes que se foram redefinindo no tempo, mas que conservaram o mesmo significado. Suas origens, o significado dos símbolos, são, contudo, desconhecidos para a maioria.

--Mas a festa se remonta ao paganismo dos celtas. Em 1º de novembro, era para eles o primeiro dia do ano, a festa na qual os espíritos buscavam corpos para reencarnar-se. A Igreja, na Idade Média, substituiria esta tradição pela festividade de Todos os Santos, que é seguida depois pelo dia dos Fiéis Defuntos.

--Gulisano: Exato. Halloween não é mais que a última versão, secularizada, de uma ortodoxa festa católica, e em meu livro procurei explicar como pôde suceder que uma tradição plurissecular cristã tenha se convertido no atual carnaval de terror. Digamos antes de tudo, que a origem deste último fenômeno, Halloween, é completamente americana. Nesse país, ao que chegaram milhões de imigrantes irlandeses, com sua profunda devoção pelos santos, se tratava de um culto muito fastidioso para a cultura dominante, de caráter puritano. Deste modo, em sua atual versão secularizada, buscou-se descartar o sentido católico de Todos os Santos, mantendo em Halloween o aspecto lúgubre do mais além, com os fantasmas, os mortos que se levantam dos túmulos, as almas perdidas que atormentam aos que em vida lhes fizeram dano: um aspecto que se tenta exorcizar com as máscaras e as brincadeiras.

Obviamente, o velho continente não podia permanecer muito tempo sem adotar o novo «culto». De fato, vemos Halloween difundir-se cada vez mais entre nós com seu cortejo de artigos de consumo mais ou menos macabros -- caveiras, esqueletos, bruxas -- que não se propõe como uma forma de neopaganismo, nem como um culto esotérico, mas simplesmente como uma paródia da religiosidade cristã autêntica, com fins preferentemente consumistas: vender produtos de carnaval (o chamado mercado de Halloween), máscara, caveiras, abóboras, capas, gorros e outras coisas, além de espaços publicitários nos filmes de horror emitidos pelas emissoras de televisão. Halloween se propõe comercialmente como uma festa jovem, divertida, diferente, «transgressiva»; a pessoa se disfarça de fantasma, bruxa ou zumbi para ir a alguma festa...

--Contudo, Halloween não pode ser considerado simplesmente como um fenômeno comercial ou como um segundo Carnaval...

--Gulisano: Certamente. É importante conhecer e saber valorizar bem suas raízes culturais, e também as implicações esotéricas que se sobrepuseram ambiguamente a esta data. O dia 31 de outubro, com efeito, se converteu em uma data importante para o esoterismo, em cujos textos encontramos estas definições: «Volta do Grande Sabba [encontro entre as bruxas e Satanás, ndr.] quatro vezes ao ano... Halloween, que é talvez a festa mais querida»; «Samhain [festa celta de 1º de novembro, ndr.] é o dia mais mágico de todo o ano, ano novo de todo o mundo esotérico». O mundo do oculto a define assim: «é a festa mais importante para os seguidores de Satanás». A data de uma importante celebração de cultura celta antes e da cristã depois passou a fazer parte do calendário do ocultismo.

--Então, o que se deve fazer no dia 31 de outubro?

--Gulisano: Na minha opinião, pode-se e deve-se fazer festa. Em 1º de novembro, que foi o Ano Novo celta e depois Todos os Santos, é uma festividade extraordinária para os cristãos, e não vale a pena deixá-la nas mãos de charlatões e ocultistas. Não é preciso ter medo do Halloween «mal», e por isso é preciso conhecê-lo bem. Halloween, de qualquer forma, não pode ser ignorado, já faz parte já do cenário de nossos tempos. O que fazer, portanto?

Educadores e famílias deveriam mobilizar-se contra a falta de educação, de bom gosto, contra a profanação do mistério da morte e da vida após a morte, mas não é fácil ir contra a corrente, desafiar as modas que imperam em nossa sociedade.

Então, pode-se fazer festa em Halloween, recordando o que este dia significou durante séculos e o que continua testemunhando. Deve-se salvar Halloween, dando-lhe todo seu antigo significado, liberando esta festa da dimensão puramente consumista e comercial e, sobretudo, extirpando a pátina de ocultismo sombrio de que foi revestida.

Portanto, eu aconselharia organizar a festa e explicar claramente que se está festejando os mortos e os santos, de forma positiva e inclusive engraçada, para que as crianças sejam educadas em uma visão da morte como um acontecimento humano, natural, do qual não se deve ter medo.

Pio XII consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria

No dia 31 de outubro de 1942, data do encerramento solene do Jubileu das Aparições de Fátima, o Papa Pio XII enuncia, por meio de uma rádio, a consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria atendendo ao pedido de nossa Mãe do Céu. Este gesto importante foi por ele renovado no dia 8 de dezembro do mesmo ano.

Em 1944, em plena guerra mundial, o mesmo soberano pontífice consagraria, igualmente, todo o gênero humano ao Imaculado Coração de Maria, colocando-o sob a Sua poderosa proteção. Durante a mesma cerimônia, o sumo pontífice decretou que a Igreja inteira celebraria uma festa, a cada ano, em honra ao Imaculado Coração de Maria, para que fosse obtida, por meio da intercessão da Santíssima Virgem "A paz das nações, a liberdade da Igreja, a conversão dos pecadores, o amor à pureza e a prática das virtudes". Ele fixou a data desta festa para o dia 22 de agosto, oitavo dia da festa da Assunção.

Fonte: Um minuto com Maria

Ser fermento na massa

S. João Crisóstomo
(cerca 345-407), bispo de Antioquia e depois de Constantinopla, doutor da Igreja
Homília 20 sobre os Actos dos Apóstolos

Há algo mais irrisório do que um cristão que não se preocupa com os outros? Não tomes como pretexto a tua pobreza: a viúva que pôs duas pequenas moedas na arca do tesouro (Mc 12,42) levantar-se-ia contra ti; Pedro também, ele que dizia ao coxo: “Não tenho ouro nem prata” (Ac 3,6), e Paulo, tão pobre que tinha muitas vezes fome. Não uses a tua condição social, pois os apóstolos também eram humildes e de baixa condição. Não invoques a tua ignorância, porque eles eram homens iletrados. Mesmo se tu eras escravo ou fugitivo, tu podias sempre fazer o que dependia de ti. Assim era Onésimo que Paulo elogiou. Serás tu de saúde frágil? Timóteo também o era. Sim, seja o que for que sejamos, não importa quem pode ser útil ao seu próximo, se ele quer verdadeiramente fazer o que ele pode.

Vês quantas árvores da floresta são vigorosas, belas, esbeltas? E contudo, nos jardins, preferimos árvores de fruto ou oliveiras cobertas de frutos. Belas árvores estéreis..., assim são os homens que apenas consideram o seu próprio interesse...

Se o fermento não levedasse a massa, não seria um verdadeiro fermento. Se um perfume não perfumasse os que estão perto, poderíamos chamá-lo de perfume? Não digas pois que é impossível teres uma boa influência sobre os outros, porque se és verdadeiramente cristão, é impossível que não se passe nada; isso faz parte da essência própria do cristão... Será tão contraditório dizer que um cristão não pode ser útil ao seu próximo como negar ao sol a possibilidade de iluminar e aquecer.


Fonte: Evangelho quotidiano

25 de outubro de 2006

A luta do povo pela liberdade

O Papa Bento XVI solidarizou-se com a luta do povo húngaro contra o comunismo há 50 anos atrás.


Carta do Papa nos cinqüenta anos da rebelião da Hungria


CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 24 de outubro de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos a carta que Bento XVI enviou ao cardeal Angelo Sodano, legado pontifício por ocasião das celebrações do qüinquagésimo aniversário da rebelião da Hungria.

* * *


A nosso venerado irmão
Cardeal ANGELO SODANO
Secretário de Estado emérito
Decano do Colégio cardinalício

É nobre e justo defender e conservar os próprios direitos de liberdade e religião. Com efeito, «a verdadeira liberdade é sinal eminente da imagem divina no homem» (Gaudium et spes, 17). Por isso, a Igreja considera que se deve tutelar a justa dignidade e a liberdade: «O homem foi constituído inteligente e livre na sociedade por Deus criador» (ib., 21). Em conseqüência, os que por este motivo sofrem atropelos ou perdem a vida são dignos de louvor e de piedosa lembrança.

Assim, pois, como há cinqüenta anos meu predecessor o Papa Pio XII, de venerada memória, solicitamente acompanhou com suas orações e consolou com suas palavras o povo húngaro quando defendia sua liberdade, também eu quero expressar estima pelas solenes celebrações que dentro de pouco acontecerão em Budapeste para comemorar o 50º aniversário daquela heróica defesa da liberdade nacional.

Estou profundamente certo de que este acontecimento poderá ajudar a fé e a unidade dessa nobre nação e de toda a Europa. Por isso, aceitei com prazer ao convite do senhor presidente da Hungria, Ladislao Solyon. Ao não poder ir eu pessoalmente, desejo encomendar o cumprimento desta singular tarefa a ti, venerado irmão, que com grande prudência e perícia te encarregaste durante tanto tempo dos compromissos mais importantes do Romano Pontífice para bem de toda a Igreja.

Portanto, com esta carta eu te nomeio legado meu para a solene comemoração que se terá em Budapeste nos dias 22 e 23 do próximo mês de outubro, por ocasião da celebração da liberdade da Hungria. Assim, pois, em meu nome presidirás os ritos solenes e transmitirás convenientemente a todos os presentes minha saudação, particularmente ao presidente da Hungria, às autoridades e aos pastores sagrados. A todos confirmarás minha benevolência, caridade e presença espiritual.

Podes exortar a todos com as palavras do Concílio Vaticano II, “principalmente àqueles que têm a seu cuidado a educação dos outros, a que se esforcem por formar homens que, respeitando a ordem moral, obedeçam à autoridade legítima e amem a autêntica liberdade” (Dignitatis humanae, 8).

Encomendo tua missão de legado à poderosa intercessão da Grande Senhora da Hungria, assim como a São Estevão e a São João de Capistrano, com a esperança de que esse acontecimento beneficie a nação, confirme sua fé e dê abundantes frutos de caridade e paz.

Quero, por último, que envies amorosamente a todos os participantes na celebração a bênção apostólica, prenda da graça celestial e testemunho de minha comunhão.

Vaticano, 23 de setembro de 2006, segundo ano de meu pontificado.

[Tradução realizada por Zenit. © Copyright 2006 - Libreria Editrice Vaticana]

Silêncio e contemplação

"Só se procederem do silêncio e da contemplação nossas palavras podem ter um certo valor e utilidade e não cair na inflação dos discursos do mundo que buscam o consenso da opinião pública."

Papa Bento XVI

6 de outubro de 2006

O nascimento da nova Eva

Alegra-te, Adão, nosso pai, e sobretudo tu, Eva, nossa mãe. Fostes ao mesmo tempo os nossos pais e os nossos assassinos; vós que nos destinastes à morte ainda antes de nos terdes dado à luz, consolai-vos agora. Uma das vossas filhas - e que filha! - vos consolará. Vem então, Eva, corre para junto de Maria. Que a mãe recorra à sua filha; a filha responderá pela mãe e apagará a sua falta. Porque a raça humana será agora elevada por uma mulher.

Que dizia Adão outrora? "A mulher que me deste ofereceu-me o fruto da árvore e eu comi." (Gn 3,12) Eram palavras más, que agravavam a sua falta em vez de a apagarem. Mas a divina Sabedoria triunfou sobre tanta malícia; aquela ocasião de perdoar que Deus tinha tentado em vão fazer nascer, ao interrogar Adão, eis que agora a encontra no tesouro da sua inesgotável bondade. A primeira mulher é substituida por outra, uma mulher sábia no lugar da insensata, uma mulher humilde tanto quanto a outra era orgulhosa.

Em vez do fruto da árvore da morte, ela apresenta aos homens o pão da vida; substitui aquele alimento amargo e envenenado pela doçura dum alimento eterno. Muda então, Adão, a tua acusação injusta em expressão de agradecimento e diz: "Senhor, a mulher que tu me deste apresentou-me o fruto da árvore da vida. Comi dele e o seu sabor foi para mim mais delicioso do que o mel (Sl 18,11), porque por este fruto me devolveste a vida." Eis porque é que o anjo foi enviado a uma virgem. Ó Virgem admirável, digna de todas as honras! Ó mulher que temos de venerar infinitamente entre todas as mulheres, tu reparas a falta dos nossos primeiros pais, tu dás vida a toda a sua descendência.

S. Bernardo (1091-1153)
Monge cisterciense e doutor da Igreja
Louvores da Virgem Maria: homilia 2.

27 de setembro de 2006

Assassinato e totalitarismo andam juntos

É interessante a combinação de querer liberdade para assassinar crianças e negar a liberdade de expressão "político-ideológica" a religiosos, como se não fossem também cidadãos.

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Nota da Arquidiocese do Rio de Janeiro sobre notificação ao cardeal Eusébio Scheid

RIO DE JANEIRO, terça-feira, 26 de setembro de 2006 (ZENIT.org).

A Assessoria de Imprensa da Arquidiocese do Rio de Janeiro divulgou esta terça-feira Nota Oficial, assinada pelo Bispo Auxiliar e Moderador da Cúria Metropolitana, Dom Assis Lopes, sobre o recebimento da notificação do TRE ao Cardeal Eusébio Scheid e a D. Dimas Lara Barbosa, Bispo auxiliar do Rio e a cassação dessa liminar pelo Colegiado do próprio TRE. Esta é a íntegra da Nota Oficial:

NOTA OFICIAL DA ARQUIDIOCESE DO RIO DE JANEIRO

Em setembro de 2005, a Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, diretamente subordinada à Presidência da República, encaminhou à Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados um Projeto de Lei elaborado por uma Comissão Tripartite (integrada por representantes dos Poderes Executivo e Legislativo e de entidades da sociedade civil, em cuja participação a Igreja Católica não foi admitida), e que propunha a descriminalização do aborto no Brasil.

No dia 4 de outubro de 2005, a relatora, Deputada Jandira Feghali, apresentou parecer incorporando o relatório dessa Comissão Tripartite a um substitutivo do PL – Projeto de Lei 1135, de 1991, definindo o aborto como um direito da mulher, e propondo extinguir todos os artigos do Código Penal Brasileiro que definem o crime de aborto. Com isto, todos os tipos de aborto deixariam de ser crime e a prática se tornaria legal, por qualquer motivo, em qualquer momento da gravidez, isto é, durante todos os nove meses, desde a concepção até o momento do parto (1).

Diversos grupos da sociedade civil têm se organizado no sentido de tornar conhecida essa atividade, em si mesma pública, da Parlamentar. Na quinta-feira, dia 21 de setembro de 2006, no entanto, a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro foi surpreendida com um Mandado de Busca e Apreensão de “material de propaganda eleitoral em desfavor” da candidata Jandira Feghali ao Senado. Esse Mandado foi conseqüência de uma representação da Coligação “Um Rio Para Todos” (PT, PSB e PC do B) ao TRE – Tribunal Regional Eleitoral.

Em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão, os Oficiais de Justiça e a Advogada da Coligação vistoriaram todas as dependências da Sede da Arquidiocese, não respeitando nem mesmo o Gabinete Oficial do Eminentíssimo Senhor Cardeal e os Gabinetes dos Excelentíssimos Senhores Bispos Auxiliares. O material procurado não foi encontrado, e não era de autoria nem de responsabilidade da Arquidiocese.

Ontem, dia 25 de setembro, às 15h11min, o Eminentíssimo Senhor Cardeal Dom Eusébio Oscar Scheid, Arcebispo do Rio de Janeiro e o Excelentíssimo Senhor Bispo Auxiliar, Dom Dimas Lara Barbosa, foram notificados do teor da seguinte liminar: que orientem “a todos os párocos, vigários paroquiais e diáconos ou eventuais celebrantes de ofícios religiosos, no sentido de que se abstenham de qualquer tipo de comentário ou referência político-ideológica, sob pena de caracterizar-se desobediência à presente ordem judicial”.

Nesse mesmo dia 25 de setembro, no entanto, o Colegiado do próprio TRE cassou essa liminar, por cinco votos a um. Afinal, a Constituição Brasileira foi respeitada e prevaleceu a democracia.
A Arquidiocese do Rio de Janeiro, na fidelidade à sua missão evangélica, reafirma sua posição com relação às eleições 2006 – expressa no documento intitulado “Voto Consciente”, distribuído às Paróquias - em que incentiva a participação dos católicos na política e a escolha de candidatos comprometidos com os princípios e valores éticos e cristãos; reafirma, ainda, o ponto principal do documento: o respeito à vida e à dignidade da pessoa humana desde a concepção até a morte natural.

É direito do eleitor conhecer seus candidatos e sua atuação. Por outro lado, espera-se de todo candidato a devida transparência em todos os seus atos e propostas.

Rio de Janeiro, 26 de setembro de 2006

Dom Assis Lopes Bispo Auxiliar do Rio e Moderador da Cúria Metropolitana

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1. Esse fato pode ser constatado no site oficial da Câmara dos Deputados: www.camara.gov.br/sileg/integras/361656.pdf. Veja-se: http://www.jandirafeghali.com.br/site/index.php?option=content&task=view&id=913&Itemid=2.

Fonte: zenit.org -- ZP06092618

Defesa do direito à vida não depende de motivação religiosa

Muito boa esta explicação. Principalmente pela comparação com a "vida tartarugal"...

Defesa do direito à vida não depende de motivação religiosa, afirma jurista

Ives Gandra Martins diz que aborto é «homicídio de seres humanos concebidos»

SÃO PAULO, terça-feira, 26 de setembro de 2006 (ZENIT.org).- Segundo um jurista brasileiro, os promotores do aborto tentam desqualificar os defensores da vida afirmando que estes agem por motivação religiosa.

Ives Gandra da Silva Martins afirma que «os abortistas -e não tenho receio de chamá-los assim, visto que defendem o aborto, ou seja, o homicídio de seres humanos concebidos, no ventre materno- na ânsia de desqualificarem os defensores dos inocentes, dizem que estes são movidos por motivos religiosos, como se, numa democracia, só quem não tem religião tenha o direito de opinar».

O jurista recorda o direito à vida «sempre foi defendido por ateus, agnósticos e crentes em Deus, desde que não vocacionados ao direito de matar».

Em artigo intitulado O Direito de Viver, difundido essa segunda-feira pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), Ives Gandra lembra que o Brasil é signatário do Pacto de São José, tratado internacional que reconhece que a vida tem início na concepção.

«O zigoto já é um ser humano, com todos os sinais que se desenvolverão até sua morte, dentro ou fora do ventre materno», afirma o jurista.

«Se assim não fosse --prossegue--, tais pessoas que conseguiram aprovar o projeto Tamar, considerando crime destruir ovos de tartarugas, não precisariam preocupar-se, porque os ovos de tartarugas ou os fetos não seriam embriões de tartarugas e nem haveria vida “tartarugal” a proteger».

De acordo com Ives Gandra, por ter a Constituição brasileira garantido o “direito à vida” (art. 5º), sem qualquer restrição, e pelo fato de o Brasil ter assinado o Pacto de São José, «matar embriões de seres humanos no útero ou fora dele, é crime e torna quem o autoriza ou pratica promotor de homicídio».

«Tampouco me parece possível que lei ordinária possa autorizar a eliminação sumária de seres humanos pelos métodos dolorosos que se conhecem (dilaceração, queimaduras, envenenamento, retirada do líquido do cérebro para fazê-lo passar pela vagina materna etc., que estão descritos pelos professores de medicina que participaram comigo do livro “Direito fundamental à vida” – Editora Quartier Latin), visto que a Constituição proíbe tais práticas, assim como o Pacto de São José, para os países signatários, como o Brasil, que não tinham antes adotado o aborto, em sua legislação maior ou inferior», escreve o jurista.

Fonte: zenit.org
ZP06092615