15 de agosto de 2006

Não existem duas Missas

Bento XVI é gritante em ensinar que o problema atual é uma crise de Fé. Nada mais e nada menos. A repercussão desta crise se dá na liturgia também, claro. Mas, não da forma esperada pelos tradicionalistas ou pela SSPX e simpatizantes.

Assim como não existem duas Igrejas, uma pré-conciliar, e a outra pós-conciliar, também não existem duas Missas, a de ontem e a de hoje. A Missa é uma só e a mesma de sempre. A questão não é que rito se reza, seja ele romano, seja ele tridentino. Pelo contrário, a questão reside em como se reza! Novamente, é uma questão interna do fiel, portanto uma questão de fé.

Mauro do Carmo na lista Tradição Católica

14 de agosto de 2006

S. Maximiliano Maria Kolbe

No dia 14 de Agosto celebra-se:

S. Maximiliano Maria Kolbe
Presbítero, mártir, +1941

Nasceu na Polónia, em 1894. Morreu num campo de concentração nazista, oferecendo a sua vida em favor de um pai de família condenado à morte. Era franciscano conventual. Ensinou teologia em Cracóvia. Devotadíssimo de Nossa Senhora, fundou, na Polônia, a Milícia da Imaculada. E para maior divulgação da devoção à Imaculada, criou a Revista Azul, destinada aos operários e camponeses, alcançando, em 1938, cerca de 1 milhão de exemplares. A "Cidade da Imaculada" abrigava 672 religiosos e um vasto parque gráfico. Foi percursor das comunicações. Perto de Nagasaki fundou uma segunda Cidade da Imaculada com o seu boletim mariano e missionário, impresso em japonês.

Regressado à Polônia, foi preso pelos nazistas devido à influência que a revista e publicações marianas exerciam. Foi dia 7 de Fevereiro de 1941, em Varsóvia. Dali foi levado para Auschwitz e condenado a trabalhos forçados. Exerceu um verdadeiro apostolado no meio dos companheiros de infortúnio, encorajando-os a resistir com firmeza de ânimo. Foi ali que se ofereceu para morrer no lugar de Francisco Gajowniczek. Único sobrevivente do grupo, no subterrâneo da morte, Maximiliano Kolbe resistiu por quinze dias à fome, à sede, ao desespero na escuridão do cárcere. Confortava os companheiros, os quais, um após outro, aos poucos sucumbiam. Morreu com uma injecção de fenol que lhe administraram. Era o prisioneiro com o nº 16.670. Foi no dia 14 de Agosto de 1941. Beatificado por Paulo VI em 1971, foi canonizado por João Paulo II, em 1982.

Toda a razão de ser, de sofrer e de morrer do Padre Kolbe esteve em perscrutar - para dela viver e fazer que se vivesse - a resposta de Maria a Bernardette: "Sou a Imaculada Conceição".

Fonte: EVANGELHO QUOTIDIANO

11 de agosto de 2006

Vim lançar fogo sobre a terra

“Foi o fogo do teu amor, Senhor, que permitiu ao diácono São Lourenço permanecer fiel” (Coleta)

O exemplo de São Lourenço encoraja-nos a dar a vida, ilumina a fé, atrai a devoção. Não são as chamas da fogueira, mas as chamas de uma fé viva, que nos consomem. O nosso corpo não foi queimado pela causa de Jesus Cristo, mas a nossa alma é transportada pelos ardores do seu amor […], o nosso coração arde de amor por Jesus. Não foi o próprio Salvador que disse, acerca deste fogo sagrado: “Vim lançar fogo sobre a terra; e que quero Eu senão que ele já se tenha ateado?” (Lc 12, 49)? Cléofas e o companheiro experimentaram os seus efeitos quando diziam: “Não estava o nosso coração a arder cá dentro, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?” (Lc 24, 32).

Foi também graças a este incêndio interior que São Lourenço permaneceu insensível às chamas do martírio; arde em desejo de estar com Jesus, e não sente a tortura. Quanto mais cresce nele o ardor da fé, menos sofre a tortura. […] A força do braseiro divino que tem aceso no coração acalma as chamas do braseiro ateado pelo carrasco.

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África) e doutor da Igreja
Sermão 206 (atrib.)

Fonte: EVANGELHO QUOTIDIANO

Ver o Filho do homem vir com o seu Reino

A Sagrada Escritura, confirmada pela experiência dos séculos, ensina à família humana que o progresso humano, tão grande bem para o homem, traz consigo também uma grande tentação: perturbada a ordem de valores e misturado o bem com o mal, os homens e os grupos consideram apenas o que é seu, esquecendo o dos outros. Deixa assim o mundo de ser um lugar de verdadeira fraternidade, enquanto que o acrescido dos homens ameaça já destruir o próprio género humano.

E se alguém quer saber de que maneira se pode superar esta situação miserável, os cristãos professam que todas as actividades humanas... devem ser purificadas e levadas à perfeição pela cruz e ressurreição de Cristo. Porque, remido por Cristo e tornado nova criatura no Espírito Santo, o homem pode e deve amar até as coisas criadas por Deus...

O Verbo de Deus, pelo qual todas as coisas foram feitas, fazendo-se homem e vivendo na terra dos homens, entrou como homem perfeito na história do mundo, assumindo-a e recapitulando-a (Ef 1,10). Ele revela-nos que «Deus é amor» (1 Jo 4, 8) e ensina-nos ao mesmo tempo que a lei fundamental da perfeição humana e, portanto, da transformação do mundo, é o novo mandamento do amor (Jo 13,34). Dá, assim, aos que acreditam no amor de Deus, a certeza de que o caminho do amor está aberto para todos e que o esforço por estabelecer a universal fraternidade não é vão. Adverte, ao mesmo tempo, que este amor não se deve exercitar apenas nas coisas grandes, mas, antes de mais, nas circunstâncias ordinárias da vida. Suportando a morte por todos nós pecadores, ensina-nos com o seu exemplo que também devemos levar a cruz que a carne e o mundo fazem pesar sobre os ombros daqueles que buscam a paz e a justiça.

Concílio Vaticano II
Constituição sobre a Igreja no Mundo Contemporâneo, Gaudium et Spes, §37-38

Fonte: EVANGELHO QUOTIDIANO

3 de agosto de 2006

A pérola de grande valor

Entre os dons espirituais recebidos da generosidade de Deus, Francisco obteve em particular o de sempre enriquecer o seu tesouro de simplicidade graças ao amor de uma enorme pobreza. Ao ver que aquela que tinha sido a companheira habitual do Filho de Deus se tinha tornado então o objecto de uma aversão universal, ele tomou a peito desposá-la e dedicar-lhe um amor eterno. Não contente com "deixar por causa dela o seu pai e a sua mãe" (Gn 2,24), distribuiu aos pobres tudo o que podia possuir (Mt 19,21). Ninguém guardou o seu dinheiro de forma mais ciosa do que Francisco guardou a sua pobreza; ninguém vigiou o seu tesouro com mais cuidado do que ele dispendeu para guardar essa pérola de que fala o EvangelhoNada o feria tanto como encontrar entre os irmãos alguma coisa que não fosse absolutamente conforme à pobreza dos religiosos. Desde o início da sua vida religiosa até à morte, ele próprio só teve como riquezas uma túnica, uma corda como cinto e uma espécie de calções; nada mais lhe fazia falta. Às vezes, acontecia-lhe chorar ao pensar na pobreza de Cristo e de sua Mãe: "Eis porque é que a pobreza é a rainha das virtudes, dizia ele; é por causa do brilho com que irradiou no Rei dos reis (1Tm 6,15) e na Rainha sua Mãe".

Quando os irmãos lhe perguntavam um dia qual era a virtude que nos torna mais amigos de Cristo, respondeu, abrindo por assim dizer o segredo do seu coração: "Sabei, irmãos, que a pobreza espiritual é o caminho privilegiado da salvação, porque é a seiva da humildade e a raiz da perfeição; os seus frutos são incontáveis se bem que ocultos. Ela é esse 'tesouro escondido num campo' para cuja compra, diz o Evangelho, é preciso tudo vender e cujo valor deve impelir-nos a desprezar todas as outras coisas".

Fonte: EVANGELHO QUOTIDIANO

2 de agosto de 2006

A Virgem Maria, nossa esperança

A Virgem Maria foi assunta ao Céu de corpo e alma.

Ela é, portanto, a primeira e por enquanto a única pessoa humana a estar fisicamente junto de Jesus Cristo. Ela é o sinal da glória que Jesus reservou para os justos.

Assim, ela é a nossa esperança, porque nela já se concretizou aquilo que esperamos que se concretize também para nós.

1 de agosto de 2006

Não considerar apenas uma metade de Deus

Santo Agostinho observa que, para enganar os homens, o demônio emprega ora o desespero, ora a confiança. Após o pecado, o demônio nos mostra o rigor da justiça de Deus para que desconfiemos de Sua misericórdia. Entretanto, antes do pecado, o demônio nos coloca diante dos olhos a grande misericórdia de Deus, a fim de que o receio dos castigos, devidos aos pecados, não nos impeça de satisfazer nossas paixões.

"... Essa misericórdia sobre a qual vós cantais para poder pecar, dizei-me, quem vo-la prometeu? Não Deus, certamente, mas o demônio, obstinado em vos perder. Cuidado!", diz São João Crisóstomo, "de dar ouvidos a este monstro infernal que vos promete a misericórdia celeste... 'Deus é cheio de misericórdia, eu pecarei e em seguida confessar-me-ei.' Eis aí a ilusão, ou antes, a armadilha que o demônio usa para arrastar tantas almas para o inferno!"

Nosso Senhor, aparecendo um dia a Santa Brígida, queixou-Se: "Eu sou justo e misericordioso, mas os pecadores não querem ver senão minha misericórdia."

"Não duvideis", diz São Basílio, "que Deus é misericordioso, mas saibamos que Ele também é justo, e estejamos bem atentos para não considerar apenas uma metade de Deus."

Uma vez que Deus é justo, é impossível que os ingratos escapem do castigo... Misericórida! Misericórdia! Sim, mas para aquele que teme a Deus, e não para aquele que abusa da paciência divina.

(Sermons de S. Alphonse de Liguori, Analyses, commentaires, exposé du système de sa prédication, par le R.P. Basile Braeckman, de la Congrégation du T.S. Rédempteur, Tome Second. Jules de Meester-Imprimeur-Editeur, Roulers, pp. 55-60)

Os anjos lançarão os iníquos na fornalha ardente

Nos dias de hoje quase não se ouve mais a proclamação desta verdade anunciada por Jesus:

«Assim, pois, como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será no fim do mundo: o Filho do Homem enviará os seus anjos, que hão-de tirar do seu Reino todos os escandalosos e todos quantos praticam a iniquidade, e lançá-los na fornalha ardente; ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos resplandecerão como o Sol, no Reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos, ouça!»

(Mateus 13,40-43)

31 de julho de 2006

O fermento da nova Eva

Evangelho segundo S. Mateus 13,31-35:

Jesus propôs-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. É a mais pequena de todas as sementes; mas, depois de crescer, torna-se a maior planta do horto e transforma-se numa árvore, a ponto de virem as aves do céu abrigar-se nos seus ramos.» Jesus disse-lhes outra parábola: «O Reino do Céu é semelhante ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até que tudo fique fermentado.» Tudo isto disse Jesus, em parábolas, à multidão, e nada lhes dizia sem ser em parábolas. Deste modo cumpria-se o que fora anunciado pelo profeta: Abrirei a minha boca em parábolas e proclamarei coisas ocultas desde a criação do mundo.

Da Bíblia Sagrada

Comentário ao Evangelho do dia feito por :
S. Pedro Crisólogo (c. 406-450), bispo de Ravena, doutor da Igreja Sermão 99

O fermento que faz levedar toda a humanidade

Cristo comparava há pouco o Seu reino a um grão de mostarda; agora, identifica-o com fermento. Ele contava que um homem semeara uma sementinha e nascera uma grande árvore; agora a mulher incorpora uma pitada de fermento para fazer crescer a sua massa. Na verdade, como diz o apóstolo Paulo: «Diante do Senhor, a mulher é inseparável do homem, e o homem da mulher» (1Cor 11,11)... Nestas parábolas, Adão, o primeiro homem, e Eva, a primeira mulher, são conduzidos da árvore do conhecimento do bem e do mal ao sabor ardente dessa árvore da mostarda do evangelho...

Eva recebera do demónio o fermento da má fé; e essa mulher recebe de Deus o fermento da fé... Eva, pelo fermento da morte, corrompera, na pessoa de Adão toda a massa do género humano; uma outra mulher renovará na pessoa de Cristo, pelo fermento da ressurreição, toda a massa humana. Depois de Eva, que amassou o pão dos gemidos e do suor (Gn, 3,19), esta cozerá o pão da vida e da salvação. Depois daquela que foi, em Adão, a mãe de todos os mortos, esta será em Cristo a «verdadeira mãe de todos os vivos» (Gn, 3,20). Pois se Cristo quis nascer, foi para que nessa humanidade em que Eva semeou a morte, Maria restaurasse a vida. Maria oferece-nos a perfeita imagem desse fermento, ela propõe-nos a parábola, quando em seu seio recebe do céu o fermento do Verbo e o derrama em seu seio virginal sobre a carne humana, que digo eu? Sobre uma carne que, no seu seio virginal, é toda celeste e que ela faz, assim, levedar.

Fonte: EVANGELHO QUOTIDIANO

28 de julho de 2006

Subtraí-vos durante umas horas às vossas preocupações materiais

Comentário ao Evangelho feito por São Cesário de Arles (470-543), monge e bispo
Sermões ao povo

Receber a Palavra na boa terra

Que Cristo vos ajude, caríssimos irmãos, a acolher sempre a Palavra de Deus de coração ávido e sedento; assim, a vossa obediência fidelíssima encher-vos-á de alegria espiritual. Mas, se quereis que as Sagradas Escrituras vos sejam doces e que os preceitos divinos vos aproveitem como devem, subtraí-vos durante umas horas às vossas preocupações materiais. Relede na vossa casa as palavras de Deus, consagrai-vos inteiramente à Sua misericórdia. Assim, conseguireis realizar em vós aquilo que está escrito acerca do homem feliz: “Meditará dia e noite na lei do Senhor” (Ps 1, 2), e também: “Felizes aqueles que perscrutam os Seus mandamentos, aqueles que O buscam de todo o coração” (Ps 118, 2).

Os comerciantes não procuram retirar lucros de uma só mercadoria, mas de muitas. Os lavradores procuram melhorar o seu rendimento semeando diferentes tipos de sementes. Vós, que procurais benefícios espirituais, não vos contenteis com ouvir os textos sagrados na igreja. Lede os textos sagrados em casa; quando os dias são curtos, aproveitai os longos serões. E assim, podereis ajuntar o trigo espiritual no celeiro do vosso coração, e guardar no tesouro da vossa alma as pérolas preciosas das Escrituras.

Fonte: EVANGELHO QUOTIDIANO -- www.evangelhoquotidiano.org
Evangelho segundo S. Mateus 13,18-23

Temos necessidade do Deus que vence na cruz

Reflexão de Bento XVI sobre a paz
No ato de oração pelo Oriente Médio, presidido por ele no domingo

RHÊMES-SAINT GEORGES, terça-feira, 25 de julho de 2006 (ZENIT.org).- Publicamos as palavras que Bento dirigiu, sem papéis, na tarde deste domingo, no ato de oração pela paz no Oriente Médio que ele presidiu na igreja paroquial de Rhêmes Saint-Georges, no Vale de Aosta.

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Eu gostaria somente de oferecer umas breves palavras de meditação sobre a leitura que acabamos de escutar. Com o fundo da dramática situação do Oriente Médio, impressiona-nos a beleza da visão ilustrada pelo apóstolo Paulo (cf. Efésios 2, 13-18): Cristo é a nossa paz. Ele reconciliou uns e outros, judeus e pagãos, unindo-os em seu Corpo. Ele superou a inimizade com o seu Corpo, na Cruz. Com sua morte, superou a inimizade e uniu todos em sua paz.

No entanto, mais que a beleza dessa visão, o que nos impressiona é o contraste com a realidade que vivemos e vemos. E, em um primeiro momento, não podemos fazer outra coisa senão perguntar ao Senhor: «Mas, Senhor, o que é que teu apóstolo está nos dizendo: “Foram reconciliados”?» Na verdade, nós vemos que não estão reconciliados... Ainda há guerras entre cristãos, muçulmanos, judeus; e outros fomentam a guerra, e tudo continua repleto de inimizade, de violência. Onde está a eficácia do teu sacrifício? Onde está, na história, esta paz da qual o teu apóstolo nos fala?

Nós, os homens, não podemos resolver o mistério da história, o mistério da liberdade humana que diz «não» à paz de Deus. Não podemos resolver todo o mistério da relação entre Deus e o homem, de sua ação e de nossa resposta. Temos de aceitar o mistério. No entanto, há elementos de resposta que o Senhor nos oferece.

Um primeiro elemento é que essa reconciliação do Senhor, esse sacrifício seu, não foi ineficaz. Existe a grande realidade da comunhão da Igreja universal, de todos os povos, da rede da Comunhão eucarística, que transcende as fronteiras de culturas, de civilizações, de povos, de tempos. Existe essa comunhão, existem essas «ilhas de paz» no Corpo de Cristo. Existem. E existem forças de paz no mundo. Se contemplarmos a história, podemos ver os grandes santos da caridade que criaram «oásis» dessa paz de Deus no mundo, que acenderam novamente sua luz, e foram capazes de reconciliar e de criar de novo a paz. Existem os mártires que sofreram com Cristo, que deram esse testemunho da paz, do amor, que coloca um limite à violência.

E vendo que a realidade da paz existe, ainda que a outra realidade tenha permanecido, podemos aprofundar ainda mais na mensagem desta carta de São Paulo aos Efésios. O Senhor venceu na cruz. Ele não venceu com um novo império, com uma força mais poderosa que as outras, capaz de destruí-las; não venceu de uma maneira humana, como imaginamos, com um império mais forte que o outro. Ele venceu com um amor capaz de chegar até a morte. Esta é a nova maneira de vencer de Deus: à violência não opõe uma violência mais forte. À violência opõe precisamente o contrário: o amor até o final, sua Cruz. Esta é a maneira humilde de vencer de Deus: com seu amor -- e só assim é possível -- põe um limite à violência. Esta é uma maneira de vencer que nos parece muito lenta, mas é a verdadeira forma de vencer o mal, de vencer a violência, e temos que confiar nesta forma divina de vencer.

Confiar quer dizer entrar ativamente nesse amor divino, participar desse trabalho de pacificação, para estar em linha com o que o Senhor diz: «Bem-aventurados os pacificadores, os agentes de paz, porque eles são os filhos de Deus». Temos de levar, na medida das nossas possibilidades, nosso amor a todos os que sofrem, sabendo que o Juiz do Juízo Final se identifica com os que sofrem. Portanto, o que fazemos aos que sofrem, estamos fazendo ao Juiz Último da nossa vida. Isso é importante: neste momento, podemos levar sua vitória ao mundo, participando ativamente de sua caridade. Hoje, em um mundo multicultural e multirreligioso, muitos têm a tentação de dizer: «É melhor para a paz do mundo, entre as religiões, entre as culturas, não falar demais do específico do cristianismo, isto é, de Jesus, da Igreja, dos Sacramentos. Contentemo-nos com o que pode ser mais ou menos comum...». Mas não é verdade. Precisamente neste momento, momento de um grande abuso em nome de Deus, temos necessidade do Deus que vence na cruz, que não vence com a violência, senão com seu amor. Precisamente neste momento, temos necessidade do Rosto de Cristo para conhecer o verdadeiro rosto de Deus e para poder levar assim a reconciliação e a luz a este mundo. Por este motivo, junto com o amor, temos que levar também o testemunho desse Deus, da vitória de Deus, precisamente mediante a não-violência de sua Cruz.

Desta forma, voltamos ao ponto de partida. O que podemos fazer é dar testemunho do amor, testemunho da fé; e, sobretudo, elevar um grito a Deus: podemos rezar! Estamos certos de que nosso Pai escuta o grito de seus filhos. Na missa, ao preparar-nos para a santa Comunhão, para receber o Corpo de Cristo que nos une, pedimos com a Igreja: «Livrai-nos, Senhor, de todos os males, e concedei a paz em nossos dias». Que esta seja a nossa oração neste momento: «Livrai-nos de todos os males e dai-nos a paz». Não amanhã, ou depois de amanhã: dai-nos, Senhor, a paz hoje! Amém.


[Traduzido por Zenit © Copyright 2006 - Libreria Editrice Vaticana]
ZP06072506

26 de julho de 2006

A secularização da família

Cardeal Cañizares: Totalitarismo, direitos humanos e democracia (I)
Entrevista ao primaz da Espanha e vice-presidente da Conferência Episcopal

TOLEDO, terça-feira, 25 de julho de 2006 (ZENIT.org).- Tendo como pano de fundo o V Encontro Mundial das Famílias, recentemente realizado em Valência, Jaime Antúnez, diretor de Humanitas, revista de antropologia e cultura cristã da Pontifícia Universidade Católica do Chile, entrevistou detalhadamente o cardeal Antonio Cañizares, arcebispo de Toledo, primado da Espanha e vice-presidente da Conferência Episcopal espanhola. Estes são alguns dos principais pontos da conversa.

-- Em uma cultura como a que se impõe na Espanha, na Europa e em todo o Ocidente, com uma forte carga ideológica secularista, podemos afirmar que é no âmbito da família onde este secularismo se manifesta de forma mais evidente e agressiva?

-- Cardeal Antonio Cañizares: Acho que não é a família o âmbito onde se gera esse secularismo, senão que é o âmbito mais afetado por ele. A família na Espanha é concretamente uma família cristã, ainda quando não for praticante, ainda que seja muito sacudida pelos ventos da secularização, por todo o poder mediático que a ideologia relativista difunde. Existem recursos ainda muito valiosos na família espanhola, e estamos a tempo de que ela recupere sua verdade. Mas também é certo que a família espanhola, pelas pressões desse poder mediático, pelas legislações tão agressivas contra ela, está sofrendo um forte relativismo, que se baseia em viver fora da verdade que a constitui, com o qual as pessoas caem muitas vezes em situações lamentáveis.

-- Suas declarações descarregaram fortes responsabilidades no Governo socialista pelo que acontece com a família.

-- Cardeal Antonio Cañizares: Nos últimos anos, assistimos a uma escalada contra a família por parte do Governo socialista, ajudado por outras forças políticas e outros poderes ou grupos, como o do império gay ou o de certas ideologias e organizações feministas, que tentam impor a ideologia de gênero. A Espanha ocupa um dos últimos lugares da Europa em política familiar, o de menos ajuda à família; é, junto com a Grécia, a nação européia com o menor índice de natalidade, onde a população jovem mais decresceu nos últimos 25 anos, e onde mais se incrementou o número de abortos nos últimos dez anos; ocupa o terceiro lugar no crescimento de rupturas matrimoniais na última década. E, simultaneamente, foi mais longe que nenhum outro país da Comunidade Européia em matéria legislativa contrária e nociva para a família.

Novamente, é preciso dizer que o futuro da família depende de que esta possa viver sua verdade, de que supere o relativismo ao qual é empurrada. A família poderá ser educadora e transmissora da fé se superar esse relativismo. Se não o superar, continuará em uma crise, crise de fé que arraiga em uma crise de verdade, porque não tem fundamento principal para apoiar-se e viver com toda esperança o que ela é.

-- No final do passado mês de março, por ocasião dos 40 anos da clausura do Concílio Vaticano II, a Assembléia Plenária da Conferência Episcopal espanhola, da qual o senhor é o Vice-presidente, emitiu uma estudada declaração titulada «Teologia e secularização na Espanha» -- de ampla repercussão em todo o mundo católico ibero-americano -- na que se expõem os efeitos destrutivos da ideologia secularista no interior da teologia moral. Isso também tem relação com o tema da família, concretamente com a missão que ela tem de transmitir a fé, tema central do V Encontro Mundial em Valência?

-- Cardeal Antonio Cañizares: Efetivamente. O ensinamento teológico-moral na Espanha não ajudou a viver a verdade da família, não ajudou a que a família cristã seja essa pequena igreja doméstica que a «Familiaris consortio» deseja. Não ajudou a que se viva a família cristã como sinal e como ícone da aliança de Deus com a humanidade, a que a família seja lugar de encontro com Deus na comunidade.

-- E como se produziu isso, que uma teologia moral induza à secularização da família?

-- Cardeal Antonio Cañizares: Isso se produziu porque a base dessa teologia moral não foi precisamente a antropologia que a Revelação mostra em Jesus Cristo. E, claro, tudo isso se difundiu depois em cursos pré-matrimoniais, difundiu-se através de movimentos familiares que propagaram, por exemplo, uma leitura falsa da «Humanae vitae» de Paulo VI, ou inclusive contrária a ela, encontrando-se nela muitas das chaves dessa teologia moral. Propugnou-se, por conseguinte, que o importante era simplesmente o amor e não a abertura à vida. Ensinou-se que, sendo o matrimônio efetivamente indissolúvel, essa indissolubilidade radicava somente em uma decisão dos cônjuges.

É, como podemos ver, uma moral que se baseia unicamente na decisão pessoal e não no que são as realidades objetivas, que nos são dadas pela Revelação e com a mesma natureza criada. Essa teologia moral, em resumo, não difundiu o Deus criador, a realidade suprema que fez o homem, e o fez à sua imagem, homem e mulher.
Tudo isso influenciou muito negativamente na secularização da família. E se a família se seculariza, seculariza-se a sociedade inteira.

-- Alguns bispos espanhóis deram a conhecer, em diferentes declarações, que nesta nação se dá atualmente um fato inédito na história da civilização: a supressão do matrimônio.

-- Cardeal Antonio Cañizares: Aqui na Espanha, com efeito, o mais grave que aconteceu na legislação é que no Código Civil desaparece a realidade do matrimônio, sendo substituída simplesmente pela união de pessoas; e que as condições de «pai» e «mãe» são substituídas simplesmente pela denominação de «cônjuge». Conseqüentemente, o matrimônio não existe. Em nenhum lugar do mundo se fala de matrimônio de pessoas do mesmo sexo; matrimônio propriamente dito só existe entre homem e mulher. No Código Civil, isso é um fato enorme, desapareceu de fato a expressão jurídica natural do matrimônio entre um homem e uma mulher.

-- Conversando sobre essa situação com o arcebispo de Granada, Dom Javier Martinez, ele me dizia o seguinte: «Eu acho que há dois aspectos bastante visíveis na revolução niilista que se vive atualmente na Espanha. Um é o desejo de fazer desaparecer da vida cultural e social qualquer elemento, inclusive residual, da tradição cristã ou de referência à tradição cristã, ao conceito cristão do humano. Depois, unido a isso, está a invenção de ‘novos direitos’, porque o homem é concebido como um pequeno absoluto para quem tudo é possível, e tudo aquilo que é possível e agradável, imediatamente agradável, sem considerar as conseqüências, simplesmente se converte em um direito de forma fictícia». O senhor poderia comentar este segundo aspecto, referente aos «novos direitos»?

-- Cardeal Antonio Cañizares: Direitos humanos, nessa nova concepção, já não são os que estão inscritos na natureza humana. Direitos humanos já não são algo que antecede a decisão do homem, a decisão das maiorias, a decisão do poder, senão algo que se estabelece pelo poder, seja este o poder totalitário de um homem, o das maiorias, ou o que se gera através da manipulação da opinião pública. Em definitiva, o poder. Desta forma, é o ser humano quem decide e quem dá explicação absoluta de si mesmo, com o qual não há direitos humanos.

Neste momento, estamos assistindo -- e a Espanha é um dos expoentes mais nítidos -- a uma crise profundíssima dos direitos humanos, mas com essa crise profundíssima não pode haver democracia.

-- O senhor fala de totalitarismo...

-- Cardeal Antonio Cañizares: É uma atitude totalitarista. Não importa se é um totalitarismo parlamentar, ou seja, o totalitarismo de um senhor, mas é totalitarismo. O que vale é o que a maioria ou o poder supremo define, e se define algo alheiro à ordem natural criada, por que não... E isso se eleva como critério. É o que vimos com o discurso da investidura do presidente, onde ele afirmou que promoveria que cada um pudesse decidir sobre o seu sexo. Mas se cada um pode decidir sobre tudo isso e tudo é questão de decisão, por que não será também legítima a violência, por que não será legítimo o roubo, se é a pessoa que decide. Nesta concepção, não há nada objetivamente bom nem mau.

-- O positivismo em sua expressão mais radical.

-- Cardeal Antonio Cañizares: Exato.

--Chamou muito a atenção nos países americanos – e uma vez mais de modo exemplar – a reação dos católicos espanhóis em defesa do verdadeiro matrimônio e da família tradicional. Não é habitual que dois milhões de pessoas saiam às ruas, como um junho passado, e que um grupo importante de bispos acompanhe uma manifestação dessa natureza convocada por uma organização civil. De que maneira crê Sua Eminência que o V Encontro Mundial das Famílias fortalecerá essa capacidade de resistência frente ao claro e inédito propósito que se dá na Espanha de eliminar a instituição do matrimônio?

--Cardeal Antonio Cañizares: Quando as famílias recolheram firmas, quando as famílias saíram às ruas em duas ocasiões, foi para dizer sim à família, sim ao matrimônio entre o homem e a mulher, sim à vida, sim ao que está na entranha da verdade da família; sim ao direito e ao dever inalienável que os pais têm de educar seus filhos conforme suas próprias convicções, sim a esse ensino religioso que os pais pedem, sim a uma educação que seja verdadeiramente humanitária. O Encontro Mundial das Famílias foi a ratificação por parte do Papa e por parte também de outras famílias, de outras partes do mundo, disso mesmo que as famílias espanholas estão defendendo, propondo. E têm se sentido muito alentadas; o Encontro de Valência terá sido pra elas não somente um ar fresco que chegou, mas que com a grande força do Espírito e a grande força da Igreja que lhes disse: adiante!, tende confiança em seus próprios recursos e em sua própria realidade, que por aí vai o futuro e o melhor serviço que podeis fazer à sociedade.

[A segunda parte desta entrevista será publicada esta quarta-feira, 26 de julho]

ZP06072520

25 de julho de 2006

Educação ao silêncio

RUMO AO SACERDÓCIO do mons. Massimo Camisasca

"Educação ao silêncio" Cidade do Vaticano (Agência Fides) - Não existe possibilidade de estar diante de uma Presença, da pessoa de Cristo presente agora, se não se é educado ao silêncio. O eremita Laurentius dizia: «Então compreendi que a minha vida seria transcorrida na memória daquilo que me tinha ocorrido. E a tua recordação me enche de silêncio». O nosso conhecimento de Cristo é um donum Dei altissimi, por isso, deve ser implorado, tenazmente e fielmente.

Assim, um tempo do dia sistematicamente dedicado ao silêncio é fundamental na vida de um padre, que de outro modo acaba disperso entre mil particulares e preocupações. A vida de um padre, inclusive do mais ativo missionário, deve ter no fundo uma ossatura monástica, ou permanece frágil, sem capacidade de construção autêntica. É no silêncio que se aprende a estar com as pessoas de maneira diferente, a falar com as pessoas de maneira diferente, a rir com as pessoas de maneira diferente. Ao mesmo tempo, torna-se mais felizes e mais profundos.

O silêncio não pode ser reduzido a um tempo de "atualização". Mesmo que seja um tempo de leitura - da vida dos santos ou da história da Igreja - este tem a estrutura da oração. Por isso, ensino aos meus seminaristas a começar a hora que cotidianamente fazemos na nossa Casa de Formação com dez minutos de oração em joelhos diante de Cristo e a conclui-la com o Terço: oração que é pergunta, que é oferta de si, oração que é invocação da bênção de Deus sobre a Igreja, sobre as pessoas que nos são confiadas. Somente uma razão persuasiva de caridade poderia dispensar deste tempo do dia doado diretamente a Cristo.

(Agência Fides 14/7/2006)

Fonte: Lista Tradição Católica

A importância do descanso

Que interessante este comentário do Pe. Raniero Cantalamessa, ofmcap, pregador da Casa Pontifícia, sobre a importância do descanso:

Jesus, no Evangelho, jamais dá a impressão de estar agitado pela pressa. Às vezes, ele até perde o tempo: todos o buscam e Ele não se deixa encontrar, absorto como está na oração. Às vezes, como em nossa passagem evangélica, Ele inclusive convida seus discípulos a perderem tempo com Ele: «Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco». Ele recomenda freqüentemente que não se agitem. Também o nosso físico, quanto bem recebe através de tais «folgas».

Entre essas «pausas», estão precisamente as férias de verão que estamos vivendo [na Europa ndr.]. Elas são, para a maioria das pessoas, a única oportunidade de descansar um pouco, para dialogar de forma distendida com o próprio cônjuge, brincar com os filhos, ler algum bom livro ou contemplar a natureza em silêncio; em resumo, para relaxar. Fazer das férias um tempo mais frenético que o resto do ano significaria arruiná-las.

Ao mandamento «Lembrai-vos de santificai as festas», seria preciso acrescentar: «Lembrai-vos de santificar as férias». «Parai (literalmente: vacate, tirai férias!), sabei que eu sou Deus», diz Deus em um salmo (Salmo 46). Um meio simples de fazer isso poderia ser entrar em uma igreja ou em uma capela de montanha, em uma hora onde estiver deserta, e passar um pouco de tempo «solitário» lá, a sós conosco mesmos, a sós frente a Deus.

Fonte: Zenit -- ZP06072101

Orações pela conversão dos terroristas

Que interessante... Rezar pela conversão dos terroristas.

Isto é que é um exemplo de coragem e fé digno de um Papa!

Essa visita do Papa às carmelitas foi feita em apoio ao bombardeio do Monte Carmelo pelos terroristas no dia de Nossa Senhora do Carmo.




Bento XVI pede orações pela conversão dos terroristas

INTROD, sexta-feira, 21 de julho de 2006 (ZENIT.org).- Em pleno agravamento do conflito no Oriente Médio, Bento XVI pediu orações pela conversão dos terroristas.

Este foi o compromisso que deixou às carmelitas de Quart, localidade próxima a Les Combes (Introd), ao visitar-lhes em 14 de julho, em sua primeira excursão nestes dias que passa em férias nos Alpes italianos. As próprias religiosas revelaram agora conteúdos de sua conversa à imprensa.

«Rezai também pelos terroristas, pois não sabem que não só causam dano ao próximo, mas antes de tudo a si mesmo», disse o Papa, segundo revelou à imprensa Irmã Maria, uma das dez carmelitas da comunidade religiosa.

Preocupado pelo que acontece na Terra Santa, o Papa acrescentou: «Agora experimentamos um agravamento do conflito no Líbano, mas também em outras muitas partes do mundo há pessoas que sofrem por causa da fome e da violência».

«A vida contemplativa e rica de caridade abre o céu à humanidade, que tanto o necessita, pois hoje no mundo parece como se Deus não existisse. E onde não está Deus há violência e terrorismo».

O Santo Padre, segundo revelou a religiosa ao diário italiano La Repubblica em 18 de julho, manifestou também sua preocupação pela contínua saída de cristãos da Terra Santa.

O convento de Quart foi inaugurado por João Paulo II em 1989.

Bento XVI convocou para o próximo domingo, 23 de julho, uma Jornada de oração e penitência pela paz no Oriente Médio.

Fonte: ZENIT -- ZP06072110

21 de julho de 2006

O Padre

QUANDO SE PENSA...

Quando se pensa que nem a Santíssima Virgem pode fazer o que faz um sacerdote;

quando se pensa que nem os anjos, nem os arcanjos, nem São Miguel, nem São Gabriel, nem São Rafael, nem um dos principais daqueles que venceram Lúcifer pode fazer o que faz um sacerdote;

quando se pensa que Nosso Senhor Jesus Cristo, na Última Ceia, realizou um milagre maior que a Criação do universo com todos os seus esplendores, ou seja, o de converter o pão e o vinho em Seu Corpo e Seu Sangue para alimentar o mundo, e que este portento, diante do qual se ajoelham os anjos e os homens, pode repeti-lo cada dia o sacerdote;

quando se pensa em outro milagre que somente um sacerdote pode realizar: perdoar os pecados, e o que liga no fundo de seu humilde confessionário, Deus, obrigado por sua própria palavra, o liga no Céu, e o que ele desliga, no mesmo instante desliga Deus;

quando se pensa que um sacerdote faz mais falta que um rei, mais que um militar, um banqueiro, um médico, que um professor, porque ele pode substituir a todos e nenhum deles pode substituí-lo;

quando se pensa que um sacerdote, quando celebra no altar tem uma dignidade infinitamente maior que um rei; e não é nem um símbolo, nem sequer um embaixador de Cristo, mas o próprio Cristo que está ali repetindo o maior milagre de Deus;

quando se pensa tudo isto...

compreende-se o afã que, em tempos antigos, cada família ansiava para que de seu seio brotasse, como uma vara de nardo, uma vocação sacerdotal;

compreende-se o imenso respeito que os povos tinham pelos sacerdotes, o que se refletia nas suas leis;

compreende-se que se um pai ou uma mãe obstruem a vocação sacerdotal de um filho é como se renunciassem a um título de nobreza incomparável;

compreende-se que um seminário ou um noviciado é mais que uma igreja, uma escola e um hospital;

compreende-se que dar para custear os estudos dum jovem seminarista ou noviço é aplanar o caminho pelo qual chegará ao altar um homem que durante meia hora cada dia será muito mais que todas as dignidades da terra e que todos os santos do céu, pois será o próprio Cristo, sacrificando Seu Corpo e Seu Sangue, para alimentar o mundo.

Hugo Wast

18 de julho de 2006

Passio Christi, conforta me

O texto abaixo foi extraído, com autorização, de uma mensagem de Jorge Ferraz à lista Tradição Católica, em 18/07/2006:

<< Pus-me agora a pensar na Cruz de Cristo. Ele, sendo Deus, não conhecia desde já a triste situação pela qual a Igreja passaria nos dias de hoje? Não sofreria já pelos bofetões e cusparadas que, dois mil anos depois, a Sua Noiva iria sofrer até mesmo daqueles que deveriam cuidá-la e zelar por ela? É claro que sofria! E é com este pensamento que eu creio estarmos - todos os católicos fiéis - unidos de alguma maneira aos sofrimentos de Cristo, posto que, certamente, sofremos por algo que O fez sofrer também, pelo qual Ele também sofreu. Os chicotes e os espinhos a ferir o corpo de Nosso Senhor não podem, também, ferir o nosso corpo; mas os chicotes e os espinhos espirituais, que Lhe afligiam a alma... ah, esses afligem a minha alma também. Esses, numa só tacada atingem a alma de Cristo e as dos cristãos. E que grande honra e que grande consolo: pregado na Cruz de Nosso Senhor, não com os mesmos cravos físicos, mas com os mesmos cravos espirituais, que tanto Lhe provocaram dor.

Sempre gostei daquela oração "Anima Christi", em particular da frase "Passio Christi, conforta me". Paixão de Cristo, confortai-me. Sim, porque os meus sofrimentos tornam-se pequenos diante dos sofrimentos de Nosso Senhor; e, neste caso, onde os sofrimentos são oriundos da situação da Igreja, a Paixão de Cristo conforta-me porque estes são parte integrante dos sofrimentos da Paixão. Cristo, da maneira mais literal possível, sofreu os sofrimentos pelos quais agora passo. >>

Jorge Ferraz

12 de julho de 2006

Sentido do Santo Cálice da Última Ceia

Sentido do Santo Cálice da Última Ceia, que o Papa venerará em Valência
Segundo o professor Salvador Antuñano Alea

MADRI, sexta-feira, 7 de julho de 2006 (ZENIT.org).- O Santo Cálice da Última Ceia, que a Catedral da cidade espanhola de Valência custodia e que Bento XVI venerará no sábado, funda sua verossimilhança em indícios muito razoáveis -- arqueológicos, históricos e de tradição --, mas para os cristãos o mais importante é «sua condição de ícone sacro».

E o povo cristão o venera porque «o representa e o traslada ao momento sublime em que o Filho de Deus nos deixou seu Sangue como bebida antes de derramá-lo na Cruz»: este é o sentido do Cálice de Valência, explica Salvador Antuñano Alea à agência Zenit.

Doutor em Filosofia e professor universitário em Madri (na Universidade Francisco de Vitória), Antuñano se interessou pelo Santo Gral a partir das conjunturas, os supostos «poderes mágicos» que a lenda lhe atribui, e a confusão de fronteiras com história e realidade. Fruto de seu estudo foi o volume «O mistério do Santo Gral. Tradição e lenda do Santo Cálice» (EDICEP, http://www.edicep.com/, Valência 1999).

A voz firme da arqueologia

Desde o ponto de vista arqueológico, o conjunto do Santo Cálice «está formado por três partes -- descreve --: duas taças de pedra e uma montagem de ourivesaria». Esta «pode datar-se, de acordo com seu estilo artístico, entre o século XIII e o início do XIV», enquanto que «o vaso que serve de pé para o Cálice» «pode datar-se na Medina Azahara de Almanzor, do século X o, se procedesse de outra oficina, entre esse século e o XII».

«A Taça propriamente dita [o Cálice], contudo, é muito mais antigo», expõe o professor Antuñano, seguindo agora o catedrático de Arqueologia da Universidade de Zaragoza, Antonio Beltrán, que estudou o Cálice por encargo do Arcebispo Olaechea (emérito de Valência, falecido em 1972).

Sua precisão científica, a comparação que realizou com objetos similares e a análise crítica de documentos «apontam a uma oficina oriental -- Egito ou Palestina -- e aos últimos momentos da arte helenística (séculos II a.C. – I d.C.) -- comenta Antuñano. Corresponde ao tipo de taças usadas nas solenidades ou pertencentes a casas ricas».

Após seus estudos, o catedrático de Arqueologia concluiu que esta ciência confirma a verossimilhança histórica do Santo Cálice, assim como que «o pé é um copo egípcio ou califal do século X ou XI e foi acrescentado, com rica ourivesaria, à taça, por volta do século XIV, porque se acreditava firmemente, então, que era uma peça excepcional».

História e tradição

«O documento histórico escrito mais antigo que nos fala com toda clareza do Santo Cálice é a escritura de doação do Cálice, feita pelos monges de São João da Pena ao Rei de Aragão Don Martín I o Humano», datado «de 26 de setembro de 1399», continua explicando à agência Zenit o professor Antuñano.

O texto descreve «fielmente o cálice de pedra que se conserva hoje em Valência. A partir desse momento, sua trajetória está completamente documentada», ainda que «antes dessa data não conservemos nenhum documento que nos fale dele», constata.

Portanto, «à própria realidade material do Cálice» soma-se «uma antiga tradição apoiada por vestígios e indícios razoáveis», declara.

É assim que uma antiga tradição, que corrobora o fundamento arqueológico, aponta que o Cálice passou de Jerusalém a Roma com São Pedro, e com ele os primeiros Papas celebraram os mistérios. E chegaria por volta do ano 258 à Espanha, à zona de Huesca, enviado por São Lorenzo após o martírio do Papa Sisto e antes do seu próprio, com a intenção de preservá-lo assim da espoliação da perseguição contra a Igreja, decretada por Valeriano.

«Estaria lá até a invasão muçulmana, quando os fiéis o salvariam, ocultando-o em diversos pontos da montanha -- relata o professor Antuñano. À medida que a Reconquista avança, se consolida também uma discreta veneração em diversas igrejas», e «é muito possível que a meados do século XI estivesse em Jaca, conservado pelos bispos e que, ao instaurar-se o rito romano no Reino de Aragão -- ano 1071 -- passasse ao Mosteiro de São João da Pena», em cujo silêncio «se conservaria durante mais de três séculos».

«Indícios suficientemente verossímeis» se desprendem por sua parte do Novo Testamento: «é possível que Cristo tenha celebrado a Última Ceia na casa de São Marcos»; este era como um «secretário de São Paulo e de São Pedro, com quem parece que vai a Roma», pelo que «não seria estranho que o evangelista tivesse conservado o copo -- de sua vasilha -- no qual o Mestre consagrara a Eucaristia», nem será estranho «que o entregasse a Pedro e este a Lino», e de um a outro a Cleto, a Clemente, e assim sucessivamente.

Não se pode esquecer que «o cânon romano da missa se elabora sobre o rito usado pelos Papas dos primeiros séculos» (recém-citados), e «em uma de suas partes mais antigas, a fórmula da consagração, apresenta uma ligeira variante com outras liturgias», pois estabelece as palavras: «do mesmo modo, ao fim da ceia, tomou este cálice glorioso em suas santas e veneráveis mãos, dando graças o abençoou, e o deu a seus discípulos dizendo...», «de tal forma que parece insistir em um cálice particular e concreto: o mesmo que usara o Senhor em sua Ceia», aponta Salvador Antuñano.

O itinerário histórico, bem documentado a partir de 1399, nos leva à cidade de Valência, que está a ponto de ser visitada por Bento XVI, onde em 1915 o Cabido catedralesco decide transformar a antiga sala capitular da Catedral na Capela do Santo Cálice, onde este ficou instalado na Solenidade da Epifania de 1916.

Teve de ser tirado dali a toda pressa depois de vinte anos, no estouro da guerra civil, três horas antes que a Catedral ardesse. «Quando se extinguiu o fogo da guerra, se entregou solenemente o Cálice ao Cabido em 9 de abril de 1939, Quinta-feira Santa , e se instalou em sua capela reconstruída em 23 de maio de 1943», recorda o professor Antuñano.

A partir de então, intensifica-se o culto e a devoção ao Santo Cálice. E «o arcebispo atual, Dom Agustín García-Gasco, conseguiu difundir a veneração além dos limites da Comunidade Valenciana», reconhece.

A verdadeira mística do Santo Cálice da Ceia

Visto o fundo de arqueologia, história e tradição desta relíquia, se algo importa é seu valor como ícone sacro. E é que, «para o cristianismo, um ícone sagrado não é só uma imagem piedosa», nem sequer uma «representação de um motivo religioso»; é muito mais -- adverte o estudioso --: «é um meio para a contemplação espiritual, para a meditação e para a oração».

Longe de albergar «propriedade "mágica"» alguma, «o ícone é sagrado porque sua imagem evoca um mistério salvífico e, de uma forma espiritual mas real, tem como finalidade pôr a quem contempla em comunhão com esse mistério, fazê-lo partícipe dele», sublinha.

E como «os dados da tradição e da história nos apontam seriamente a possibilidade de que fosse o mesmo Cálice que o Senhor usou na noite em que ia ser entregue», os cristãos o veneram porque «translada ao momento sublime em que o Filho de Deus nos deixou seu Sangue como bebida antes de derramá-lo na Cruz» por nossa salvação, precisa.

«Por isso -- sintetiza -- o núcleo e fundamento da veneração do Santo Cálice está no Mistério Eucarístico.»

Para o professor Salvador Antuñano, um dos momentos mais importantes da história do Santo Cálice foi a visita do Santo Padre João Paulo II a Valência em 8 de novembro de 1982: «após venerar a Relíquia em sua Capela, o Papa celebrou a Missa com ela no passeio da Alameda».

«A história do Santo Cálice continuará, como continua a história da própria Igreja, mas o gesto de João Paulo II ao consagrar nele o Sangue do Senhor pode considerar-se como o rito que introduz a relíquia no terceiro milênio», conclui.

Fonte: ZENIT
Código: ZP06070701
Data de publicação: 2006-07-07

Papa celebra Eucaristia com o Santo Graal

Como João Paulo II em 1982

VALÊNCIA, domingo, 9 de julho de 2006 (ZENIT.org).- Com um gesto sumamente significativo, Bento XVI celebrou a missa conclusiva do Encontro Mundial das Famílias, com a participação de mais de um milhão de pessoas, com o Santo Cálice, considerado o cálice que Jesus utilizou na Última Ceia.

O também chamado «Santo Graal» havia sido transladado na madrugada à Cidade das Artes e das Ciências de Valência, onde o Papa presidiu a missa, pelo decano da Catedral de Valência, João Pérez Navarro.

A relíquia, uma das mais antigas da cristandade documentada desde os primeiros séculos pelos historiadores, foi transladada em um veículo da Polícia local, escoltado por unidades motorizadas, segundo informa AVAN, agência de informação da arquidiocese de Valência.

João Paulo II já empregou a relíquia para a consagração quando visitou Valência em 8 de novembro de 1982, na missa de ordenação sacerdotal de 141 jovens diáconos, que presidiu no Passeio da Alameda.

Segundo as investigações realizadas por diferentes historiadores, recolhidas por AVAN, foi o próprio São Pedro que levou de Jerusalém a Antioquia, e depois a Roma, o cálice utilizado por Jesus Cristo em sua última ceia antes de sua paixão e morte.

O Santo Graal foi utilizado desde então por 23 papas até a perseguição imperial contra os cristãos no ano 258, quando o papa Sisto II, antes de ser martirizado, ordenou enviar a relíquia a Huesca, custodiada pelo diácono Lorenzo.

Diversas paragens e igrejas de Aragão foram cenários da passagem do Santo Cálice, como a gruta de Yebra, São Pedro de Siresa, São Adrián de Sasabe, Santa Maria de Sasabe, São Pedro da Sede Real de Balio, a própria Catedral de Jaca, até chegar no ano 1071 ao mosteiro de Huesca de São João da Pena.

Em 1399, o rei Martín I levou a relíquia ao Palácio da Aljafería em Zaragoza, onde permaneceu 20 anos até que, depois de uma breve estadia em Barcelona, foi levada ao Palácio Real de Valência no ano 1424, por ordem de Alfonso o Magnânimo, que agradecia assim a Valência por sua ajuda nas lutas mediterrâneas.

Finalmente, em 1437, o Santo Cálice foi entregue como doação ao cabido da Catedral de Valência.

[Mais informação em Sentido do Santo Cálice da Última Ceia, que o Papa venerará em Valência]

ZP06070909

Catecismo ajuda famílias a descobrir beleza da fé

«Catecismo ajuda famílias a descobrir beleza da fé», explica cardeal Levada
O prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em Valência

VALÊNCIA, sexta-feira, 7 de julho de 2006 (ZENIT.org).- O Catecismo da Igreja Católica constitui uma ajuda única para que as famílias descubram a beleza da fé, constatou o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé nesta sexta-feira, em sua intervenção ante o Congresso Teológico-Pastoral sobre a Família que se encerrou em Valência.

Este volume e o recém-publicado «Compêndio», que o resume, disse o cardeal William J. Levada, «podem ajudar as famílias e a cada um de nós a descobrir a beleza da fé católica e vivê-la gozosamente, para transmiti-la às novas gerações, aos pais e mães de amanhã».

O substituto do cardeal Joseph Ratzinger dividiu sua intervenção em três partes. A primeira foi dedicada a apresentar o Catecismo; a segunda à família na tradição da Igreja; e a terceira à presença do Catecismo nas famílias.

Recordou que João Paulo II ressaltou a importância do novo Catecismo como «instrumento de renovação e unidade na Igreja».

«O Catecismo -- sublinhou o cardeal Levada -- ajuda a Igreja a assegurar a unidade de fé pela qual Jesus mesmo orou na Última Ceia. Esta unidade da Igreja está acompanhada pela consciência que os fiéis têm de estar em comunhão com os cristãos de todos os tempos, desde a época dos Apóstolos até os nossos dias.»

Na segunda parte, o cardeal assinalou que «a família é com razão chamada a célula fundamental da sociedade humana. De fato, estamos acostumados a pensar na família como o lugar onde vivemos e transmitimos nossa fé católica, sem dar muita atenção a como ela mesma responde a um desígnio de salvação em Cristo, que Deus nos revelou na Sagrada Escritura».

Denunciou que «um dos grandes desafios dos últimos tempos é a tentativa, em sociedades secularizadas, de mudar as leis que, durante séculos, inclusive milênios, reconheceram o plano de Deus para o matrimônio e a família como se apresenta na ordem da Criação, e que constitui um patrimônio comum para toda a humanidade governada pela lei natural».

Concluiu sublinhando a importância da presença do Catecismo no seio da família, indicando que «poderia ser uma ferramenta sumamente útil na realização de sua vocação e missão».

ZP06070707